Como ajudar um doente com esquizofrenia?

Esquizofrenia: Medicamentos e Suporte Essencial

31/10/2023

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A esquizofrenia é um transtorno mental complexo que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, caracterizado por alterações na percepção, pensamento, emoções e comportamento. O tratamento eficaz é multifacetado, mas a medicação desempenha um papel central no controle dos sintomas e na melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Compreender os diferentes tipos de medicamentos antipsicóticos, seus mecanismos de ação e a importância do suporte ao paciente e à família é fundamental para um manejo adequado da condição.

Para que serve a cariprazina?
Reagila é indicado para o tratamento de esquizofrenia em doentes adultos. A dose inicial recomendada de cariprazina é de 1,5 mg uma vez por dia. Depois, a dose pode ser aumentada de forma lenta em incrementos de 1,5 mg até uma dose máxima de 6 mg/dia, se necessário.
Índice de Conteúdo

A Base do Tratamento: Medicamentos Antipsicóticos

Os medicamentos antipsicóticos são a pedra angular no tratamento da esquizofrenia e de outras condições psicóticas. Eles atuam diretamente no sistema nervoso central (SNC), ajudando a modular neurotransmissores como a dopamina, que estão desregulados na esquizofrenia. Esses fármacos são capazes de reduzir alucinações, delírios e pensamentos desorganizados, os chamados sintomas positivos, e em alguns casos, também aliviar sintomas negativos e melhorar o desempenho cognitivo.

Historicamente, os antipsicóticos são divididos em duas classes principais, que evoluíram significativamente ao longo das décadas:

  • Antipsicóticos de Primeira Geração (Convencionais ou Típicos): São os medicamentos mais antigos, desenvolvidos a partir da década de 1950.
  • Antipsicóticos de Segunda Geração (Atípicos): Surgiram no final dos anos 1980 e são atualmente os mais prescritos, buscando um perfil de efeitos colaterais mais favorável.

A escolha do medicamento depende de uma avaliação médica individual, considerando a resposta do paciente, o perfil de efeitos colaterais e outras condições de saúde. É crucial que o tratamento seja acompanhado por um profissional de saúde qualificado.

Antipsicóticos de Primeira Geração (Típicos): Fundamentos e Desafios

Os antipsicóticos típicos, também conhecidos como neurolépticos, agem principalmente bloqueando os receptores de dopamina no cérebro. Essa ação é eficaz na redução dos sintomas psicóticos, mas pode estar associada a uma série de efeitos colaterais motores, semelhantes aos sintomas da doença de Parkinson.

Medicamentos Típicos Comuns:

Haloperidol (Haldol®)

O Haloperidol é um antipsicótico de primeira geração amplamente utilizado devido à sua eficácia. É um sedativo de curto prazo e é indicado para diversas condições.

  • Indicações: Esquizofrenia, agitação, delírio e síndrome de Tourette.
  • Formas Farmacêuticas: Comprimidos (1 mg, 5 mg), injetáveis (5 mg/mL) e gotas (2 mg/mL).
  • Posologia:
    • Adultos: Geralmente 1 a 15 mg/dia, via oral.
    • Crianças (a partir de 3 anos): Início com 0,25 a 0,5 mg/dia, 2 a 3 vezes ao dia, com aumentos graduais. Dose máxima de 0,15 mg/kg/dia.
  • Efeitos Colaterais Comuns: Sonolência, boca seca, vertigem.
  • Contraindicações: Pacientes em coma, depressão do SNC (causada por álcool ou drogas), doença de Parkinson, demência com corpos de Lewy, paralisia supranuclear.
  • Complicações Sérias (Raras): Prolongamento do intervalo QT, torsades de pointes, íleo paralítico, agranulocitose, síndrome neuroléptica maligna, convulsão, discinesia tardia, priapismo.

Clorpromazina (Torazina®, Amplictil®)

A Clorpromazina foi um dos primeiros antipsicóticos a serem descobertos e revolucionou o tratamento de doenças psiquiátricas. É uma fenotiazina com múltiplas aplicações.

