Quanto recebe um militar em Portugal?

Salários Militares em Portugal: Guia Completo

16/07/2023

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A questão da remuneração nas Forças Armadas portuguesas é um tema de constante debate e de grande relevância, não apenas para quem considera uma carreira militar, mas para a sociedade em geral. A 5 de abril de 2024, dois majores-generais, Isidro de Morais Pereira e Agostinho Costa, vieram a público desmistificar e lançar luz sobre o que realmente recebem os soldados que juraram proteger Portugal. Longe de ser uma questão simples, os salários militares são um complexo conjunto de fatores que influenciam a atratividade da profissão e a capacidade do país de manter um corpo de defesa robusto e motivado.

Quanto tempo dura o serviço militar em Portugal?
O tempo normal de serviço efectivo abrange os períodos de instrução e nas fileiras e tem a duração de dois anos, salvo se outra for fixada por lei especial para qualquer ramo das forças armadas ou para certas categorias do seu pessoal.

A estrutura salarial dos militares em Portugal é regida por uma tabela remuneratória que está intrinsecamente ligada à da Função Pública. A esta base salarial acresce um componente fundamental conhecido como Suplemento de Condição Militar (SCM). Como seria de esperar, a lógica subjacente é que, quanto maior a patente e a responsabilidade, maior será a remuneração. No entanto, esta premissa simples levanta questões mais profundas: será que os salários atuais são suficientes para atrair e reter talentos? E qual seria a remuneração de alguém convocado num eventual regresso do Serviço Militar Obrigatório (SMO) ou numa mobilização de emergência?

Índice de Conteúdo

A Estrutura Remuneratória Militar em Portugal

A remuneração dos militares portugueses é composta por duas parcelas principais: a base remuneratória, que segue os escalões da Função Pública, e o Suplemento de Condição Militar (SCM). Este suplemento visa compensar as especificidades da vida militar, como a disponibilidade permanente, o risco e a disciplina. É um elemento crucial que diferencia o salário de um militar de um civil na Função Pública, reconhecendo as exigências únicas da profissão.

O major-general Isidro de Morais Pereira é categórico na sua avaliação: “Paga-se muito mal aos militares e tem de se pagar mais.” Esta afirmação reflete uma preocupação generalizada com a capacidade das Forças Armadas de competir por talentos no mercado de trabalho. O especialista questiona a atratividade da carreira quando um jovem de uma região mais interior, como Bragança ou Vila Real, é convidado a vir para um local de aquartelamento, como Santa Margarida, para receber um salário que se assemelha ao de um trabalhador numa caixa registadora. A realidade, segundo ele, é que “neste momento, os jovens militares ganham quase o salário mínimo”, o que levanta sérias dúvidas sobre a dignidade e o reconhecimento da profissão.

Salários Brutos dos Militares em 2024: Os Números

De acordo com os dados da Associação de Praças, o salário bruto dos militares em 2024 (antes da dedução de impostos) apresenta uma vasta gama de valores, refletindo a hierarquia e os diferentes escalões dentro das Forças Armadas. O mínimo registado é de 821,83€, correspondente ao de um soldado recruta, sendo este o único escalão sem a adição do Suplemento de Condição Militar (SCM). No extremo oposto, o valor máximo atinge os 6.558,53€, uma remuneração que já inclui um SCM de 1.176,42€, e que pertence a cargos de topo como o Chefe do Estado-Maior do Exército, almirantes e generais.

Para uma compreensão mais detalhada, podemos segmentar as remunerações pelas diferentes categorias de militares:

  • Praças: Existem 20 escalões distintos para os praças, com remunerações que variam entre 821,83€ e 2.015,82€. Esta categoria abrange desde o soldado recruta até ao Cabo-Mor.
  • Sargentos: A categoria dos sargentos conta com 19 escalões, onde a remuneração mais baixa é de 1.253,68€ e a mais alta alcança os 2.593,73€. Aqui estão incluídos desde o Segundo-Sargento até ao Sargento-Mor.
  • Oficiais: Para os oficiais, as variações salariais são as mais amplas, oscilando entre 30 escalões. Os valores começam em 1.321,07€ e podem chegar ao já mencionado máximo de 6.558,53€.

Tabelas Remuneratórias Detalhadas (Valores Brutos em 2024)

A seguir, apresentamos as tabelas remuneratórias conforme os dados fornecidos pela Associação de Praças, que ilustram a base salarial (R/BASE), o Suplemento de Condição Militar (SCM) e o total bruto (TOTAL) para cada posto e escalão.

