O que significa transgénico?

Alimentos Transgênicos: Desvendando Mitos e Realidades

29/06/2022

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Desde a sua introdução, os alimentos transgênicos têm gerado um intenso debate global. Por um lado, são vistos como uma promessa para enfrentar desafios de segurança alimentar e sustentabilidade agrícola. Por outro, levantam questões sobre seus potenciais impactos na saúde humana e no meio ambiente. Este artigo visa desmistificar o tema, explorando o que são os organismos geneticamente modificados (OGMs), como sua segurança é avaliada e quais são os reais impactos e benefícios, baseando-se em informações científicas e regulatórias.

Que impacto tem na saúde o consumo de alimentos transgénicos?
Até hoje, não foram constatados problemas de saúde relacionados com a ingestão de alimentos derivados de plantas transgênicas nos estudos que antecederam a liberação comercial ou no consumo desses produtos.
Índice de Conteúdo

O Que São Alimentos Transgênicos?

A transgenia representa um avanço significativo no melhoramento genético, permitindo a transferência de características agronômicas desejáveis entre diferentes espécies. Em sua essência, um organismo transgênico, ou Organismo Geneticamente Modificado (OGM), é aquele que recebeu um gene de outro organismo doador. Essa modificação em seu DNA confere-lhe uma característica que não possuía anteriormente. Ao contrário das mutações naturais que ocorrem espontaneamente, a transgenia é um processo controlado em laboratório, que pode ser aplicado a microrganismos, vegetais e animais.

Os genes são os portadores das informações que definem as características intrínsecas dos organismos. Assim, ao introduzir um ou mais genes de um organismo diferente, uma planta pode adquirir novas propriedades, como resistência a pragas ou um perfil nutricional aprimorado. Por exemplo, um gene de um microrganismo pode ser transferido para uma planta para torná-la resistente a certas doenças, reduzindo a necessidade de defensivos agrícolas.

O primeiro produto alimentar geneticamente modificado foi um tomate com maior durabilidade, desenvolvido na Califórnia, Estados Unidos, há mais de duas décadas, em 1994. Desde então, o mercado de transgênicos na agricultura tem crescido exponencialmente. Atualmente, a cada 100 hectares plantados com soja globalmente, 80 utilizam sementes com genes alterados. Para o milho, essa proporção é de 30 para cada 100. Em apenas vinte anos, a área cultivada com culturas transgênicas multiplicou-se por 100, saltando de 1,7 milhões para impressionantes 175,2 milhões de hectares. Os Estados Unidos lideram essa área, seguidos de perto pelo Brasil e pela Argentina.

No contexto brasileiro, a adoção de culturas transgênicas também é expressiva. Em 2013, o país plantou 40,3 milhões de hectares com sementes de soja, milho e algodão transgênicos, um aumento de 10% em relação ao ano anterior. Hoje, a biotecnologia é amplamente utilizada em nossas lavouras: 92% da soja cultivada no Brasil é transgênica, 90% do milho e 47% do algodão também são geneticamente modificados.

Segurança e Impacto na Saúde Humana

Uma das principais preocupações em torno dos alimentos transgênicos é o seu impacto na saúde humana. No entanto, é fundamental destacar que todos os produtos derivados da biotecnologia e destinados tanto à alimentação humana quanto animal são submetidos a avaliações de biossegurança extremamente rigorosas. Até o presente momento, não foram constatados problemas de saúde relacionados à ingestão de alimentos derivados de plantas transgênicas, tanto nos estudos que precederam a liberação comercial quanto no consumo desses produtos em larga escala.

O processo de avaliação de segurança inicia-se com o critério de “equivalência substancial”. Este é um passo crucial que se baseia em análises químicas e nutricionais detalhadas. Seu objetivo é identificar semelhanças e diferenças entre os cultivos geneticamente modificados e suas contrapartes convencionais, cuja segurança já é amplamente conhecida e comprovada. Se um OGM é considerado substancialmente equivalente, isso significa que ele possui a mesma composição e valor nutricional que seu análogo convencional.

Além da equivalência substancial, a segurança alimentar dos Organismos Geneticamente Modificados (OGM) é avaliada em relação a múltiplos fatores. Estes incluem a construção genética, o processo de transformação, a proteína expressa, a potencial toxicidade, a alergenicidade, as características agronômicas, a composição geral, os efeitos do processamento (como o alimento se comporta ao ser cozido ou industrializado) e a nutrição animal. Somente após a conclusão exaustiva de todas essas análises é que um novo produto é liberado para o mercado. A conclusão consolidada é que os cultivos geneticamente modificados aprovados para uso até o momento possuem composição equivalente às variedades convencionais e são, no mínimo, tão seguros quanto elas.

