11/10/2022
À medida que a população portuguesa envelhece, a questão do apoio e cuidado na terceira idade torna-se cada vez mais premente. Com uma projeção de que mais de um terço dos residentes em Portugal em 2050 serão seniores, a necessidade de estruturas habitacionais adequadas, como as residências sénior, é inegável. Este cenário não só realça um desafio social significativo, mas também abre portas para um mercado em expansão, atraindo o interesse de investidores nacionais e internacionais. Mas, afinal, quanto custa em média uma casa de repouso em Portugal e quais as opções disponíveis para garantir um envelhecimento digno e com qualidade?
O envelhecimento demográfico em Portugal é um fenómeno notável. Atualmente, o país ocupa o terceiro lugar na Europa em termos de percentagem de população idosa (mais de 65 anos), e as projeções indicam que até 2050 será o primeiro. Esta mudança demográfica acarreta um aumento substancial no índice de dependência, que deverá quase duplicar nos próximos 30 anos, atingindo 63 idosos por cada 100 pessoas em idade ativa. Embora Portugal seja um dos países com maior esperança média de vida na Europa, é também onde o número médio de anos de vida sénior saudável é menor, sublinhando a urgência de respostas adequadas e acessíveis no setor dos cuidados de saúde e residências para idosos.
- O Mercado das Residências Sénior em Portugal: Uma Oportunidade e um Desafio
- Quanto Custa uma Residência Sénior Privada?
- Estratégias para Financiar a Velhice
- O Panorama da Oferta: ERPIs e RNCCI
- Como Aceder a Lares Comparticipados pela Segurança Social?
- A Importância de Escolher um Lar Certificado e Qualificado
O Mercado das Residências Sénior em Portugal: Uma Oportunidade e um Desafio
O setor das residências sénior em Portugal está em plena efervescência, impulsionado pela crescente procura e pela carência de oferta. O estudo ‘Building a healthier and more thriving future’ da consultora imobiliária CBRE revela que serão necessárias mais 55 mil camas em residências seniores até 2050 para responder às necessidades de uma população envelhecida que deverá atingir os 3,3 milhões de pessoas. Este défice, que já se situa em cerca de 4.500 camas atualmente (face à recomendação da Organização Mundial de Saúde de 5% de camas para a população idosa), torna o mercado português particularmente atrativo para operadores e investidores.
Apesar do potencial de investimento, o elevado preço das residências seniores tem sido um dos principais entraves ao crescimento da oferta e à sua acessibilidade para a maioria da população portuguesa. Os custos operacionais, que incluem um acompanhamento 24 horas e serviços médicos especializados, são elevados e refletem-se nas mensalidades. No entanto, a população está cada vez mais consciente desta realidade e começa a criar complementos à reforma, procurando soluções para garantir o seu bem-estar na velhice.
Quanto Custa uma Residência Sénior Privada?
Os custos de uma estadia numa residência sénior privada em Portugal são variáveis e dependem de múltiplos fatores. O grau de dependência do residente, a necessidade de cuidados médicos específicos e a inclusão de serviços adicionais, como atividades de lazer, cabeleireiro ou terapias, influenciam diretamente o valor final.
Em média, o preço base de uma mensalidade numa residência privada com gestão profissionalizada ronda os 1.200 euros. Este valor é consideravelmente alto quando comparado com o rendimento médio das pensões de reforma em Portugal, que é de 5.811 euros anuais, ou seja, cerca de 484,25 euros por mês. Mesmo em Oeiras, onde o valor máximo atinge os 771,25 euros mensais, a diferença é substancial, tornando o acesso a residências privadas um desafio para muitos reformados portugueses.
Tabela Comparativa: Residências Privadas vs. Lares Comparticipados
| Característica | Residência Privada | Lar Comparticipado (Segurança Social) |
|---|---|---|
| Custo Médio Mensal | Aproximadamente 1.200€ | Comparticipado: 75% a 90% do rendimento per capita familiar |
| Fatores de Variação | Dependência, cuidados médicos, serviços adicionais (lazer, cabeleireiro) | Rendimento per capita, grau de dependência do idoso |
| Acesso | Aberto, sujeito a vagas e capacidade financeira | Restrito, para pessoas com baixos rendimentos; longas listas de espera |
| Disponibilidade de Vagas | Maior, mas ainda insuficiente face à procura | Muito escassa (85% dos idosos com reformas baixas) |
| Tipo de Financiamento | Recursos próprios, poupanças, monetização de imóveis | Apoio da Segurança Social, possível contribuição de familiares |
| Perfil do Utente | Classe média/alta, reformados estrangeiros | Baixos rendimentos, necessidade de apoio e cuidados de saúde |
Estratégias para Financiar a Velhice
Apesar dos elevados custos, a população portuguesa, especialmente a classe média, está cada vez mais consciente da necessidade de planear o futuro. Soluções particulares de poupança, como a aquisição de casa própria, têm-se revelado uma estratégia importante. Em Portugal, 75% das casas são propriedade do próprio ocupante, o que permite que o valor do imóvel seja monetizado ou rentabilizado na velhice, seja através da venda ou arrendamento, para suportar o pagamento dos cuidados necessários.
