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Febre e Medicamentos: Guia Completo para o Seu Bem-Estar

10/06/2024

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A febre, também conhecida como hipertermia, é uma resposta fascinante e, na maioria das vezes, benéfica do nosso organismo. Embora possa ser bastante incomodativa, ela é um sinal de que o corpo está a combater inflamações ou infeções. Considera-se que uma pessoa tem febre quando a sua temperatura corporal excede em cerca de 1ºC a sua temperatura habitual, que geralmente varia entre 36ºC e 37ºC. No entanto, é importante notar que esta temperatura pode ter pequenas variações de pessoa para pessoa. Apesar de ser um mecanismo natural do sistema imunitário, existem várias estratégias que podemos adotar para diminuir o desconforto que a febre pode provocar e, assim, favorecer uma recuperação mais rápida e tranquila.

Quais são os medicamentos para febre?
Os medicamentos utilizados para o tratamento da febre chamam-se antipiréticos (baixam a temperatura corporal) e aqueles que mais se utilizam são o paracetamol e o ibuprofeno.
Índice de Conteúdo

Entendendo a Febre: O Que É e Por Que Acontece?

A febre não é uma doença em si, mas sim um sintoma. Ela ocorre quando o hipotálamo, a parte do cérebro que regula a temperatura corporal, eleva o ponto de ajuste térmico em resposta a substâncias chamadas pirógenos. Estes pirógenos podem ser produzidos pelo próprio corpo (endógenos) em resposta a uma inflamação ou infeção, ou vir de fontes externas (exógenos), como bactérias e vírus. Ao elevar a temperatura, o corpo cria um ambiente menos propício para a proliferação de microrganismos invasores e acelera processos imunológicos, ajudando a combater a ameaça.

Sintomas Comuns da Febre: O Que Esperar?

Os sintomas da febre podem variar de intensidade dependendo da causa e da altura da temperatura. Em adultos, os sinais mais comuns incluem:

  • Dor de cabeça persistente
  • Suores excessivos, muitas vezes seguidos de arrepios
  • Sensação de fraqueza e mal-estar generalizado
  • Dores musculares (mialgias)
  • Desidratação devido à perda de líquidos pelo suor
  • Falta de apetite

Em casos de febre muito alta, podem surgir sintomas mais preocupantes, como confusão mental, cansaço extremo, irritabilidade, tonturas e, em situações mais raras e graves, convulsões. É crucial estar atento a estes sinais, especialmente em crianças e idosos.

Estratégias para Baixar a Febre Sem Medicamentos

Antes de recorrer a medicamentos, existem várias medidas de suporte que podem ajudar a aliviar o desconforto e a baixar a temperatura corporal:

  • Hidratação Intensa: Beba muitos líquidos, como água, sumos naturais e caldos. A febre pode levar à perda significativa de fluidos corporais, o que favorece a desidratação. A ingestão adequada de líquidos ajuda a repor o que foi perdido e a regular a temperatura.
  • Alimentação Leve: Prefira alimentos de fácil digestão, como sopas, purés e frutas. Evite refeições pesadas que possam sobrecarregar o sistema digestivo.
  • Descanso Absoluto: Descanse o máximo possível e evite atividades físicas intensas. O esforço físico pode aumentar a temperatura corporal e atrasar a recuperação.
  • Banhos Mornos e Compressas: Tome um banho morno (nunca frio, pois pode causar calafrios e aumentar a temperatura central) ou aplique toalhas húmidas na testa, pulsos e axilas. A evaporação da água ajuda a dissipar o calor do corpo.
  • Roupa Leve e Ambiente Fresco: Vista roupa leve e folgada, mesmo que sinta arrepios. Mantenha a temperatura ambiente fresca e arejada e diminua a quantidade de roupa de cama. O objetivo é permitir que o calor se dissipe do corpo.