PRAÇAS

POSTOPRNÍVELR/BASESCMTOTAL
CMOR1201.596,52 €419,30 €2.015,82 €
2211.649,15 €429,83 €2.078,98 €
CAB / CAB . SEC1141.280,72 €356,14 €1.636,86 €
2151.333,35 €366,67 €1.700,02 €
3161.385,99 €377,20 €1.763,19 €
4171.438,62 €387,72 €1.826,34 €
5181.491,25 €398,25 €1.889,50 €
6191.543,88 €408,78 €1.952.66 €
1MAR / CAB . ADJ191.017,56 €303,51 €1.321,07 €
2101.070,19 €314,04 €1.384,23 €
3111.122,84 €324,57 €1.447,41 €
4121.175,46 €335,09 €1.510,55 €
5131.228,09 €345,62 €1.573,71 €
6141.280,72 €356,14 €1.636,86 €
2MAR / 1CAB17922,47 €284,49 €1.206,96 €
28961,40 €292,28 €1.253,68 €
1GRT / 2CAB16869,84 €273,97 €1.143,81 €
2GRT / SOLD15821,83 €264,37 €1.086,20 €
26869,84 €273,97 €1.143,81 €
GRT REC / SOLD REC15821,83 €821,83 €

SARGENTOS

POSTOPRNÍVELR/BASESCMTOTAL
SMOR1292.078,11 €515,62 €2.593,73 €
2322.240,74 €548,15 €2.788,89 €
SCH1261.915,46 €483,09 €2.398,55 €
2271.969,68 €493,94 €2.463,62 €
3282.023,89 €504,78 €2.528,67 €
SAJ1221.701,78 €440,36 €2.142,14 €
2231.754,41 €450,88 €2.205,29 €
3241.807,04 €461,41 €2.268,45 €
4251.861,25 €472,25 €2.333,50 €
1SAR1181.491,25 €398,25 €1.889,50 €
2191.543,88 €408,78 €1.952,66 €
3201.596,52 €419,30 €2.015,82 €
4211.649,15 €429,83 €2.078,98 €
2SAR1161.385,99 €377,20 €1.763,19 €
2171.438,62 €387,72 €1.826,34 €
SSAR / FUR191.017,56 €303,51 €1.321,07 €
2101.070,19 €314,04 €

1.384,23 €
3111.122,84 €324,57 €1.447,41 €
2SSAR / 2FUR18961,40 €292,28 €1.253,68 €

OFICIAIS

Para a categoria dos oficiais, a informação fornecida indica que as remunerações variam entre 30 escalões, com valores que oscilam entre 1.321,07€ e 6.558,53€. Embora não tenhamos uma tabela detalhada por cada posto e escalão como para praças e sargentos, é evidente a amplitude salarial que reflete a vasta hierarquia e as responsabilidades crescentes dentro da carreira de oficial.

A Questão do Salário Mínimo e o Desafio da Atração de Jovens

A preocupação com a remuneração dos militares não é apenas uma questão de números, mas de estratégia nacional. Quando Isidro de Morais Pereira afirma que os jovens militares ganham “quase o salário mínimo”, ele destaca um problema grave de atratividade. Num mercado de trabalho cada vez mais competitivo, onde as opções para os jovens são diversas, a carreira militar precisa de oferecer condições que a tornem uma escolha vocacional e financeiramente viável. A desvantagem salarial pode afastar potenciais talentos, comprometendo a capacidade de recrutamento e, consequentemente, a operacionalidade e a prontidão das Forças Armadas.

O major-general defende que é imperativo “tornar as Forças Armadas suficientemente atrativas”. Isso não passa apenas por salários mais elevados, mas também por “boas instalações, equipamentos de qualidade”, que, em conjunto com uma boa remuneração, poderiam motivar muitos jovens a alistarem-se. A dignificação da profissão, que vai além do aspeto financeiro, é igualmente crucial. A perceção pública e o reconhecimento da importância do papel dos militares são fatores que contribuem para a decisão de um jovem em seguir esta carreira.