Outro fator que contribui para o aumento da oferta de residências sénior de maior qualidade e com mais serviços é a atração de reformados estrangeiros para Portugal. Fatores como a segurança, o clima ameno e os incentivos fiscais têm sido um chamariz. Estes reformados, que geralmente possuem reformas significativamente superiores às dos portugueses, impulsionam a procura por instalações de maior luxo e com uma gama mais vasta de equipamentos e serviços, o que, por sua vez, pode beneficiar a oferta global do país.
O Panorama da Oferta: ERPIs e RNCCI
Em Portugal, o alojamento para a população sénior é assegurado principalmente pelas Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI), complementadas pela Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) e algumas residências para idosos independentes.
Atualmente, existem cerca de 100.500 camas em ERPI, mas apenas 23% destas pertencem a entidades privadas com fins lucrativos. A RNCCI adiciona pouco mais de 10 mil camas, com mais de metade geridas por Misericórdias. Este panorama revela a forte dependência do setor social e solidário para a prestação de cuidados aos idosos.
Para cumprir a recomendação da Organização Mundial de Saúde de ter camas para 5% da população idosa, Portugal necessita urgentemente de criar mais 55.000 camas até 2050. Este objetivo exigirá uma maior participação do setor privado. Nos últimos anos, vários operadores estrangeiros de residências para seniores, como a Orpea, Domus Vi, Domitys e Clece, entraram no mercado português, juntando-se a operadores nacionais como a UHub, Amera e BF. A CBRE tem conhecimento de mais de 20 projetos em construção ou em fase de licenciamento, que totalizam uma capacidade superior a 1.500 camas, prevendo-se o surgimento de muitos mais dada a escassez da oferta.
Para idosos e pessoas com deficiência que necessitam de apoio e cuidados de enfermagem ou de saúde que não conseguem obter em casa, e que não auferem rendimentos suficientes para suportar as despesas de um lar particular, a Segurança Social oferece a possibilidade de comparticipação.
É importante salientar que, embora existam instituições do setor solidário (IPSS) com vagas comparticipadas ou sociais, estas são muito escassas. Cerca de 85% dos idosos em Portugal têm reformas muito baixas (inferiores a 400 euros mensais), o que significa que a procura por estas vagas é enorme, resultando em longas listas de espera.
Para encontrar instituições do setor solidário que oferecem vagas comparticipadas ou sociais, pode consultar o sítio web Carta Social. Neste portal, é possível realizar uma pesquisa detalhada por zona de residência. Basta selecionar o tipo de apoio social pretendido e o distrito. A plataforma apresentará uma lista de lares comparticipados pela Segurança Social na área escolhida, e pode refinar ainda mais os resultados por concelho e freguesia.
Ao selecionar um lar residencial, terá acesso a todas as informações necessárias para a inscrição, incluindo:
- Telefone
- Endereço eletrónico
- Morada
- Dados da instituição
- Tipo de resposta social
- Certificações
- Capacidade da instituição e número de utentes atuais
Para se inscrever numa instituição com vagas comparticipadas ou sociais, o primeiro passo é contactar diretamente o lar escolhido e manifestar o seu interesse em aguardar por uma vaga. É fundamental ter em mente que a disponibilidade imediata é rara, e é provável que precise de ficar em lista de espera.
Alternativamente, pode contactar os serviços de atendimento da Segurança Social da sua zona de residência. Se tiver alguma deficiência ou incapacidade, o Balcão da Inclusão é o ponto de contacto adequado, sendo recomendável agendar previamente o atendimento através do formulário disponível no site da Segurança Social.
As comparticipações são calculadas com base numa percentagem sobre o rendimento per capita do agregado familiar. Esta percentagem pode variar entre 75% e 90%, dependendo do grau de dependência do idoso. Se o utente não estiver a receber o complemento por dependência do 1.º grau no momento da admissão, mas já o tiver solicitado, a IPSS pode aplicar a percentagem máxima de comparticipação (90%). Caso o complemento seja negado, a percentagem será ajustada em conformidade.
É importante notar que pode haver uma comparticipação adicional por parte de descendentes e outros familiares, que será avaliada com base na capacidade económica do respetivo agregado familiar.
A Importância de Escolher um Lar Certificado e Qualificado
Independentemente de optar por uma residência privada ou um lar comparticipado, é crucial assegurar-se de que a instituição escolhida possui alvará e oferece todas as condições necessárias para acolher o idoso. Embora existam inspeções constantes neste tipo de estabelecimentos, é fundamental que o próprio interessado ou os seus familiares procurem compreender as respostas que cada instituição oferece e se estas estão em conformidade com as normas legais em vigor.
Verifique as instalações, a higiene, a qualidade da alimentação e, sobretudo, a qualificação dos profissionais. Lembre-se que este local será, muito provavelmente, o lar do idoso nos próximos anos, e a qualidade dos cuidados e do ambiente é determinante para o seu bem-estar e qualidade de vida. Escolher com critério e informação é um passo essencial para garantir um envelhecimento com dignidade e segurança.
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