  • Indicações: Esquizofrenia, transtorno bipolar esquizoafetivo, ansiedade severa e como anti-náusea.
  • Formas Farmacêuticas: Injetável (25 a 100 mg), gotas (40 mg/mL).
  • Posologia:
    • Adultos: Início com 25 a 100 mg, intramuscular, com aumentos até o controle dos sintomas.
    • Idosos: Doses mais baixas (metade ou um terço da dose de adultos).
    • Crianças: Maiores de 2 anos: 0,5 - 1 mg/kg/dose, intramuscular, 3 ou 4 vezes ao dia (máximo 40 mg/dia para menores de 5 anos, 75 mg/dia para 5-12 anos).
  • Efeitos Colaterais Comuns: Sonolência, boca seca, visão turva, constipação, ideação suicida (em predispostos). Em idosos, alta incidência de efeitos extrapiramidais (cerca de 50%), hipotensão e discinesia tardia (40%).
  • Complicações Sérias: Agranulocitose, síndrome de icterícia, distúrbios hematopoiéticos, lúpus eritematoso sistêmico (induzido por droga), diminuição dos leucócitos, ereção involuntária, convulsões, problemas circulatórios.

Flufenazina (Flufenan®)

A Flufenazina é outro antipsicótico típico utilizado no manejo de transtornos mentais e do humor.

  • Indicações: Esquizofrenia, transtorno bipolar esquizoafetivo, síndrome de Tourette.
  • Forma Farmacêutica: Comprimidos (5 mg).
  • Posologia:
    • Adultos e adolescentes: 2,5 a 10 mg/dia, dividindo as doses entre 6 a 8 horas, com aumentos graduais. Dose de manutenção oral de 0,1 a 0,5 mg/dia. Limite usual para adultos de até 20 mg/dia.
    • Pacientes debilitados: Início com 0,1 mg/dia.
  • Efeitos Colaterais Comuns: Sonolência, vertigem, boca seca, visão turva, ganho de peso.
  • Efeitos Menos Comuns: Alterações na pressão arterial, constipação, ansiedade. Pode aumentar a sensibilidade da pele ao sol.
  • Contraindicações: Discrasia sanguínea, depressão da medula óssea, doenças hepáticas.

Antipsicóticos de Segunda Geração (Atípicos): Inovação e Menos Efeitos Colaterais Motores

Os antipsicóticos de segunda geração, ou atípicos, foram desenvolvidos com o objetivo de oferecer um perfil de efeitos colaterais mais favorável, especialmente em relação aos sintomas motores. Embora sua eficácia em comparação com os típicos seja debatida, eles são amplamente preferidos atualmente, representando cerca de 95% das prescrições nos Estados Unidos. Eles podem aliviar sintomas positivos, sintomas negativos (como falta de emoções) e comprometimento cognitivo.

Medicamentos Atípicos Comuns:

Clozapina (Leponex®)

A Clozapina é o primeiro antipsicótico atípico e é notavelmente eficaz em pacientes que não respondem a outros tratamentos, inclusive podendo diminuir a ideação suicida. No entanto, seu uso é restrito devido a efeitos colaterais sérios que exigem monitoramento rigoroso.

O que é um medicamento psicótico?
O que são os medicamentos antipsicóticos? Os antipsicóticos, também denominados neurolépticos, são medicamentos caracterizados pela ação psicotrópica (por atuarem no cérebro, modificando a maneira de o paciente sentir, pensar e/ou de agir), além de terem efeitos psicomotores e sedativos.
  • Indicações: Esquizofrenia resistente ao tratamento, transtornos psicóticos em pacientes com doença de Parkinson (quando outros tratamentos não são eficazes).
  • Forma Farmacêutica: Comprimidos (25 mg).
  • Posologia:
    • Esquizofrenia resistente: Início com 12,5 mg, 1 ou 2 vezes ao dia no primeiro dia, aumentando gradualmente. Dose máxima de 900 mg/dia.
    • Psicose em Parkinson: Início com 12,5 mg à noite, aumentando 12,5 mg por vez (máximo 2 aumentos/semana, não excedendo 50 mg). Dose máxima de 100 mg/dia.
  • Efeitos Colaterais Comuns (>10%): Taquicardia, hipotensão/hipertensão, sonolência, sedação, tontura, insônia, vertigem, sialorreia (saliva em excesso), ganho de peso, constipação, náusea, vômitos, dispepsia, febre.
  • Efeitos Colaterais Graves: Agranulocitose (diminuição grave dos glóbulos brancos), miocardite aguda (inflamação cardíaca). Devido ao risco de agranulocitose, exige exames semanais de contagem de glóbulos brancos nos primeiros seis meses.
  • Contraindicações: Histórico de granulocitopenia/agranulocitose (exceto por quimioterapia), hepatopatia ativa, hepatopatia progressiva, insuficiência hepática, transtornos renais ou cardíacos graves (ex: miocardite), psicoses alcoólicas/tóxicas, intoxicação por drogas, colapso circulatório, depressão do SNC, transtornos hematopoiéticos, epilepsia não controlada, íleo paralítico.

