Qual foi o país que colonizou a Coreia do Norte?

Coreia do Norte: Desvendando o Reino Ermitão

25/08/2023

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A Coreia do Norte, oficialmente conhecida como República Popular Democrática da Coreia, é um enigma para grande parte do mundo. Frequentemente descrita como o país mais isolado e misterioso do planeta, desperta uma curiosidade imensa em viajantes e estudiosos. Mas será que é realmente possível visitar este lugar tão hermético? Como funciona o turismo em um país onde cada passo é monitorado e a informação é estritamente controlada? Este artigo mergulha nas particularidades de uma viagem à Coreia do Norte, desvendando desde os requisitos para entrada até os detalhes de sua capital e sua economia.

Qual foi o país que colonizou a Coreia do Norte?
A língua oficial é o coreano. A história da Coreia do Norte data da Segunda Guerra Mundial, quando o Japão, que dominou a península da Coreia, a entregou aos Aliados. O país foi dividido em duas regiões, ficando a região norte sob o domínio da União Soviética e a região sul sob o domínio dos EUA.
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A Capital Secreta: Pyongyang e Seus Mistérios

No coração da Coreia do Norte pulsa sua capital, Pyongyang, uma cidade que se ergue com grandiosas avenidas, monumentos imponentes e edifícios de arquitetura soviética que parecem ter parado no tempo. É em Pyongyang que a maioria das visitas turísticas se concentra, oferecendo um vislumbre cuidadosamente curado da vida no país. Contudo, mesmo na capital, há lugares que guardam segredos e que se tornaram notórios por incidentes trágicos.

O Hotel Yanggakdo e o Andar Proibido

Um dos locais mais emblemáticos para turistas em Pyongyang é o Hotel Yanggakdo International. Situado em uma ilha no meio do rio Taedong, este hotel de 47 andares é um dos edifícios mais altos da Coreia do Norte, ostentando quatro restaurantes, uma pista de boliche e salas de massagem. Embora classificado como cinco estrelas pelo turismo norte-coreano, muitos viajantes o descrevem com um padrão mais próximo de três estrelas, com televisões que repetem incessantemente notícias antigas da BBC World News.

No entanto, a verdadeira intriga do Yanggakdo reside no seu quinto andar. Famosamente, os elevadores do hotel pulam diretamente do quarto para o sexto andar, sem qualquer botão para o quinto. Esse mistério tem alimentado inúmeras teorias e atraído a curiosidade de viajantes aventureiros. O estudante de medicina americano Calvin Sun relatou em seu blog uma experiência de exploração desse andar em 2011, muito antes de sua notoriedade ganhar as manchetes globais.

Calvin e seu grupo, impulsionados pela curiosidade e pela falta de um aviso explícito de proibição na época, acessaram o quinto andar pelas escadas. O que encontraram foi surpreendente: um corredor com teto notavelmente baixo, diferente dos demais andares, e paredes cobertas com pinturas vibrantes de propaganda anti-americana e anti-japonesa. Algumas das mensagens eram diretas e agressivas, como “Esta bomba é produto dos americanos. Cada produto dos americanos é nosso inimigo. Nos vinguemos mil vezes dos americanos.” Havia também um quarto com equipamentos de vigilância, sugerindo que o andar era usado para monitorar os hóspedes. A experiência, embora na época parecesse uma aventura inocente, ganhou um tom sombrio anos depois.

O que exporta a Coreia do Norte?
Abastecida majoritariamente pela China, seu principal parceiro político e comercial, a Coréia do Norte exporta majoritariamente carvão, um ou outro produto químico, moluscos e têxteis.

A história do quinto andar do Yanggakdo se entrelaça tragicamente com a do estudante universitário americano Otto Warmbier. Em 2015, Warmbier, viajando com a mesma operadora turística de Calvin Sun, foi detido pelas autoridades norte-coreanas sob a acusação de tentar roubar um cartaz de propaganda de seu hotel. Embora nunca confirmado pelo governo, acredita-se amplamente que o incidente tenha ocorrido no misterioso quinto andar. Warmbier foi submetido a um julgamento e a uma confissão forçada na TV, sendo condenado a 15 anos de trabalhos forçados. Ele sofreu ferimentos graves durante o encarceramento, entrou em coma e faleceu em junho de 2017, pouco depois de ser repatriado aos EUA.