É importante notar que, apesar dessa robusta base científica e regulatória, o debate público sobre a segurança dos transgênicos persiste. Embora os estudos e as agências reguladoras não tenham encontrado evidências de problemas de saúde, algumas discussões e preocupações populares associaram o surgimento de doenças como alergias, depressão, resistência a antibióticos, infertilidade e até mesmo o câncer ao consumo de alimentos transgênicos. No entanto, essas associações não são corroboradas pelos estudos de biossegurança que antecedem a liberação comercial e pelo monitoramento pós-comercialização. A rigorosa legislação brasileira, por exemplo, busca justamente mitigar quaisquer riscos potenciais.

Benefícios para a Agricultura e o Meio Ambiente

O uso de técnicas de engenharia genética não apenas visa aprimorar a produtividade, mas também oferece significativos benefícios ambientais, diminuindo a pegada ecológica da agricultura moderna. As lavouras transgênicas, além de serem consideradas seguras para o meio ambiente, proporcionam vantagens notáveis em comparação com as culturas convencionais no que tange à preservação do planeta.

Um dos principais ganhos reside na redução da necessidade de aplicação de defensivos agrícolas para combater pragas. Plantas geneticamente modificadas, que expressam resistência a insetos ou tolerância a herbicidas específicos, permitem que os agricultores utilizem menos produtos químicos. Essa diminuição no uso de defensivos agrícolas acarreta uma série de benefícios em cascata: gasta-se menos água na preparação desses agrodefensivos e menos combustível é consumido pelos tratores e máquinas envolvidas na sua aplicação. Isso se traduz em uma menor emissão de gases de efeito estufa e uma menor contaminação do solo e da água.

Que impacto tem na saúde o consumo de alimentos transgénicos?
Até hoje, não foram constatados problemas de saúde relacionados com a ingestão de alimentos derivados de plantas transgênicas nos estudos que antecederam a liberação comercial ou no consumo desses produtos.

Adicionalmente, a engenharia genética contribui para tornar algumas lavouras mais produtivas por hectare. Ao aumentar a eficiência da produção em áreas já cultivadas, reduz-se a pressão para expandir o plantio para novas terras, o que é crucial em um cenário de escassez de fronteiras agrícolas. Isso significa que podemos produzir mais alimentos, com qualidade superior e a um custo menor, sem a necessidade de desmatar novas áreas, promovendo uma agricultura mais sustentável.

A biotecnologia também abre caminhos para outros benefícios além do aumento da produtividade. Ela permite o desenvolvimento de plantas mais nutritivas ou com composições mais saudáveis. A capacidade de customizar características agronômicas e nutricionais faz dos OGMs uma poderosa ferramenta para enfrentar os desafios alimentares globais.

Desafios e Preocupações Ambientais

Apesar dos benefícios potenciais, a introdução de organismos transgênicos no meio ambiente levanta uma série de preocupações e desafios que merecem atenção. Embora a biotecnologia tenha impulsionado grandes avanços na ciência e na medicina, no campo da produção de alimentos, o debate é particularmente intenso.

Um dos riscos mais citados é a potencial disseminação de transgenes para variedades convencionais ou silvestres. Essa 'poluição genética' pode ter efeitos difíceis de estimar e, em alguns casos, irreversíveis. A inserção de uma variedade transgênica em uma comunidade de plantas ou animais pode acarretar diversas consequências indesejáveis. Dentre elas, destacam-se a eliminação de espécies por processos de seleção natural, a exposição de espécies a novos patógenos ou agentes tóxicos, a geração de 'super-plantas daninhas' ou 'super-pragas' (organismos que desenvolvem resistência aos defensivos ou às toxinas produzidas pelas plantas GM), a erosão da diversidade genética e a interrupção dos ciclos naturais de nutrientes e energia nos ecossistemas.

Alguns efeitos no meio ambiente já foram documentados. Pesquisadores da Universidade Estadual de Iowa, nos EUA, observaram que o pólen de milho transgênico pode ser letal para as borboletas Monarca, uma espécie importante para a polinização. Além disso, no México, centro de origem do milho, foram detectadas contaminações de variedades crioulas e populações silvestres de milho por transgenes, levantando sérias questões sobre a preservação da biodiversidade original.

A difusão de vegetais resistentes a pragas agrícolas, embora benéfica em termos de produtividade, pode levar à supressão e eliminação em larga escala de diversas espécies de insetos que são cruciais para o equilíbrio ecológico e para a polinização de outras culturas.