Ziprasidona (Geodon®)

A Ziprasidona é um antipsicótico atípico que pode ser eficaz no tratamento de transtornos psicóticos e de humor, com a vantagem de poder oferecer boas respostas para o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).

  • Indicações: Esquizofrenia, episódios maníacos ou mistos de transtorno bipolar esquizoafetivo e esquizofreniforme, estados de agitação psicótica e mania bipolar aguda, TEPT.
  • Forma Farmacêutica: Comprimidos (5 mg).
  • Posologia: Início com 40 mg duas vezes ao dia, sempre com alimentos. Pode ser aumentada até 80 mg divididos em duas tomadas/dia. Não estudada em idosos acima de 65 anos.
  • Efeitos Colaterais: Vertigem, arritmia cardíaca, hipotensão postural.
  • Contraindicações: Problemas cardíacos (prolongamento do intervalo QT conhecido, infarto recente, insuficiência cardíaca descontrolada, arritmias cardíacas em tratamento com antiarrítmicos classes IA e III).

Paliperidona (Invega®)

A Paliperidona é um medicamento versátil usado no tratamento da esquizofrenia e outros transtornos psiquiátricos, podendo também induzir o sono em alguns casos.

  • Indicações: Esquizofrenia (monoterapia ou combinada), outros transtornos psiquiátricos (para induzir o sono, com acompanhamento).
  • Formas Farmacêuticas: Comprimidos (3, 6, 9 mg), injetável (200 mg/mL).
  • Posologia:
    • Adultos (Esquizofrenia e Transtorno Esquizoafetivo): 6 mg, uma vez ao dia, pela manhã. Pode variar de 3 a 12 mg/dia, com aumentos de 3 mg/dia a cada 5 dias.
    • Adolescentes (Esquizofrenia, 12-17 anos): 3 mg, uma vez ao dia, pela manhã. Pode ser aumentada para 6 a 12 mg/dia.
  • Efeitos Colaterais: Sedação, inquietação, aumento de peso.

Risperidona (Risperdal®)

A Risperidona é um antipsicótico atípico amplamente utilizado, conhecido por sua eficácia em diversas condições psiquiátricas.

  • Indicações: Esquizofrenia, transtorno bipolar esquizoafetivo, irritabilidade associada ao autismo.
  • Formas Farmacêuticas: Comprimidos (1 mg, 2 mg), solução injetável (1 mg/mL).
  • Posologia (Adultos):
    • Esquizofrenia: Início 2 mg via oral, 1 ou 2 vezes. Dose usual 4 a 6 mg via oral, 1 ou 2 vezes. Máximo 10 mg/dia.
    • Fase maníaca do Transtorno Bipolar: Início 2 a 3 mg via oral, 1 vez ao dia. Dose usual 2 a 6 mg via oral, 1 vez ao dia.
    • Agitação, agressividade ou sintomas psicóticos em demência tipo Alzheimer: Início 0,25 mg via oral, 2 vezes ao dia. Dose usual 0,5 mg/dia via oral, 2 vezes ao dia. Máximo 1 mg/dia.
  • Efeitos Colaterais: Embora menos sedativa que outros atípicos, pode ter mais efeitos colaterais motores.

Quetiapina (Seroquel®)

A Quetiapina é um antipsicótico atípico com forte efeito sedativo, o que a torna útil também no tratamento da insônia.

  • Indicações: Esquizofrenia, transtorno bipolar esquizoafetivo, outros transtornos de humor, insônia.
  • Formas Farmacêuticas: Comprimidos (25 mg, 100 mg).
  • Posologia (Adultos):
    • Transtorno Bipolar: Início 100 mg (dia 1), 200 mg (dia 2), 300 mg (dia 3), 400 mg (dia 4). Manutenção 200 a 800 mg/dia.
    • Esquizofrenia: Início 50 mg (dia 1), 100 mg (dia 2), 200 mg (dia 3), 300 mg (dia 4). Manutenção 300 a 450 mg/dia.
  • Posologia (Crianças e Adolescentes):
    • Transtorno Bipolar (10-17 anos): Início 50 mg (dia 1), 100 mg (dia 2), 200 mg (dia 3), 300 mg (dia 4), 400 mg (dia 5). Manutenção 400 a 600 mg/dia.
    • Esquizofrenia (13-17 anos): Início 50 mg (dia 1), 100 mg (dia 2), 200 mg (dia 3), 300 mg (dia 4), 400 mg (dia 5). Manutenção 400 a 800 mg/dia.
  • Efeitos Colaterais: Menor incidência de efeitos colaterais motores, mas pode gerar aumento de peso e hipotensão postural.
  • Contraindicações: Gestantes/lactantes, problemas hepáticos ou cardíacos, retenção urinária, problemas de visão (catarata, glaucoma).