“O problema número um, neste momento, é monetário. Se pagássemos mais, tínhamos mais voluntários. O grande problema é fundamentalmente o dinheiro e a falta de dignificação.” Esta declaração de Isidro de Morais Pereira sintetiza a urgência da situação. A Europa, num cenário geopolítico complexo, está a “acordar de um verdadeiro pesadelo” e necessita de um complexo militar capaz, o que implica a capacidade de mobilizar e remunerar adequadamente os seus cidadãos.

Tipos de Profissionais nas Forças Armadas Portuguesas

Para além das patentes e escalões, é importante compreender os diferentes tipos de profissionais que compõem as Forças Armadas portuguesas. O major-general Agostinho Costa detalha estas categorias:

  1. Militares Profissionais: São os oficiais e sargentos que pertencem aos quadros permanentes das Forças Armadas. Estes indivíduos têm uma carreira estabelecida e contínua na vida militar.
  2. Militares do Serviço Militar Obrigatório (SMO): Estes são os conscritos, ou seja, cidadãos alistados sem um contrato formal de longo prazo. Após o período de obrigatoriedade, geralmente abandonam a vida militar. Embora o SMO não esteja em vigor atualmente em Portugal, a discussão sobre o seu eventual regresso ou mobilização de emergência é relevante.
  3. Voluntários: São cidadãos que se alistam por livre vontade e estabelecem um contrato a termo com as Forças Armadas. No final desse período contratual, podem optar por passar para os quadros permanentes ou abandonar a vida militar.
  4. Mercenários: Embora não sejam uma categoria oficial das Forças Armadas portuguesas, Agostinho Costa menciona-os para contextualizar outros modelos. Exemplo disso é o Grupo Wagner, que são descritos como “puros profissionais” e uma “estrutura paralela às forças tradicionais, quase privada”.

Remuneração no Serviço Militar Obrigatório (SMO) e Mobilização de Emergência

A questão da remuneração em cenários de SMO ou mobilização de emergência é particularmente interessante. Agostinho Costa explica que, em outros países e antigamente em Portugal, no SMO, “os recrutas recebem um pré-salário e não um salário”. Esta abordagem é comparável aos estágios em empresas, onde o indivíduo recebe uma compensação enquanto está em formação ou em período de teste. No final desse período, a instituição militar decide se deseja integrar o recruta nos seus quadros, altura em que o salário completo começaria a ser pago.

No caso de uma mobilização de emergência, o cenário é distinto. Os cidadãos convocados para o serviço militar ativo em situações de crise recebem uma compensação monetária semelhante àquela concedida aos voluntários. Agostinho Costa sublinha que isso é essencial, pois, apesar de serem convocados, os cidadãos “continuam a ter obrigações económicas”, e a compensação garante que possam cumprir essas obrigações enquanto servem o país.

Subsidios e Compensações Adicionais

A remuneração dos militares pode ser complementada por diversos subsídios, pagos consoante a situação específica. Agostinho Costa esclarece que, independentemente da forma como ingressaram nas Forças Armadas, “quem for destacado para uma zona de combate recebe uma compensação extraordinária. Esta compensação não se aplica a quem permanece na retaguarda ou em zonas logísticas de apoio, sublinhando o reconhecimento do risco acrescido associado ao combate direto.

Quanto recebe um militar em Portugal?
O salário de um militar em Portugal varia bastante, dependendo do posto, tempo de serviço e área de atuação. Os valores podem variar desde cerca de 821€ brutos para um soldado recruta até mais de 6.500€ para oficiais generais. Remuneração por posto/categoria: Praças: Soldado Recruta: 821,83€ brutos.  2º Cabo / Soldado: 1.143,81€ brutos (1 ano de serviço).  1º Cabo / Soldado: 1.206,96€ brutos (3 anos de serviço).  Cabo-Adjunto / Soldado: 1.321,07€ brutos (2 anos de serviço). Oficiais: Os salários de oficiais podem variar significativamente com a progressão na carreira, podendo ultrapassar os 6.000€ brutos. Oficiais Generais: Os postos mais elevados na estrutura das Forças Armadas, como os de almirante ou general, podem receber salários que refletem a importância da sua função. Outros Militares: Existem outras categorias, como técnicos superiores navais, com remunerações específicas, que podem incluir abonos. Informações adicionais:

Um aspeto de extrema importância é o apoio às famílias. O major-general lembra que, em todos os casos, “as famílias receberão ainda uma compensação em caso de morte” do militar. Isidro de Morais Pereira reforça esta ideia, afirmando que “o país tem a obrigação de olhar pelos familiares dos militares”. Este apoio financeiro é uma forma de salvaguardar o bem-estar das famílias que dependem do militar, em face do risco inerente à profissão.