Diante dessas preocupações, o Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança da Convenção sobre Diversidade Biológica, que entrou em vigor em 2003, estabelece um acordo internacional para proteger a diversidade biológica dos riscos potenciais dos OGMs. Ele enfatiza o 'princípio da precaução', sugerindo que os países podem proibir a importação de OGMs se não houver provas científicas suficientes de sua segurança. Além disso, exige que os exportadores rotulem as remessas que contêm produtos geneticamente alterados, garantindo o direito do consumidor de saber o que está adquirindo e, assim, tomar decisões informadas de consumo, alinhadas com seu estilo de vida e consciência ecológica.

Como alternativa aos produtos transgênicos, a demanda por 'vegetais orgânicos' tem crescido nos últimos anos, com pequenos e médios produtores conquistando o mercado ao optar por sementes convencionais. Este cenário complexo, com fortes interesses econômicos e políticos envolvidos na promoção dos transgênicos, sublinha a necessidade contínua de pesquisas que gerem informações concretas e transparentes sobre os riscos e benefícios, para que a população possa fazer escolhas conscientes.

A Vanguarda da Biotecnologia na Embrapa: Inovação para o Futuro

No Brasil, a pesquisa e o desenvolvimento em biotecnologia agrícola são liderados por instituições de renome como a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). A Embrapa tem estado na vanguarda das pesquisas biotecnológicas desde a década de 80, com o objetivo primordial de fomentar uma agricultura mais produtiva e saudável. Seus esforços se concentram no desenvolvimento de variedades de plantas tolerantes ou resistentes a doenças e pragas, visando reduzir a aplicação de defensivos químicos nas culturas agrícolas.

Ao longo dos anos, as pesquisas da Embrapa evoluíram para atender não apenas às necessidades agrícolas, mas também às demandas de uma sociedade cada vez mais exigente em termos de padrões nutricionais, ambientais e de saúde. A engenharia genética, com sua capacidade de realizar a transformação genética de plantas pela transferência de genes, revelou-se uma ferramenta poderosa para acelerar o melhoramento genético.

A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, uma das 46 unidades de pesquisa da Embrapa, tem como foco principal o desenvolvimento de plantas resistentes e tolerantes a estresses bióticos (pragas) e abióticos (como a seca). Essa linha de pesquisa visa diretamente a redução do uso de defensivos agrícolas, contribuindo para uma alimentação e um dia a dia mais saudáveis para a população.

Como podem os transgénicos afectar o meio ambiente?
A inserção de uma variedade transgênica em uma comunidade de plantas, ou animais, pode proporcionar vários efeitos indesejáveis, como a eliminação de espécies pelo processo de seleção natural; a exposição de espécies a novos patógenos ou agentes tóxicos; a geração de super-plantas daninhas ou super-pragas; a poluição ...

Os resultados dessas pesquisas já se materializaram na aprovação, pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), para o cultivo comercial de dois produtos geneticamente modificados de grande impacto:

  • Feijão transgênico resistente ao vírus do mosaico dourado: Aprovado em 2011 após mais de 10 anos de pesquisa. Este feijão representa um marco para a ciência brasileira, sendo a primeira variedade GM desenvolvida exclusivamente por instituições públicas de pesquisa. Seu impacto social e alimentar é notável, especialmente porque no Brasil o feijão é uma cultura fundamental, produzida em grande parte por pequenos agricultores.
  • Soja transgênica tolerante a herbicidas da classe das imidazolinonas: A primeira planta geneticamente modificada gerada inteiramente no Brasil. Seu objetivo é proporcionar aos agricultores brasileiros acesso a alternativas tecnológicas avançadas, com ganhos econômicos e maior eficiência na gestão dos recursos naturais.

Além desses sucessos, a Embrapa está ativamente envolvida em diversas outras pesquisas com produtos geneticamente modificados em fase de desenvolvimento, buscando soluções sustentáveis para os desafios agrícolas e alimentares. Entre elas, destacam-se:

