22/04/2023
Falar sobre infertilidade para casais que sonham em constituir família ou desejam engravidar novamente pode ser considerado um assunto ‘assustador’. No entanto, essa situação é mais comum do que muitos pensam e você não está sozinha nisso! Na verdade, não conseguir engravidar pode ter diversos fatores, como a idade do casal e possíveis problemas de fertilidade masculina, feminina ou ambas. O importante é saber que nem sempre a gravidez é alcançada na primeira vez e que o resultado positivo desejado não deve se tornar uma obsessão ou motivo de ansiedade ou depressão. Para ajudar no sonho desses casais, preparamos este artigo completo, com informações detalhadas sobre a infertilidade, suas diversas causas, o processo de descoberta e os tratamentos mais avançados disponíveis. Continue lendo e descubra como a medicina reprodutiva pode oferecer novas esperanças.

O Que É Infertilidade e Como Ela É Definida?
A infertilidade, um desafio que afeta milhões de casais em todo o mundo, é formalmente definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a incapacidade de atingir uma gravidez após 12 meses ou mais de tentativas de concepção, mantendo relações sexuais frequentes e sem a utilização de métodos contraceptivos. Para mulheres acima de 35 anos, esse período de espera para investigação é reduzido para seis meses, dada a diminuição natural da fertilidade com o avanço da idade. Estima-se que aproximadamente 15% dos casais em idade reprodutiva enfrentam algum grau de dificuldade para engravidar, o que demonstra a prevalência dessa condição. É crucial compreender que a infertilidade não é uma condição exclusiva de um dos parceiros; ela pode ser diagnosticada no homem, na mulher ou em ambos. Por essa razão, a investigação e o tratamento devem sempre envolver os dois membros do casal, garantindo uma abordagem completa e eficaz para identificar as causas subjacentes e definir o caminho mais adequado para a concepção.
Tipos de Infertilidade: Primária e Secundária
A infertilidade é categorizada em dois tipos principais, com base na história reprodutiva do casal. Entender essa distinção é fundamental para o diagnóstico e a abordagem terapêutica adequados, além de ajudar os casais a compreenderem melhor sua situação específica.
Infertilidade Primária
A infertilidade primária refere-se a casais que nunca conseguiram uma gravidez, mesmo após um ano (ou seis meses, para mulheres acima de 35 anos) de tentativas regulares de concepção, sem o uso de qualquer método contraceptivo. Este tipo de infertilidade indica que o casal está enfrentando dificuldades para conceber pela primeira vez. As causas podem ser variadas e necessitam de uma investigação aprofundada para identificar os fatores que impedem a concepção inicial. Pode envolver problemas de ovulação, bloqueios nas tubas uterinas, baixa qualidade ou quantidade de espermatozoides, ou outras condições que afetam a capacidade reprodutiva.
Infertilidade Secundária
Por outro lado, a infertilidade secundária é diagnosticada em casais que já tiveram pelo menos uma gravidez bem-sucedida no passado, independentemente de a criança ter nascido ou não, e que agora enfrentam dificuldades para engravidar novamente ou para levar uma nova gestação a termo. Isso significa que, em algum momento, a concepção foi possível, mas agora surgiram novos obstáculos. As causas podem incluir o avanço da idade (especialmente para a mulher), o surgimento de novas condições médicas (como endometriose, miomas, ou problemas na qualidade do sêmen), complicações de gestações anteriores, ou mudanças no estilo de vida. É importante notar que, embora já tenham concebido antes, a experiência atual de não conseguir engravidar pode ser igualmente ou até mais frustrante, exigindo a mesma atenção e investigação médica que a infertilidade primária.
Ambos os tipos de infertilidade exigem uma avaliação médica detalhada para identificar as causas específicas e determinar o melhor plano de tratamento. A distinção entre primária e secundária apenas categoriza a experiência do casal, mas não diminui a complexidade da condição ou a necessidade de intervenção.
Possíveis Causas da Infertilidade: Uma Abordagem Abrangente
A infertilidade é multifatorial, o que significa que suas causas podem ser de origem feminina, masculina, ou uma combinação de ambas, além de haver casos em que a causa permanece inexplicada. A distribuição percentual, embora artificial, sugere que aproximadamente 30% dos casos são atribuídos a fatores masculinos, 30% a fatores femininos, 30% a problemas em ambos os parceiros, e cerca de 10% são de causa indeterminada. É por isso que a investigação deve ser sempre conjunta.