A morte de Otto Warmbier teve um impacto profundo no turismo para a Coreia do Norte. Várias operadoras de turismo, incluindo a Young Pioneer Tours, declararam que não mais escoltariam cidadãos americanos ao país e revisaram suas políticas para turistas ocidentais, adicionando avisos explícitos sobre a proibição de acesso ao quinto andar do Yanggakdo. A tragédia de Warmbier serve como um lembrete sombrio dos riscos e das consequências imprevisíveis que podem surgir ao desrespeitar as regras em um país tão singular.

Como Visitar o País Mais Fechado do Mundo

Visitar a Coreia do Norte não é uma viagem comum. O país é conhecido por ser o mais fechado do mundo, e a pandemia de COVID-19 tornou-o ainda mais inacessível, com a entrada de turistas suspensa até mesmo para aliados. No entanto, no final de 2024, o turismo foi sendo gradualmente retomado. O processo para entrar na Coreia do Norte é altamente regulado e exige conformidade rigorosa com as diretrizes do governo.

O Processo de Visto e a Agência Credenciada

O primeiro e mais crucial passo para quem sonha em conhecer a Coreia do Norte é contratar uma agência de turismo autorizada pelo governo de Kim Jong-Un. Geralmente, essas agências são sediadas na China, país aliado. Empresas como KTG (que atende turistas brasileiros), Koryo Tours e Young Pioneer Tours são algumas das mais conhecidas e aprovadas para organizar viagens de estrangeiros. É fundamental que o viajante tenha um passaporte válido por pelo menos seis meses após a data prevista de retorno. A agência será responsável por enviar o formulário de visto e, na chegada ao país, o turista receberá um 'Tourist Card' que será retido na saída, pois carimbos no passaporte não são permitidos.

Pacotes de Viagem e Acompanhamento Constante

As viagens à Coreia do Norte são quase sempre realizadas em grupos organizados, com roteiros fixos e pré-aprovados pelas autoridades. Não é permitido que um turista entre ou planeje sua viagem por conta própria, nem que ande sozinho pelo país. A agência de turismo oferece pacotes que incluem transporte, guias e os 'city tours' que devem ser escolhidos previamente. Durante toda a estadia, o viajante terá guias locais ao seu lado 100% do tempo, e os passeios são estritamente limitados aos locais aprovados pelas autoridades norte-coreanas. O blogueiro e professor de história Leonardo Lopes, que compartilhou suas experiências, recomenda visitar o país em datas festivas para testemunhar as impressionantes apresentações militarizadas e sincronizadas.

Qual é a capital do país secreto da Coreia do Norte?
A Coreia do Norte não fazia parte do plano inicial. Nem o quinto andar secreto do Yanggakdo, em Pyongyang.

Regras de Conduta e Peculiaridades da Chegada

As agências de turismo também são responsáveis por instruir os viajantes sobre as regras e comportamentos que devem ser rigorosamente seguidos. Isso inclui demonstrar respeito absoluto pela ideologia política e pelo regime, abster-se de fazer comentários críticos sobre o governo e sempre pedir permissão antes de fotografar. O acesso à internet é extremamente limitado, e redes sociais populares como WhatsApp são inacessíveis. Ao chegar ao Aeroporto Internacional de Pyongyang, geralmente por meio de voos diretos de Pequim, na China, os viajantes devem estar cientes de que as autoridades podem confiscar materiais considerados inadequados, como livros de literatura, especialmente aqueles com temas políticos ou religiosos. É aconselhável deixar tais itens antes de embarcar. Outra peculiaridade importante é a moeda: apenas euros são aceitos para transações, e dólares americanos são proibidos.

O Que FazerO Que Não Fazer
Contratar agência de turismo credenciada.Viajar por conta própria ou sem guia.
Respeitar a ideologia política e o regime.Fazer comentários críticos sobre o governo.
Pedir permissão antes de fotografar.Fotografar locais ou pessoas sem autorização.
Levar euros para despesas.Levar dólares americanos.
Chegar via voos de Beijing, China.Entrar com livros ou materiais políticos/religiosos.
Seguir o roteiro fixo e os guias.Tentar explorar o país sozinho ou visitar locais não aprovados.