  • Café com resistência à broca: A broca do café é uma praga devastadora. A Embrapa desenvolveu plantas de Coffea arabica GM que contêm uma proteína capaz de interferir nas enzimas digestivas do inseto, impedindo que ele se alimente do grão. Isso promete reduzir custos de produção e a poluição ambiental.
  • Algodão resistente ao bicudo: O bicudo do algodoeiro é uma praga que pode elevar os custos de produção em até 25%. Pesquisas buscam desenvolver plantas de algodão GM resistentes, utilizando estratégias como a expressão de proteínas da bactéria Bacillus thuringiensis e o silenciamento de genes do inseto.
  • Cana-de-açúcar resistente à broca gigante e tolerante à seca: Para combater a broca gigante, que causa perdas significativas no Nordeste brasileiro, a Embrapa emprega genes de Bacillus thuringiensis e técnicas de RNA interferente. A tolerância à seca permitiria o cultivo em áreas degradadas ou com baixo índice pluviométrico, aumentando a produtividade sem expansão de área.
  • Alface biofortificada com ácido fólico (vitamina B9): Em pesquisa desde 2006, o objetivo é aumentar o teor de ácido fólico na alface. Linhagens com até 15 vezes mais vitamina B9 foram desenvolvidas. Como a alface é consumida crua e faz parte da dieta brasileira, essa inovação tem grande potencial de impacto na saúde pública, especialmente para a absorção da vitamina por mamíferos, como demonstrado em testes com ratos.

Essas pesquisas da Embrapa compõem o que se denomina 'segunda geração de OGMs', focando no aumento do valor nutricional dos alimentos e em torná-los mais saudáveis. Contudo, a inovação não para por aí.

Terceira Geração de OGMs: Fábricas Biológicas para Produção de Insumos

Concomitantemente à segunda geração de OGMs, a Embrapa já está imersa em pesquisas que caracterizam a 'terceira geração de OGMs'. Nesta fase, os estudos são orientados para a produção de plantas, animais e microrganismos que funcionam como verdadeiras biofábricas para a produção de insumos de alto valor agregado, como vacinas, medicamentos e fibras de interesse industrial.

Cientistas da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia estão empenhados no desenvolvimento de novas plataformas tecnológicas que permitem expressar moléculas complexas. Essa tecnologia de biofábricas agrega um valor imenso ao agronegócio brasileiro, transformando produtos agropecuários em fontes econômicas e seguras para a produção em larga escala de insumos essenciais. A projeção é que o cenário brasileiro será profundamente influenciado pela biogenética nas próximas décadas.

Um exemplo fascinante é a pesquisa com genes de aranhas brasileiras para a produção de fios em laboratório. O estudo do genoma de aranhas de biomas como Mata Atlântica, Amazônia e Cerrado revelou que a fibra da teia de aranha é um dos fios mais resistentes e flexíveis da natureza. A Embrapa conseguiu identificar, isolar e clonar os genes associados à produção da teia, chegando à produção sintética desse material em laboratório. Essa tecnologia visa atender a diversos setores da indústria, que demandam materiais com alta resistência e flexibilidade, além de valorizar a rica biodiversidade nacional.

Segundo o pesquisador Elíbio Rech, a tecnologia de produção de fios de teias de aranha em laboratório já está dominada. O desafio atual é definir um meio econômico, rápido e seguro para sua produção em larga escala. A utilização de plantas, microrganismos e animais geneticamente modificados como biofábricas é um dos caminhos promissores não apenas para esses fios, mas também para a produção de medicamentos e outros insumos vitais, tornando-os mais seguros e acessíveis aos consumidores.

Biofármacos: A União entre Agronegócio e Setor Farmacêutico

Os biofármacos, ou medicamentos biológicos, são obtidos a partir de fontes ou processos biológicos, utilizando microrganismos ou células geneticamente modificadas em escala industrial. Essa vertente da biotecnologia voltada à saúde também abrange diagnósticos, terapias celulares, células-tronco, terapias gênicas e vacinas.

O faturamento global da biotecnologia na indústria farmacêutica tem crescido exponencialmente, alcançando aproximadamente 10 bilhões de dólares anuais. Produtos biotecnológicos representam hoje cerca de 10% dos novos medicamentos que chegam ao mercado.

A aposta da Embrapa em pesquisas com biofármacos visa reduzir significativamente o custo desses medicamentos, uma vez que podem ser produzidos diretamente em plantas, bactérias ou no leite de animais. Há evidências de que o uso de biofábricas pode diminuir os custos de produção de proteínas recombinantes em até 50 vezes.

Vantagens da Produção de Biofármacos em Biofábricas:

  • Produzem proteínas geneticamente modificadas idênticas às originais, com baixo investimento de capital, resultando em produtos seguros para o consumidor.
  • Facilidade de estocagem e transporte, simplificando a logística.
  • Possibilitam a produção de medicamentos mais baratos e em larga escala, democratizando o acesso.
  • Auxiliam no estudo das funções de moléculas originárias da vasta biodiversidade brasileira.
  • Promovem maior agregação de valor aos produtos agropecuários, diversificando suas aplicações.
  • Favorecem a integração estratégica entre o agronegócio e o setor farmacêutico.