Medicamentos Antipiréticos: As Soluções Mais Utilizadas

Quando as medidas não farmacológicas não são suficientes para aliviar o desconforto, os medicamentos entram em cena. Os fármacos utilizados para o tratamento da febre são chamados antipiréticos, pois a sua principal função é baixar a temperatura corporal. Os mais comuns e amplamente utilizados são o Paracetamol e o Ibuprofeno.

Paracetamol (Acetaminofeno)

O Paracetamol é um analgésico e antipirético eficaz, que atua no sistema nervoso central para reduzir a febre e a dor. É geralmente bem tolerado e pode ser usado em diversas faixas etárias, incluindo bebés e grávidas (sob orientação médica). No entanto, é crucial respeitar a dosagem máxima diária para evitar danos hepáticos graves.

Ibuprofeno

O Ibuprofeno pertence à classe dos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs). Além de ser um potente antipirético, possui também propriedades anti-inflamatórias e analgésicas. Isso significa que, se a febre estiver associada a inflamação (como dores de garganta, dores musculares ou dor de cabeça), o Ibuprofeno pode ser uma opção mais completa. Contudo, deve ser usado com cautela em pessoas com problemas gastrointestinais, renais ou cardíacos.

É de esperar que um antipirético bem administrado baixe a febre em 1ºC a 1,5ºC num período de 2 a 3 horas. Em caso de febre persistente ou que não ceda aos medicamentos, é fundamental contactar o seu médico assistente.

Comparativo: Paracetamol vs. Ibuprofeno

Para ajudar a escolher, veja um resumo das principais características:

CaracterísticaParacetamolIbuprofeno
ClasseAnalgésico e AntipiréticoAnti-inflamatório Não Esteroide (AINE)
Mecanismo de AçãoAtua no SNC para reduzir febre e dorInibe a produção de prostaglandinas (dor, febre, inflamação)
Propriedade Anti-inflamatóriaNãoSim
Indicações PrincipaisFebre, dores leves a moderadasFebre, inflamação, dores musculares, dor de cabeça, dor menstrual
Efeitos Adversos ComunsRaros com dose adequada; toxicidade hepática com superdoseIrritação gástrica, náuseas, tonturas. Risco renal/cardíaco em uso prolongado.
Contraindicações NotáveisDoença hepática graveÚlceras gástricas, asma, problemas renais/cardíacos graves, gravidez (3º trimestre)

O seu médico assistente ou farmacêutico são os profissionais mais indicados para o aconselhar acerca da terapêutica e posologia mais adequadas para o seu caso específico.

Atenção Importante: Crianças e Ácido Acetilsalicílico

É crucial que crianças com febre não tomem ácido acetilsalicílico (popularmente conhecido como aspirina). Especialmente em crianças com menos de 12 anos, existe o risco de a aspirina causar síndrome de Reye, uma doença rara, mas grave, que afeta o cérebro e o fígado. Em caso de dúvida, opte sempre por Paracetamol ou Ibuprofeno em doses pediátricas, sob orientação profissional.

Como se chama epocler em Portugal?
Isso porque remédios como engov, xantinon e epocler são amplamente utilizados no país, tanto para prevenir os sintomas, como para tratá-los no dia seguinte.

Mito Desfeito: Antibióticos Não Curam Febre Viral

Uma crença comum, mas incorreta, é que antibióticos servem para baixar a febre. Os antibióticos são medicamentos poderosos utilizados exclusivamente para tratar infeções causadas por bactérias. Na maioria dos casos, a febre é causada por vírus (como gripes e constipações) ou por situações de inflamação que não respondem ao tratamento com antibióticos. O uso indevido de antibióticos não só é ineficaz para febres virais, como também contribui para o desenvolvimento de resistência bacteriana, um grave problema de saúde pública.

