O que são serviços partilhados?

Serviços Partilhados: Revolução na Gestão da Saúde

06/03/2022

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Num mundo empresarial cada vez mais competitivo e focado na otimização de recursos, o conceito de Serviços Partilhados emerge como uma estratégia fundamental para organizações de todos os setores, incluindo o complexo e vital campo da saúde. Este modelo, adotado por uma impressionante percentagem de 80% das empresas da Fortune 500, demonstra a sua eficácia comprovada na busca por eficiência operacional e redução de custos.

O que é SPMS em Portugal?
1 - A SPMS - Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, E. P. E., adiante abreviadamente designada por SPMS, E. P. E., é uma pessoa colectiva de direito público de natureza empresarial dotada de personalidade jurídica, autonomia administrativa, financeira e patrimonial, nos termos do disposto no regime jurídico do ...

Mas, afinal, o que são exatamente os Serviços Partilhados e como se aplicam ao contexto das farmácias e da medicina? Essencialmente, trata-se de um conceito onde as empresas centralizam funções organizacionais específicas e transversais – que são comuns a várias ou a todas as entidades de um dado setor – em centros especializados. Frequentemente, estas são funções corporativas de apoio, como contabilidade, recursos humanos, gestão financeira, tecnologias de informação (TI), serviços jurídicos, compras, e formação, entre outras.

Índice de Conteúdo

A Essência dos Serviços Partilhados

A ideia central por trás dos Serviços Partilhados é a consolidação de atividades de suporte que, de outra forma, seriam replicadas em diferentes departamentos ou unidades de negócio. Ao invés de cada hospital, clínica ou, até mesmo, cada farmácia gerir autonomamente a sua contabilidade, os seus recursos humanos ou a sua infraestrutura de TI, estas funções são agrupadas e geridas por um único centro de serviços. Este centro, operando muitas vezes na modalidade de outsourcing interno ou externo, especializa-se nessas atividades, aplicando as melhores práticas e tecnologias para as executar de forma mais eficaz e económica.

A principal motivação para a adoção deste modelo é a diminuição dos custos fixos associados a estas atividades. No entanto, os benefícios estendem-se muito além da mera poupança financeira, tocando em aspetos cruciais como a melhoria da qualidade e a capacidade de resposta face às dinâmicas do mercado.

Benefícios da Implementação de Serviços Partilhados na Saúde

A aplicação de Serviços Partilhados no setor da saúde, que engloba hospitais, clínicas, centros de investigação e, claro, farmácias e a indústria de medicina, traz uma série de vantagens transformadoras:

  • Aumento da Eficiência Operacional: A especialização e a centralização permitem a padronização de processos, a automação de tarefas repetitivas e a aplicação de metodologias mais eficazes, resultando numa execução mais rápida e precisa das funções de apoio.
  • Redução Significativa de Custos: Ao consolidar funções, eliminam-se redundâncias, otimizam-se os recursos humanos e tecnológicos, e ganha-se poder de negociação com fornecedores (por exemplo, na compra de equipamentos ou medicamentos em grande escala), o que se traduz numa substancial diminuição dos custos administrativos e operacionais.
  • Melhoria da Qualidade e Consistência: Os centros de serviços partilhados estabelecem padrões de qualidade uniformes e rigorosos. Ao invés de ter vários fornecedores com diferentes níveis de qualidade e procedimentos, um centro único garante um elevado padrão de serviço em todas as entidades que serve. Esta harmonização de processos é crucial para a qualidade e segurança no setor da saúde.
  • Capacidade de Resposta Aprimorada: Com processos otimizados e equipas dedicadas, os centros de serviços partilhados podem responder mais rapidamente às necessidades das entidades que apoiam, sejam elas requisições de pessoal, gestão de faturas de medicamentos ou suporte técnico para sistemas de farmácia.
  • Foco no Negócio Principal: Ao delegar as funções de back-office, as organizações de saúde podem concentrar os seus recursos e a sua atenção no que realmente importa: a prestação de cuidados de saúde, a investigação e o desenvolvimento de novas medicinas, e o atendimento ao paciente na farmácia.
  • Alocação Estratégica de Recursos: A libertação de recursos (humanos e financeiros) das tarefas administrativas permite que sejam realocados para funções mais estratégicas e de maior valor acrescentado, como a inovação em tratamentos ou a expansão de serviços essenciais.

Centros de Excelência: Pilares da Otimização

No coração do modelo de Serviços Partilhados estão os Centros de Excelência. Estes centros são mais do que meros escritórios que executam tarefas; são polos de conhecimento e de melhores práticas. Ao centralizarem as tarefas operacionais, permitem que o conhecimento seja facilmente disseminado e que as metodologias mais eficazes sejam aplicadas de forma consistente em todas as operações. Isto é particularmente relevante em áreas como a gestão da cadeia de abastecimento de medicamentos, onde a otimização e a precisão são cruciais para garantir a disponibilidade e a segurança dos fármacos.

A sua função vai além da execução; eles são responsáveis por identificar e implementar melhorias contínuas, garantindo que os processos de apoio evoluem em linha com as necessidades do setor e com as inovações tecnológicas.