Adicionalmente, em missões internacionais, como as da ONU, os militares podem beneficiar de acréscimos remuneratórios e de isenção de impostos sobre esses rendimentos durante o período da missão. Contudo, é importante notar que durante o treino e a preparação para essas missões, a tributação normal mantém-se.

Duração do Serviço Militar em Portugal

Para aqueles que ponderam uma carreira nas Forças Armadas, a duração do serviço é uma informação crucial. O tempo normal de serviço efetivo em Portugal abrange os períodos de instrução e de permanência nas fileiras, e tem a duração de dois anos. Esta duração pode, contudo, ser alterada por lei especial para qualquer ramo das Forças Armadas ou para categorias específicas do seu pessoal, adaptando-se às necessidades e especificidades de cada área.

Perguntas Frequentes sobre a Remuneração Militar em Portugal

Quanto ganha um Soldado Recruta em Portugal?

Um Soldado Recruta em Portugal, de acordo com os dados de 2024 da Associação de Praças, recebe um salário bruto de 821,83€. Este é o único escalão que não inclui o Suplemento de Condição Militar (SCM) na sua remuneração base.

Qual a remuneração máxima nas Forças Armadas Portuguesas?

A remuneração máxima nas Forças Armadas Portuguesas, em 2024, atinge os 6.558,53€ brutos. Este valor é atribuído a cargos de topo, como o Chefe do Estado-Maior do Exército, almirantes e generais, e já inclui o Suplemento de Condição Militar (SCM).

O que é o Suplemento de Condição Militar (SCM)?

O Suplemento de Condição Militar (SCM) é um valor adicional que acresce à base remuneratória dos militares em Portugal. Ele tem como objetivo compensar as condições especiais da vida militar, como a disponibilidade permanente, o risco inerente à profissão, a sujeição a um regime de disciplina específico e outras particularidades da carreira.

O salário dos militares é competitivo com outras profissões em Portugal?

De acordo com os majores-generais Isidro de Morais Pereira e Agostinho Costa, o salário dos militares em Portugal é considerado baixo, especialmente para os jovens, que podem receber valores próximos do salário mínimo nacional. Esta situação é apontada como um fator que dificulta a atração e retenção de jovens talentos para as Forças Armadas, em comparação com outras opções no mercado de trabalho.

Como funciona a remuneração em caso de Serviço Militar Obrigatório (SMO) ou mobilização de emergência?

No caso de um eventual regresso do Serviço Militar Obrigatório, os recrutas poderiam receber um 'pré-salário', semelhante a um estágio, sem um contrato formal de longo prazo. Em caso de mobilização de emergência, os cidadãos convocados recebem uma compensação monetária semelhante àquela que os militares voluntários com contrato a termo recebem, garantindo que possam cumprir as suas obrigações económicas.

Existem subsídios adicionais para militares em missões?

Sim, militares destacados para zonas de combate recebem uma compensação extraordinária. Além disso, em missões internacionais, como as da ONU, podem beneficiar de acréscimos remuneratórios e de isenção de impostos sobre esses rendimentos durante o período da missão, embora o imposto se mantenha durante o treino e a preparação.

Quanto tempo dura o serviço militar em Portugal?

O tempo normal de serviço efetivo nas Forças Armadas portuguesas, que inclui os períodos de instrução e nas fileiras, tem a duração de dois anos. Contudo, esta duração pode ser alterada por lei específica para determinados ramos ou categorias de pessoal.

Conclusão

A remuneração dos militares em Portugal é um espelho das complexidades e desafios que as Forças Armadas enfrentam na atualidade. Embora existam tabelas claras que definem os salários brutos para cada patente e escalão, a análise dos especialistas militares aponta para uma realidade onde os valores praticados podem ser um entrave à atração de jovens talentos. A necessidade de tornar a carreira militar mais atrativa e de assegurar a dignificação da profissão é um consenso entre os intervenientes. Investir em salários mais competitivos, em melhores instalações e equipamentos não é apenas uma questão de justiça para com quem serve o país, mas uma estratégia essencial para garantir a capacidade de defesa e segurança de Portugal num cenário global em constante mutação. O futuro das Forças Armadas depende intrinsecamente do reconhecimento e valorização dos seus homens e mulheres, começando pela sua remuneração.

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