Causas da Infertilidade Feminina
A fertilidade feminina é um processo complexo que depende da saúde e do bom funcionamento de diversos órgãos do sistema reprodutor. As causas de infertilidade em mulheres podem ser classificadas em fatores uterinos, tubários, ovarianos e hormonais, além de outras condições sistêmicas.
- Fatores Ovarianos e Distúrbios Hormonais: São as causas mais comuns. Envolvem a anovulação (ausência de ovulação) ou ovulação irregular, frequentemente ligadas a desequilíbrios hormonais. A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é um exemplo proeminente, causando irregularidades menstruais e dificuldade na liberação do óvulo. Outros distúrbios endócrinos, como problemas na tireoide (hipo ou hipertireoidismo) ou alterações na prolactina, também podem afetar a ovulação. A idade avançada é um fator crucial, pois a quantidade e a qualidade dos óvulos diminuem significativamente após os 35 anos, impactando as chances de concepção e aumentando o risco de abortos espontâneos.
- Fatores Tubários: As tubas uterinas são essenciais para a fertilização, pois é nelas que o óvulo encontra o espermatozoide. A obstrução ou dano nas tubas, conhecida como hidrossalpinge (acúmulo de líquido nas tubas) ou aderências causadas por infecções pélvicas (como Doença Inflamatória Pélvica - DIP, muitas vezes resultado de DSTs não tratadas), cirurgias anteriores ou endometriose, podem impedir o encontro dos gametas ou o transporte do embrião para o útero.
- Fatores Uterinos: O útero é o ambiente onde o embrião se implanta e se desenvolve. Anormalidades uterinas podem dificultar a implantação ou sustentar a gravidez. Miomas (tumores benignos no útero) e pólipos endometriais (crescimentos no revestimento uterino) são os principais culpados. Outras condições incluem malformações uterinas congênitas ou aderências intrauterinas (síndrome de Asherman), resultantes de cirurgias ou infecções.
- Endometriose: Uma das causas mais comuns e desafiadoras. Caracteriza-se pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora do útero, como nos ovários, tubas uterinas ou outros órgãos pélvicos. A endometriose pode causar inflamação, formação de aderências e distorção da anatomia pélvica, afetando a ovulação, a qualidade dos óvulos, a função tubária e a receptividade do endométrio.
- Doenças Autoimunes: Condições como lúpus, artrite reumatoide e tireoidite de Hashimoto podem afetar a fertilidade ao provocar inflamação sistêmica, interferir na ovulação, na implantação do embrião ou causar abortos de repetição devido à rejeição materno-fetal.
- Fatores de Risco Gerais: Obesidade, diabetes não controlada, tabagismo, consumo excessivo de álcool, estresse crônico e exposição a certas toxinas ambientais ou medicamentos podem impactar negativamente a qualidade ovariana, a regularidade menstrual e a saúde reprodutiva geral.
Causas da Infertilidade Masculina
A fertilidade masculina depende da produção adequada de espermatozoides saudáveis e de sua capacidade de serem transportados e fertilizar o óvulo. As causas podem ser diversas:
- Problemas na Produção de Espermatozoides:
- Oligozoospermia: Diminuição do número de espermatozoides. Pode ser causada por fatores genéticos, hormonais (como deficiência de testosterona), infecções (caxumba na puberdade, DSTs), varicocele (dilatação das veias no escroto que pode aumentar a temperatura testicular e afetar a produção de espermatozoides) ou exposição a toxinas.
- Azoospermia: Ausência completa de espermatozoides no sêmen. Pode ser obstrutiva (bloqueio no trato reprodutor, como após vasectomia ou infecções) ou não obstrutiva (problema na própria produção testicular).
- Astenozoospermia: Baixa motilidade dos espermatozoides, dificultando seu movimento em direção ao óvulo.
- Teratozoospermia: Espermatozoides com alteração morfológica (formato anormal), que pode comprometer sua capacidade de fertilização.
- Problemas de Transporte dos Espermatozoides: Obstruções nos ductos ejaculatórios devido a infecções, inflamações ou malformações congênitas, impedindo a saída dos espermatozoides.
- Problemas de Ereção ou Ejaculação: Disfunção erétil, ejaculação precoce ou ejaculação retrógrada (sêmen vai para a bexiga) podem impedir a deposição adequada de espermatozoides na vagina.
- Fatores Imunológicos: Produção de anticorpos antiespermatozoides pelo próprio homem, que podem atacar e incapacitar seus espermatozoides.