SPMS: O Exemplo Português nos Serviços Partilhados da Saúde

Em Portugal, um dos exemplos mais proeminentes de Serviços Partilhados no setor da saúde é a SPMS – Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, E. P. E. A SPMS é uma pessoa coletiva de direito público de natureza empresarial, dotada de autonomia administrativa, financeira e patrimonial. A sua criação e operação visam precisamente a centralização e a gestão de funções de suporte vitais para todo o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

A SPMS desempenha um papel fundamental na modernização e na eficiência do sistema de saúde português. As suas responsabilidades abrangem áreas críticas como a gestão de compras centralizadas de bens e serviços (incluindo medicamentos e dispositivos médicos para hospitais e centros de saúde), a gestão de sistemas de informação e comunicação (TIC) para toda a rede de saúde, a gestão financeira e de recursos humanos transversais, e o desenvolvimento de soluções inovadoras para o setor.

Impacto da SPMS nas Farmácias e na Medicina

Embora as farmácias comunitárias operem em grande parte como entidades privadas, a sua interconexão com o SNS e com o sistema de saúde em geral é inegável. A atuação da SPMS tem um impacto indireto, mas significativo, no funcionamento e na eficiência das farmácias e na disponibilidade de medicinas:

  • Cadeia de Abastecimento: A gestão centralizada de compras da SPMS para hospitais e centros de saúde influencia o mercado de medicamentos e dispositivos médicos, podendo impactar os preços e a disponibilidade de produtos que também são transacionados pelas farmácias.
  • Sistemas de Informação: A SPMS é responsável pelo desenvolvimento e manutenção de sistemas de informação cruciais para o SNS, como a prescrição eletrónica ou o registo de saúde eletrónico. Estes sistemas interagem diretamente com os sistemas das farmácias, garantindo a segurança, a rastreabilidade e a eficiência na dispensa de medicamentos.
  • Padronização e Qualidade: Ao promover a padronização de processos e a aplicação de melhores práticas em todo o SNS, a SPMS contribui para um ambiente de saúde mais coerente e de maior qualidade, beneficiando indiretamente também as farmácias que se integram neste ecossistema.

Desafios e o Futuro dos Serviços Partilhados

Apesar dos inegáveis benefícios, a implementação de Serviços Partilhados não é isenta de desafios. Estes podem incluir a resistência à mudança por parte dos colaboradores, a complexidade inicial de transição de processos, a necessidade de investimentos significativos em tecnologia e a garantia de que a qualidade dos serviços não é comprometida durante a centralização.

No entanto, o futuro aponta para uma expansão e aprofundamento deste modelo. Com o avanço da inteligência artificial, da automação de processos robóticos (RPA) e da análise de big data, os Centros de Serviços Partilhados tendem a tornar-se ainda mais sofisticados, oferecendo capacidades preditivas e consultivas que vão além da mera execução operacional. Esta inovação contínua promete levar a eficiência e a qualidade a novos patamares no setor da saúde.

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. Serviços Partilhados são o mesmo que Outsourcing?

Não são exatamente o mesmo, embora haja sobreposição. Outsourcing refere-se à contratação de um fornecedor externo para realizar uma função ou serviço que anteriormente era executado internamente. Os Serviços Partilhados podem ser implementados como um modelo de outsourcing (quando se contrata uma empresa externa para gerir o centro de serviços) ou como um modelo interno (quando a própria organização cria um centro de serviços partilhados que serve as suas diversas unidades). A principal diferença é que os Serviços Partilhados focam-se na consolidação de funções transversais e na criação de um centro especializado, enquanto o outsourcing é mais genérico e pode envolver a delegação de qualquer função a terceiros.

2. Como os Serviços Partilhados beneficiam o paciente na prática?

Indiretamente, mas de forma significativa. Ao tornar as operações de saúde mais eficientes e com menores custos, os Serviços Partilhados permitem que mais recursos sejam direcionados para o atendimento direto ao paciente, para a compra de equipamentos médicos avançados, para a investigação de novas medicinas e para a melhoria da infraestrutura. Isto pode traduzir-se em tempos de espera reduzidos, acesso a tratamentos mais modernos, maior disponibilidade de medicamentos e uma experiência global de cuidados de saúde aprimorada.

3. Qual o papel da SPMS para as farmácias comunitárias em Portugal?

O papel da SPMS para as farmácias comunitárias é principalmente de apoio indireto através da gestão de infraestruturas e sistemas partilhados com o SNS. A SPMS gere sistemas de informação que interligam hospitais, centros de saúde e farmácias (como a prescrição eletrónica), garante a segurança e a padronização de dados, e contribui para a eficiência da cadeia de abastecimento de medicamentos no sistema público, o que pode influenciar o mercado e a logística que também servem as farmácias. Embora não seja um serviço direto para as farmácias privadas, a sua atuação cria um ecossistema de saúde mais robusto e eficiente do qual as farmácias fazem parte integrante.

4. Qualquer empresa pode implementar Serviços Partilhados?

Sim, o conceito de Serviços Partilhados é aplicável a empresas de qualquer dimensão e setor, desde que possuam funções de apoio que possam ser centralizadas e padronizadas. No entanto, a complexidade e o investimento necessários para a implementação podem variar significativamente dependendo da escala da organização e da natureza das funções a serem partilhadas.

Conclusão

Os Serviços Partilhados representam uma evolução estratégica na gestão empresarial, com um potencial transformador particularmente evidente no setor da saúde. Ao centralizar e otimizar funções de apoio, entidades como a SPMS em Portugal demonstram como é possível alcançar uma maior eficiência, reduzir custos e elevar a qualidade dos serviços, permitindo que as organizações se concentrem na sua missão principal: cuidar da saúde e do bem-estar dos cidadãos. É um modelo que não só redefine a gestão interna, mas que também contribui para um futuro mais sustentável e eficaz na prestação de cuidados de saúde e no acesso à medicina.

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