Quando Procurar um Médico: Sinais de Alerta

A febre por si só não implica sempre uma visita de urgência ao médico. No entanto, deverá procurar assistência médica nos seguintes casos:

  • Febre alta e persistente (acima de 39ºC em adultos) que não cede com medicação.
  • Febre em bebés com menos de 3 meses de idade (qualquer febre nestes casos exige avaliação médica).
  • Febre acompanhada de rigidez na nuca, dor de cabeça intensa e sensibilidade à luz (sintomas que podem indicar meningite).
  • Febre com dificuldade respiratória ou dor no peito.
  • Febre com erupções cutâneas ou manchas na pele.
  • Febre após uma viagem internacional recente.
  • Febre em pessoas com doenças crónicas (diabetes, doenças cardíacas, imunossupressão).
  • Se a febre for acompanhada de confusão mental, convulsões ou perda de consciência.
  • Se a febre durar mais de 3 dias em adultos, ou mais de 24 horas em crianças pequenas.

Além dos Antipiréticos: O Uso Consciente de Outros Medicamentos

No vasto universo dos medicamentos, a informação e o uso consciente são essenciais. Abordaremos agora dois tópicos importantes que, embora não diretamente ligados à febre, destacam a importância da supervisão médica e farmacêutica na utilização de fármacos.

Ozempic e Outros Agonistas do Recetor da GLP-1: Um Alerta sobre o Uso Indevido

Nos últimos tempos, tem havido muita discussão sobre a disponibilidade de medicamentos como Ozempic (semaglutido), Trulicity (dulaglutido) e Victoza (liraglutido). Estes são medicamentos agonistas do recetor do peptídeo-1 similar ao glucagon (agonistas do recetor da GLP-1), aprovados e comparticipados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) em Portugal para o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlada, com Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 35 kg/m², como adjuvante à dieta e exercício, e em adição a outros medicamentos para a diabetes, em 2ª e 3ª linhas terapêuticas.

Desde 2022, estes medicamentos têm enfrentado problemas de disponibilidade global. Esta escassez deve-se a uma elevada procura e a constrangimentos na capacidade de produção. Um fator que tem contribuído significativamente para o agravamento desta situação é a utilização off-label (fora das indicações aprovadas), nomeadamente para a perda de peso em indivíduos não diabéticos. O INFARMED, I.P. (Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde) tem vindo a monitorizar a situação e a implementar diversas ações para mitigar o problema, incluindo a monitorização de stocks, inspeções, autorização de utilização excecional de medicamentos rotulados em língua estrangeira e partilha de informação com as autoridades europeias.

Recomendações Importantes:

  • Ozempic, Trulicity e Victoza são comparticipados apenas para o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2 que cumpram critérios específicos de IMC.
  • Estes medicamentos não devem ser prescritos a doentes que não sejam diabéticos.
  • A utilização off-label coloca em risco a disponibilidade para os doentes diabéticos que deles necessitam e que mais beneficiam.
  • Devido à escassez, o início de novos tratamentos com agonistas do recetor da GLP-1 deve ser cuidadosamente ponderado, existindo alternativas terapêuticas para a diabetes que não apresentam constrangimentos.
  • As farmácias devem garantir que os utentes não dispõem de embalagens suficientes, consultando o histórico de prescrições e dispensas, para evitar o açambarcamento.
  • Estes medicamentos só podem ser adquiridos nas farmácias mediante receita médica. A compra em circuitos ilegais constitui um risco grave para a saúde, havendo inclusive relatos de falsificação.

A escassez deverá manter-se em 2024 e 2025, e é fundamental que todos os intervenientes – médicos, farmacêuticos e pacientes – ajam com responsabilidade para assegurar que estes medicamentos cheguem a quem realmente precisa.

Remédios para Ressaca em Portugal: O Caso do Epocler e Outros

Com o lançamento de novas pílulas antirressaca em alguns países, surge frequentemente a questão sobre a existência de medicamentos similares em Portugal ou no Brasil para essa finalidade. No Brasil, remédios como Engov, Xantinon e Epocler são amplamente utilizados para prevenir ou tratar os sintomas da ressaca. No entanto, é crucial entender que, ao contrário do novo suplemento lançado no Reino Unido (que atua na redução do nível de álcool no sangue), estes medicamentos não têm indicação oficial em bula para o tratamento da ressaca.