Olanzapina (Zyprexa®)

A Olanzapina é um antipsicótico atípico eficaz, mas que exige atenção para seu perfil metabólico de efeitos colaterais.

  • Indicações: Esquizofrenia, transtorno bipolar esquizoafetivo.
  • Forma Farmacêutica: Comprimidos (5 mg).
  • Posologia:
    • Transtorno Bipolar I (episódios agudos mistos ou maníacos): Início 10 a 15 mg/dia, 1 vez ao dia. Manutenção 5 a 20 mg/dia. Máximo 20 mg/dia.
    • Esquizofrenia: Início 5 a 10 mg/dia, 1 vez ao dia. Manutenção 10 a 20 mg/dia. Máximo 20 mg/dia.
  • Efeitos Colaterais: Ganho de peso significativo, elevação dos níveis de açúcar no sangue (risco de resistência à insulina e diabetes), elevação de colesterol e triglicerídeos. Menor taxa de efeitos motores. Outros comuns (>10%): Dor de cabeça, sono, insônia, agitação, nervosismo, tontura, tremores, reação extrapiramidal, cansaço extremo, fraqueza, hipotensão ortostática, falta de ar, prisão de ventre, aumento de apetite, boca seca, acatisia.

Aripiprazol (Aristab®)

O Aripiprazol é um antipsicótico atípico com um mecanismo de ação diferente de muitos outros, sendo um agonista parcial da dopamina.

  • Indicações: Esquizofrenia, transtorno bipolar esquizoafetivo, tratamento adjuvante no transtorno depressivo maior (TDM).
  • Formas Farmacêuticas: Comprimidos (10 mg, 15 mg).
  • Posologia:
    • Esquizofrenia: 10 mg ou 15 mg/dia, independente das refeições. Não aumentar a dose antes de duas semanas.
    • Transtorno Bipolar: 15 mg uma vez ao dia (isolado ou com lítio/valproato de sódio). Pode aumentar para 30 mg/dia. Segurança de doses maiores que 30 mg/dia não avaliada.
  • Efeitos Colaterais: Dores de cabeça, aumento de peso, agitação, insônia, náusea, ansiedade, constipação, vertigem. Reações alérgicas como anafilaxia, coceira, urticária.
  • Contraindicações: Hipersensibilidade à substância (risco de choque anafilático).

Cariprazina (Reagila®)

A Cariprazina é um antipsicótico atípico mais recente, indicado especificamente para a esquizofrenia em adultos.

  • Indicações: Tratamento da esquizofrenia em doentes adultos.
  • Posologia: Dose inicial recomendada de 1,5 mg uma vez ao dia. Pode ser aumentada lentamente em incrementos de 1,5 mg até uma dose máxima de 6 mg/dia, se necessário.

Formulações Injetáveis de Ação Prolongada

Para muitos pacientes, a adesão ao tratamento oral diário pode ser um desafio. Nesses casos, algumas opções de antipsicóticos convencionais e de segunda geração estão disponíveis na forma de preparados injetáveis de ação prolongada. Essas injeções precisam ser administradas apenas uma vez a cada um ou dois meses, o que representa um grande benefício para a rotina de muitos indivíduos e garante uma medicação mais consistente.

O Papel Crucial do Suporte Familiar e dos Cuidadores

Além da medicação, o suporte da família e dos cuidadores é um "ingrediente" importantíssimo para o tratamento e a recuperação da pessoa que sofre de esquizofrenia. A convivência diária com um paciente esquizofrênico apresenta desafios significativos, mas com conhecimento e empatia, é possível construir um ambiente de apoio que faça uma grande diferença na vida do indivíduo.

Quais são os medicamentos para o tratamento da esquizofrenia?
Esses medicamentos incluem a tioridazina, o haloperidol, a olanzapina, a risperidona e a ziprasidona.

Conhecer e Aceitar a Doença

O primeiro passo para um suporte eficaz é aprofundar o conhecimento sobre a esquizofrenia. Compreender que a doença é um desequilíbrio em circuitos cerebrais, e que o paciente não tem controle sobre algumas de suas reações e comportamentos, ajuda a derrubar tabus e preconceitos. Compartilhar esse conhecimento com outros membros da família e amigos próximos cria uma rede de apoio mais consciente e unida.