- Fatores de Risco Gerais: Tabagismo, consumo excessivo de álcool, uso de drogas ilícitas, obesidade, exposição a produtos químicos ou radiação, e certas medicações podem afetar a produção e a qualidade do sêmen.
O diagnóstico da infertilidade masculina é primariamente feito através do espermograma, um exame que avalia a quantidade, motilidade, morfologia e vitalidade dos espermatozoides, além de outros parâmetros do sêmen.
Infertilidade Sem Causa Aparente (ISCA)
Em aproximadamente 10% dos casais, mesmo após uma investigação completa de ambos os parceiros, não é encontrada uma causa clara para a infertilidade. Nesses casos, a condição é denominada Infertilidade Sem Causa Aparente (ISCA). Embora frustrante, a ISCA não significa que não há solução; muitas vezes, técnicas de reprodução assistida podem ser bem-sucedidas.
O Processo de Diagnóstico da Infertilidade
A jornada para entender a infertilidade começa com uma avaliação detalhada de ambos os parceiros. O médico irá coletar um histórico clínico completo, incluindo informações sobre saúde geral, histórico sexual, hábitos de vida, cirurgias prévias e uso de medicamentos. Para a mulher, serão questionados os ciclos menstruais, histórico de gestações, abortos, uso de contraceptivos e doenças ginecológicas. Para o homem, histórico de doenças na infância (como caxumba), cirurgias (como correção de varicocele), e problemas de ereção ou ejaculação.
Após a anamnese, uma série de exames específicos são solicitados:
- Para a Mulher:
- Dosagens Hormonais: Avaliam a reserva ovariana (FSH, LH, Estradiol, AMH – Hormônio Anti-Mülleriano) e o funcionamento da tireoide e prolactina.
- Ultrassonografia Transvaginal: Avalia o útero (presença de miomas, pólipos, malformações), ovários (cistos, folículos) e endométrio.
- Histerossalpingografia: Exame de raio-X com contraste para verificar a permeabilidade das tubas uterinas e a anatomia da cavidade uterina.
- Laparoscopia/Histeroscopia: Procedimentos cirúrgicos minimamente invasivos que podem ser indicados para investigar e tratar condições como endometriose, aderências pélvicas ou problemas uterinos.
- Para o Homem:
- Espermograma: O principal exame, que analisa volume, pH, concentração, motilidade, morfologia e vitalidade dos espermatozoides.
- Dosagens Hormonais: Avaliam os níveis de testosterona, FSH, LH e prolactina, que podem indicar problemas na produção de espermatozoides.
- Ultrassonografia da Bolsa Escrotal: Para identificar varicocele ou outras anormalidades testiculares.
- Exames Genéticos: Em casos específicos, para investigar anomalias cromossômicas ou genéticas (como microdeleções do cromossomo Y).
O diagnóstico preciso é o primeiro passo para traçar um plano de tratamento personalizado, oferecendo as melhores chances de sucesso para o casal.
Técnicas de Reprodução Assistida: Caminhos para a Concepção
Quando os tratamentos mais simples não são suficientes ou quando as causas da infertilidade são mais complexas, as técnicas de reprodução assistida (TRA) surgem como uma esperança significativa para casais inférteis. A escolha da técnica mais adequada é sempre individualizada, baseada no diagnóstico específico do casal, na idade da mulher, na duração da infertilidade e nas preferências dos pacientes. Existem três técnicas principais, variando em complexidade e indicação:
1. Relação Sexual Programada (RSP) ou Coito Programado
Esta é a técnica de reprodução assistida de menor complexidade. É indicada principalmente para casos leves de infertilidade feminina, especialmente quando há problemas de ovulação, como ciclos irregulares. A RSP não é recomendada quando há fatores de infertilidade masculina significativos, pois não envolve manipulação dos gametas masculinos.

- Como funciona: A mulher recebe medicação (geralmente hormônios orais ou injetáveis) para estimular o desenvolvimento de um ou dois folículos ovarianos. O crescimento dos folículos é monitorado por ultrassonografias. Quando os folículos atingem o tamanho ideal, uma injeção de hCG é administrada para induzir a ovulação. O casal é então orientado a ter relações sexuais em um período específico (o "período fértil"), que coincide com a ovulação.
- Taxa de Sucesso: As chances de sucesso ficam em torno de 15% a 20% por ciclo. A fecundação ocorre naturalmente nas tubas uterinas.