Engov

O Engov é um dos mais populares para o alívio da ressaca no Brasil. É composto por ácido acetilsalicílico (um anti-inflamatório), hidróxido de alumínio (para azia), maleato de mepiramina (um antialérgico) e cafeína (estimulante). De acordo com a bula, é indicado para alívio de dores de cabeça e alergias. Embora a dor de cabeça seja um sintoma da ressaca, o uso de Engov é contraindicado com bebidas alcoólicas, e não há evidências de que, ingerido antes, reduza os efeitos do álcool. Existe também o Engov After, que não é um medicamento, mas uma bebida com glicose, sais minerais e cafeína, comercializada para reidratar o corpo após o consumo de álcool.

Xantinon

O Xantinon é um medicamento destinado a tratar disfunções no fígado, composto por nutrientes que auxiliam no metabolismo de gorduras no órgão. Devido à sua ação hepática, muitas pessoas acreditam que ele possa prevenir a produção de substâncias nocivas resultantes da metabolização do álcool. Contudo, não há indicação em bula relacionada à metabolização do álcool ou ao tratamento da ressaca.

Onde arranjar ozempic?
Atendendo à escassez destes medicamentos, poderá ser necessário consultar o médico para a prescrição de uma alternativa terapêutica. Existem vários tratamentos alternativos para a diabetes; Os medicamentos Ozempic, Trulicity e Victoza só podem ser adquiridos nas farmácias mediante receita médica.

Epocler

A mesma lógica se aplica ao Epocler. Este é composto por três aminoácidos – racemetionina, colina e betaína – que, de acordo com a bula, atuam na prevenção do acúmulo de gordura no fígado e auxiliam na remoção de restos metabólicos. Tal como os outros, o Epocler não possui indicação oficial para ajudar nos sintomas da ressaca.

É fundamental reforçar que, por se tratarem de medicamentos, devem ser utilizados apenas mediante indicação de um especialista. O uso inadequado ou em excesso pode trazer riscos significativos para a saúde, independentemente da sua popularidade para usos não aprovados.

Perguntas Frequentes (FAQs) sobre Febre e Medicamentos

P: A febre é sempre ruim?

R: Não necessariamente. Na maioria dos casos, a febre é um mecanismo de defesa natural do corpo contra infeções e inflamações. Ela indica que o sistema imunitário está a trabalhar. Só se torna preocupante quando é muito alta, persistente ou acompanhada de outros sintomas graves.

P: Posso alternar Paracetamol e Ibuprofeno para baixar a febre?

R: A alternância entre Paracetamol e Ibuprofeno é uma prática comum, especialmente em crianças, e pode ser eficaz para controlar febres altas que não cedem com um único medicamento. No entanto, deve ser feita com cautela e, idealmente, sob orientação médica ou farmacêutica para evitar erros de dosagem e garantir a segurança. É importante respeitar os intervalos mínimos entre as doses de cada medicamento.

P: Quanto tempo a febre deve durar antes de eu me preocupar?

R: Em adultos, a febre que dura mais de 3 dias sem sinais de melhora, ou que é acompanhada por sintomas preocupantes (como dor de cabeça intensa, rigidez no pescoço, erupções cutâneas, dificuldade para respirar), deve ser avaliada por um médico. Em crianças pequenas (especialmente menores de 3 meses), qualquer febre exige atenção médica imediata.

P: O que fazer se a febre não baixar com os remédios?

R: Se a febre não baixar ou voltar a subir rapidamente após a administração do antipirético, e se o desconforto persistir, é fundamental procurar aconselhamento médico. Pode ser necessário ajustar a dosagem, mudar o medicamento ou investigar a causa subjacente da febre, que pode ser mais grave do que o inicialmente pensado.

Em suma, a febre é um sinal importante do corpo, e o seu manejo adequado envolve tanto medidas de suporte quanto o uso consciente de medicamentos. A informação é a chave para tomar as melhores decisões para a sua saúde, sempre com o apoio e a orientação dos profissionais de saúde, como o seu médico e o seu farmacêutico de confiança.

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