É fundamental aceitar a doença e suas dificuldades, sendo realista em relação às expectativas. O paciente com esquizofrenia possui seu próprio modo de pensar, sentir e se comportar socialmente, que difere de um indivíduo saudável. Tentar se colocar no lugar do paciente, com suas particularidades, auxilia a encontrar a melhor forma de agir e se comunicar, evitando estresse e desgastes na relação.

Posturas para Auxiliar o Paciente

Para ajudar um parente com esquizofrenia, algumas atitudes são essenciais:

  • Aceitação Realista: Aceite a doença e suas dificuldades, mantendo expectativas realistas sobre o que o paciente e você podem alcançar.
  • Senso de Humor e Leveza: Procure manter um senso de humor e faça o melhor para ajudar seu parente a se sentir bem e aproveitar a vida.
  • Atenção às Necessidades: Preste a mesma atenção às suas próprias necessidades e mantenha a esperança no processo de recuperação.

O Que Evitar na Interação

Algumas atitudes podem prejudicar a relação e o bem-estar do paciente. É importante evitá-las:

  • Tom de Voz Agressivo ou Severo: Isso pode afastar ainda mais o ente querido.
  • Críticas e Repreensões: Criticar, recriminar, repreender ou debochar pode desencadear um estado de estresse e piorar os sintomas.
  • Superproteção: Assumir todas as atividades e tarefas do paciente poda sua autonomia e capacidade, levando à desistência de ter iniciativa.
  • Desorganização e Falta de Rotina: A falta de estrutura prejudica a compreensão do paciente, impactando negativamente a convivência e a qualidade de vida.
  • Falta de Atenção e Elogios: Deixar de dar atenção e não elogiar as iniciativas positivas reduzem os laços afetivos e o incentivo.
  • Negligenciar o Próprio Bem-Estar: Dedicar-se 100% ao paciente, esquecendo-se de si, pode prejudicar a saúde mental do cuidador, levando a estresse, noites mal dormidas e menor disposição.

Buscar apoio, seja de outros familiares para revezamento nos cuidados, seja de profissionais como psicólogos, é fundamental. Participar de grupos de apoio também pode trazer alívio e a percepção de que não se está sozinho nessa jornada.

Perguntas Frequentes sobre o Tratamento da Esquizofrenia

Qual a diferença entre antipsicóticos de primeira e segunda geração?

Os antipsicóticos de primeira geração (típicos) são mais antigos e atuam principalmente bloqueando os receptores de dopamina, sendo eficazes para sintomas positivos, mas com maior risco de efeitos colaterais motores. Os de segunda geração (atípicos) são mais recentes, têm um mecanismo de ação mais complexo (afetando também outros neurotransmissores) e são percebidos como tendo um perfil de efeitos colaterais motores menos impactante, além de potencialmente aliviar sintomas negativos e cognitivos.

A Clozapina é segura para todos os pacientes com esquizofrenia?

Não. A Clozapina é um medicamento altamente eficaz, especialmente para casos de esquizofrenia resistente a outros tratamentos. No entanto, ela possui efeitos colaterais sérios, como a agranulocitose (uma diminuição perigosa dos glóbulos brancos) e miocardite. Por isso, seu uso é restrito a pacientes que não respondem a outros antipsicóticos e requer monitoramento sanguíneo semanal rigoroso, especialmente nos primeiros meses de tratamento.

Os antipsicóticos curam a esquizofrenia?

Não. Os medicamentos antipsicóticos não curam a esquizofrenia, mas são extremamente eficazes no controle dos seus sintomas. Eles ajudam a reduzir alucinações, delírios, pensamento desorganizado e, em alguns casos, melhoram o humor e a cognição, permitindo que o paciente tenha uma vida mais funcional e com melhor qualidade. O tratamento é geralmente de longo prazo e contínuo.

Como a família pode ajudar um paciente com esquizofrenia a aderir ao tratamento?

A família pode ajudar de várias formas: educando-se sobre a doença, criando um ambiente de apoio e compreensão, incentivando a tomada regular da medicação (lembrando, mas não forçando), acompanhando o paciente às consultas médicas e estando atenta a quaisquer efeitos colaterais ou mudanças de comportamento. Evitar críticas e manter uma rotina estruturada também são cruciais para a adesão e o bem-estar do paciente.

Existem opções de tratamento para pacientes que têm dificuldade em tomar medicamentos diariamente?

Sim. Para pacientes que podem ter dificuldade em aderir à medicação oral diária, existem formulações de antipsicóticos injetáveis de ação prolongada. Esses preparados precisam ser administrados apenas uma vez a cada um ou dois meses, o que facilita a adesão ao tratamento e assegura que o paciente receba a medicação de forma consistente.

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