- Indicações: Disfunções ovulatórias leves, infertilidade sem causa aparente em casos selecionados.
2. Inseminação Artificial (IA) ou Inseminação Intrauterina (IIU)
A inseminação artificial é uma técnica de média complexidade, um passo além da RSP. É indicada para casais com infertilidade de causa leve a moderada, tanto feminina (como problemas leves de ovulação ou muco cervical hostil) quanto masculina (pequena redução no número, motilidade ou morfologia dos espermatozoides). Também pode ser usada em casos de infertilidade sem causa aparente.
- Como funciona: A mulher passa por estimulação ovariana controlada, similar à RSP, para desenvolver folículos. No dia da ovulação induzida, o parceiro coleta o sêmen. Este sêmen é então "preparado" em laboratório, um processo que seleciona os espermatozoides mais saudáveis e móveis e remove o líquido seminal. A amostra concentrada de espermatozoides é então depositada diretamente dentro do útero da mulher, utilizando um cateter fino e flexível. Isso encurta o caminho dos espermatozoides até as tubas uterinas, aumentando a probabilidade de encontro com o óvulo.
- Taxa de Sucesso: As taxas de gravidez variam de 15% a 25% por ciclo, dependendo da idade da mulher e da causa da infertilidade. Geralmente, são realizados até seis ciclos de IA antes de considerar a FIV.
- Indicações: Disfunção ovulatória, endometriose leve, fator cervical, fator masculino leve, infertilidade sem causa aparente.
3. Fertilização in vitro (FIV)
A FIV é a técnica de reprodução assistida de alta complexidade e a mais amplamente utilizada para tratar praticamente todos os tipos de infertilidade, tanto masculina quanto feminina, incluindo casos mais graves e aqueles que falharam em tratamentos anteriores.
- Como funciona:
- Estimulação Ovariana Controlada: A mulher recebe injeções diárias de hormônios para estimular os ovários a produzir múltiplos óvulos.
- Captação dos Óvulos (Punção Ovariana): Sob sedação leve, os óvulos são coletados dos ovários por meio de uma agulha guiada por ultrassom transvaginal.
- Coleta de Sêmen: O parceiro coleta uma amostra de sêmen no mesmo dia. Em casos de azoospermia, espermatozoides podem ser obtidos cirurgicamente dos testículos.
- Fertilização em Laboratório: Os óvulos e espermatozoides são colocados juntos em uma placa de cultura em condições controladas no laboratório, permitindo a fertilização. Uma variação comum é a ICSI (Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide), onde um único espermatozoide é injetado diretamente em cada óvulo, especialmente útil em casos de fator masculino grave.
- Cultivo Embrionário: Os embriões resultantes são cultivados em laboratório por 3 a 5 dias, permitindo que se desenvolvam até o estágio de clivagem ou blastocisto.
- Transferência Embrionária: Um ou mais embriões de melhor qualidade são selecionados e transferidos para o útero da mulher usando um cateter fino, guiado por ultrassom.
- Teste de Gravidez: Cerca de 9 a 12 dias após a transferência, um teste de gravidez é realizado.
- Taxa de Sucesso: As taxas de sucesso da FIV são significativamente mais altas do que as de RSP e IA, variando de 30% a 50% ou mais por ciclo, dependendo principalmente da idade da mulher e da qualidade dos óvulos e embriões.
- Indicações: Obstrução tubária bilateral, fator masculino grave, endometriose moderada a grave, falha em ciclos de IA, idade avançada da mulher, infertilidade sem causa aparente, e condições genéticas (com PGT-A).
Outras Técnicas Avançadas
Dentro do universo da FIV, existem sub-técnicas e complementos que ampliam as possibilidades:
- ICSI (Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide): Já mencionada, é quase universalmente utilizada na FIV hoje em dia, especialmente para superar problemas de fator masculino ou quando há poucos óvulos.
- Ovodoação: Utilização de óvulos de uma doadora para mulheres com baixa reserva ovariana, óvulos de má qualidade ou falência ovariana precoce.
- Banco de Sêmen: Utilização de sêmen de doador em casos de azoospermia masculina irreversível ou para mulheres solteiras e casais homoafetivos femininos.
- Vitrificação de Gametas e Embriões: Técnica de congelamento ultrarrápido que permite preservar óvulos, espermatozoides ou embriões para uso futuro, útil para planejamento familiar tardio, preservação da fertilidade antes de tratamentos oncológicos ou para ciclos de FIV subsequentes.