Pesquisas de Biofármacos em Desenvolvimento na Embrapa:

  • Plantas de soja transgênica capazes de produzir o Fator IX, uma proteína responsável pela coagulação do sangue. Os hemofílicos não produzem essa proteína e precisam dela para melhorar a sua qualidade de vida.
  • Soja com gene que estimula o hormônio do crescimento, com potencial para aplicações terapêuticas.
  • Plantas transgênicas para combater a AIDS: Pesquisa em fase de testes que envolve a introdução da cianovirina (proteína presente em algas) em plantas de soja, milho e tabaco para a sua produção em larga escala. Esta proteína é capaz de impedir a multiplicação do vírus no corpo humano. A intenção é desenvolver um produto em gel (com propriedades germicidas) para que as mulheres apliquem na vagina antes do relacionamento sexual. As plantas transgênicas oferecem muitas vantagens para a produção de cianovirina, que pode ser largamente escalonada até a quantidade adequada, aliada ao benefício do baixo custo do investimento requerido.

Essas inovações demonstram o potencial transformador da biotecnologia, unindo ciência, agricultura e saúde para o benefício da população.

Perguntas Frequentes (FAQs) sobre Alimentos Transgênicos

Para esclarecer as dúvidas mais comuns sobre os alimentos transgênicos, compilamos as seguintes perguntas e respostas, baseadas nas informações científicas disponíveis e nos processos regulatórios:

Os alimentos transgênicos são seguros para a saúde humana?
Sim. De acordo com as rigorosas avaliações de biossegurança realizadas globalmente e no Brasil (pela CTNBio), não foram constatados problemas de saúde relacionados à ingestão de alimentos derivados de plantas transgênicas nos estudos que antecederam a liberação comercial ou no consumo desses produtos em larga escala. Eles passam por testes exaustivos de toxicidade, alergenicidade e composição.
Qual o impacto dos transgênicos no meio ambiente?
O uso de transgênicos pode trazer benefícios ambientais, como a redução do uso de defensivos agrícolas e a otimização do uso da terra. Contudo, há preocupações relacionadas à potencial disseminação de transgenes, à geração de super-pragas/super-plantas daninhas, à erosão da diversidade genética e a impactos na fauna, como observado com a borboleta Monarca. A regulamentação busca mitigar esses riscos.
Como os alimentos transgênicos são regulados no Brasil?
O Brasil possui uma das leis de biossegurança mais rigorosas do mundo (Lei 11.105/05). Todo transgênico precisa passar por aproximadamente 10 anos de pesquisa e ser exaustivamente analisado e aprovado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), que avalia possíveis impactos ao meio ambiente, à saúde humana e animal, e à agricultura, antes de ser comercializado.
O que significa "equivalência substancial"?
É um critério inicial na análise de segurança dos alimentos biotecnológicos. Baseia-se em análises químicas e nutricionais para identificar semelhanças e diferenças entre cultivos geneticamente modificados e seus pares convencionais. Se um OGM é substancialmente equivalente, ele tem a mesma composição e valor nutricional que a versão convencional, cuja segurança já é conhecida.
Quais são os benefícios da biotecnologia além da resistência a pragas?
Além da resistência a pragas e tolerância a herbicidas, a biotecnologia permite o desenvolvimento de plantas mais nutritivas (como a alface biofortificada com ácido fólico), tolerantes a estresses climáticos (como a seca), e até mesmo o uso de plantas, animais e microrganismos como "biofábricas" para produzir medicamentos (biofármacos), vacinas e fibras industriais, com potencial de redução de custos e maior acessibilidade.

Conclusão

Os alimentos transgênicos representam uma faceta complexa e multifacetada da ciência moderna. Embora a pesquisa e a regulamentação, especialmente no Brasil, indiquem que os produtos aprovados são seguros para o consumo e trazem benefícios significativos para a produtividade agrícola e a sustentabilidade ambiental, o debate sobre seus potenciais riscos e impactos de longo prazo permanece vivo. A biotecnologia continua a evoluir, prometendo novas soluções para desafios globais, desde a segurança alimentar até a produção de medicamentos. É essencial que a sociedade se mantenha informada, baseando-se em evidências científicas e compreendendo os rigorosos processos de avaliação que garantem a segurança e a legitimidade desses produtos, permitindo que cada indivíduo tome suas próprias decisões conscientes sobre o que consome.

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