O Que a Coreia do Norte Exporta

A economia da Coreia do Norte é altamente centralizada e controlada pelo Estado, com um foco significativo na autossuficiência (Juche). No entanto, o país ainda depende do comércio exterior, principalmente com a China, seu principal parceiro político e comercial. As exportações norte-coreanas são bastante limitadas e consistem majoritariamente em recursos naturais e produtos de baixo valor agregado. Os principais itens exportados incluem carvão mineral, alguns produtos químicos, moluscos e têxteis. A capacidade de exportação do país é frequentemente impactada por sanções internacionais impostas devido ao seu programa de armas nucleares e mísseis.

Desmistificando a Colonização

É importante esclarecer uma confusão comum que pode surgir de informações desencontradas. A Coreia do Norte, como parte da península coreana, não foi colonizada pela Índia. A península coreana, historicamente, passou por um período de ocupação e colonização pelo Japão, que durou de 1910 a 1945. Após a Segunda Guerra Mundial, a Coreia foi dividida em duas zonas de ocupação pelos Aliados – o norte sob influência soviética e o sul sob influência americana – que eventualmente deram origem à Coreia do Norte e à Coreia do Sul, respectivamente. A informação sobre a Índia ser um país do Sul da Ásia que faz fronteira com o Paquistão e a China, embora geograficamente correta para a Índia, é completamente irrelevante para a história da Coreia do Norte e não deve ser associada à sua colonização.

Perguntas Frequentes (FAQ)

P: A Coreia do Norte é segura para turistas?
R: Sim, de modo geral, é considerada segura para turistas, desde que todas as regras e diretrizes estabelecidas pelos guias e autoridades sejam rigorosamente seguidas. No entanto, qualquer desvio das regras pode levar a consequências graves, como demonstrado pelo caso de Otto Warmbier.

P: Posso usar meu celular e ter acesso à internet na Coreia do Norte?
R: O acesso à internet é extremamente limitado para turistas e a maioria das redes sociais e aplicativos de comunicação ocidentais, como o WhatsApp, não são acessíveis. Celulares podem ser levados, mas funcionalidades são restritas e cartões SIM locais com acesso limitado podem ser adquiridos em alguns casos.

Como ir à Coreia do Norte?
A entrada oficial para a Coreia do Norte é através do Aeroporto Internacional de Pyongyang, a capital do país. Você pode chegar lá por meio de voos diretos de Beijing, na China, ou de outros pontos internacionais.

P: Que moeda devo levar para a Coreia do Norte?
R: A moeda oficial para turistas é o euro. Dólares americanos são proibidos. Recomenda-se levar notas de euro em bom estado, pois muitas vezes notas antigas ou danificadas não são aceitas.

P: Posso viajar sozinho pela Coreia do Norte?
R: Não, viagens individuais para turistas estrangeiros não são permitidas. Todas as visitas devem ser organizadas através de agências de turismo credenciadas pelo governo e os turistas são sempre acompanhados por guias locais.

P: O que devo evitar fazer ou levar para a Coreia do Norte?
R: Evite fazer comentários críticos sobre o governo, tirar fotos sem permissão, desviar-se do grupo ou dos guias, e visitar áreas não autorizadas (como o 5º andar do Hotel Yanggakdo). Não leve livros, revistas ou materiais com conteúdo político, religioso ou que possa ser considerado impróprio ou subversivo pelas autoridades.

A Coreia do Norte continua sendo um destino que desafia as convenções do turismo global. Uma viagem a este país é, antes de tudo, uma experiência de imersão em uma cultura e um sistema político únicos, onde a curiosidade deve ser sempre temperada com respeito e adesão estrita às regras. Para aqueles que buscam uma aventura verdadeiramente diferente e estão dispostos a aceitar as condições impostas, a Coreia do Norte oferece um vislumbre de um mundo à parte, um reino ermitão que lentamente, e sob suas próprias condições, começa a se abrir ao olhar estrangeiro.

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