- Diagnóstico Pré-Implantacional (PGT-A/PGT-M): Análise genética dos embriões antes da transferência para o útero, para identificar anomalias cromossômicas (PGT-A) ou doenças genéticas específicas (PGT-M), aumentando as chances de uma gravidez saudável e reduzindo o risco de aborto.
Infertilidade x Esterilidade: Qual a Diferença?
Embora frequentemente usados como sinônimos no dia a dia, os termos "infertilidade" e "esterilidade" possuem significados distintos no contexto médico da reprodução, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Compreender essa diferença é crucial para o diagnóstico e as expectativas de tratamento.
- Infertilidade: Como já abordado, a infertilidade é a dificuldade em conceber ou manter uma gravidez após um período definido de tentativas sem proteção. Ela implica em uma diminuição das chances de gravidez. Um casal infértil ainda tem a capacidade de produzir gametas (óvulos e espermatozoides) e, com a ajuda de tratamentos de reprodução assistida, há uma grande possibilidade de alcançar a gravidez. A infertilidade é, portanto, uma condição que pode ser superada.
- Esterilidade: Por outro lado, a esterilidade refere-se à impossibilidade absoluta de produzir gametas viáveis ou de gerar filhos. Um indivíduo estéril não possui óvulos ou espermatozoides funcionais, ou tem uma condição que impede permanentemente a concepção. Exemplos incluem a ausência congênita de ovários ou testículos, falência ovariana precoce sem produção de óvulos, ou azoospermia secretora grave e irreversível. Nesses casos, a gravidez biológica do casal não é possível, e as opções podem envolver o uso de doação de gametas (óvulos ou sêmen) ou adoção.
Em resumo, um casal infértil pode engravidar com ajuda médica, enquanto um casal estéril, na maioria dos casos, não pode ter filhos biologicamente relacionados sem o uso de doação de gametas. O diagnóstico correto, feito por meio de exames e pesquisas aprofundadas, é fundamental para determinar a condição e as melhores abordagens.
A Idade e a Fertilidade: Um Fator Determinante
A idade, especialmente a feminina, é um dos fatores mais significativos e muitas vezes subestimados na jornada da fertilidade. Enquanto a infertilidade afeta homens e mulheres em proporções semelhantes, a biologia feminina impõe um relógio biológico mais rigoroso.
Mulheres nascem com um número finito de óvulos, que diminui progressivamente ao longo da vida. Além da quantidade, a qualidade dos óvulos também se deteriora com a idade, aumentando o risco de anomalias cromossômicas nos embriões e, consequentemente, as taxas de aborto espontâneo e a dificuldade para engravidar.
- 20 a 30 anos: Nesta faixa etária, a mulher tem suas maiores chances de engravidar naturalmente, com aproximadamente 20% a 30% de chance por ciclo menstrual.
- 30 a 34 anos: O percentual de chance por ciclo começa a cair, chegando a cerca de 15%.
- Após os 35 anos: A queda na fertilidade torna-se mais acentuada. Aos 35 anos, o índice de infertilidade é de aproximadamente 11%, e aos 40 anos, pode chegar a 33%. A chance mensal de engravidar naturalmente cai para cerca de 10% e continua diminuindo drasticamente.
É uma realidade que, atualmente, muitas mulheres optam por adiar a maternidade para focar na carreira e na estabilidade financeira, o que geralmente acontece após os 30 anos. Essa tendência, embora compreensível, colide com o declínio natural da fertilidade. Para casais que planejam ter filhos mais tarde, é essencial estar ciente desses desafios e, se necessário, considerar a preservação da fertilidade (como o congelamento de óvulos) ou buscar ajuda médica mais cedo.
Para os homens, o declínio da fertilidade com a idade é menos drástico, mas também existe. A qualidade do sêmen pode diminuir com o envelhecimento, com possíveis alterações na motilidade e morfologia dos espermatozoides, além de um aumento no risco de mutações genéticas.
Importância do Estilo de Vida e Quando Buscar Ajuda
Embora um estilo de vida saudável e visitas regulares ao ginecologista ou urologista não garantam a ausência de problemas de fertilidade, eles podem certamente minimizar fatores de risco e otimizar a saúde reprodutiva. Manter um peso saudável, ter uma dieta equilibrada, praticar exercícios físicos regularmente, evitar o tabagismo, o consumo excessivo de álcool e o uso de drogas ilícitas, e gerenciar o estresse são atitudes que contribuem positivamente para a fertilidade de ambos os parceiros.
É fundamental que os casais saibam quando é o momento certo para procurar ajuda especializada. A recomendação geral é buscar um médico especialista em reprodução humana se a gravidez não for alcançada após 12 meses de relações sexuais frequentes e sem proteção. Se a mulher tiver mais de 35 anos de idade, essa janela de espera é reduzida para seis meses. Não hesite em procurar orientação médica antes, se houver histórico de condições que possam afetar a fertilidade, como ciclos menstruais muito irregulares, doenças sexualmente transmissíveis, endometriose, cirurgias abdominais ou pélvicas, ou qualquer preocupação sobre a saúde reprodutiva.
Lembre-se: a infertilidade é uma condição médica que pode ser tratada. O diálogo aberto com seu parceiro e a busca por profissionais qualificados são os primeiros e mais importantes passos para realizar o sonho de ter um filho.
Tabela Comparativa das Principais Técnicas de Reprodução Assistida
| Técnica | Complexidade | Indicações Principais | Como Funciona (Resumo) | Taxa de Sucesso por Ciclo (Estimativa) |
|---|---|---|---|---|
| Relação Sexual Programada (RSP) / Coito Programado | Baixa | Disfunções ovulatórias leves, infertilidade sem causa aparente (ISCA) em casos selecionados. Não indicada para fator masculino. | Estimulação ovariana leve, monitoramento folicular, indução da ovulação e orientação para relações sexuais no período fértil. Fecundação natural. | 15-20% |
| Inseminação Artificial (IA) / Inseminação Intrauterina (IIU) | Média | Fator cervical, fator masculino leve, disfunção ovulatória leve a moderada, ISCA. | Estimulação ovariana, preparo do sêmen em laboratório e depósito dos espermatozoides diretamente no útero da mulher. Fecundação natural. | 15-25% |
| Fertilização in vitro (FIV) | Alta | Obstrução tubária, fator masculino grave, endometriose moderada/grave, falha de outros tratamentos, idade avançada, ISCA, casos genéticos. | Estimulação ovariana intensa, punção ovariana para coleta de óvulos, fertilização em laboratório (com ou sem ICSI), cultivo e transferência dos embriões para o útero. | 30-50%+ (varia com a idade da mulher) |
Perguntas Frequentes sobre Infertilidade
- 1. A infertilidade é apenas um problema feminino?
- Não. A infertilidade afeta homens e mulheres em proporções semelhantes. Cerca de 30% dos casos são devido a fatores femininos, 30% a fatores masculinos, 30% a problemas em ambos os parceiros e 10% são de causa inexplicada. É fundamental que ambos os membros do casal sejam avaliados.
- 2. O que é a Infertilidade Sem Causa Aparente (ISCA)?
- ISCA é o diagnóstico dado quando, após uma investigação completa de ambos os parceiros, não é encontrada uma causa médica clara para a dificuldade de engravidar. Apesar de não haver uma causa identificável, casais com ISCA ainda podem se beneficiar das técnicas de reprodução assistida, especialmente a Fertilização in vitro (FIV).
- 3. A idade afeta a fertilidade masculina da mesma forma que a feminina?
- Não da mesma forma. Embora a fertilidade masculina também possa diminuir com a idade, a queda é geralmente mais gradual e menos acentuada do que na mulher. A mulher nasce com um número limitado de óvulos que diminui e perde qualidade com o tempo, enquanto o homem continua a produzir espermatozoides ao longo da vida, embora a qualidade possa ser afetada.
- 4. Quanto tempo devo tentar engravidar antes de procurar um especialista?
- A recomendação geral é procurar um especialista em reprodução após 12 meses de tentativas de concepção sem sucesso, mantendo relações sexuais frequentes e sem proteção. Se a mulher tiver mais de 35 anos, esse período é reduzido para 6 meses, devido ao declínio natural da fertilidade com a idade.
- 5. O estresse pode causar infertilidade?
- Embora o estresse por si só não seja a causa direta da infertilidade na maioria dos casos, ele pode influenciar negativamente a saúde reprodutiva. O estresse crônico pode afetar os hormônios que regulam a ovulação na mulher e a produção de espermatozoides no homem, além de impactar o bem-estar geral e a libido. Gerenciar o estresse é uma parte importante do processo de tratamento da infertilidade.
Se você quiser conhecer outros artigos parecidos com Infertilidade: Primária ou Secundária? Entenda, pode visitar a categoria Saúde.
