Como fazer as contas para saber se o colesterol está alto?

Colesterol Alto: Como Entender Seus Níveis?

21/07/2022

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O colesterol é uma substância vital para o funcionamento adequado do nosso corpo, essencial para a produção de hormônios, vitamina D e para a formação das membranas celulares. Contudo, quando seus níveis estão desequilibrados, essa substância benéfica pode transformar-se em um inimigo silencioso da nossa saúde cardiovascular. Compreender o que é o colesterol, como ele se manifesta e, principalmente, como interpretar os resultados dos exames, é o primeiro passo para uma vida mais longa e saudável.

Como fazer as contas para saber se o colesterol está alto?
Vigilância. Embora o colesterol esteja associado a doenças graves, a sua presença por si só não provoca quaisquer sintomas, o que significa que a única forma possível de se detetarem níveis elevados de colesterol é realizando análises ao sangue.

Neste artigo, vamos explorar em profundidade o universo do colesterol, desmistificando seus tipos, os riscos associados e as estratégias mais eficazes para o seu controle. Prepare-se para desvendar os números e assumir o controle da sua saúde!

Índice de Conteúdo

O Que É o Colesterol e Qual a Sua Importância Vital?

O colesterol é uma gordura presente no nosso organismo, fundamental para diversas funções biológicas. Ele não é intrinsecamente "mau"; na verdade, é um componente crucial. Cerca de 75% do colesterol necessário ao corpo é produzido internamente, principalmente pelo fígado e outras células, enquanto os restantes 25% provêm da nossa dieta, especificamente de alimentos de origem animal. Essa dualidade na sua origem ressalta a importância tanto da produção interna quanto da ingestão alimentar no equilíbrio dos seus níveis.

Apesar de sua importância, o colesterol em níveis elevados é um dos fatores de risco mais conhecidos para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e cerebrovasculares. As estatísticas são alarmantes: globalmente, o colesterol alto é responsável por aproximadamente um terço de todas as doenças cardiovasculares, estimando-se que cause 18% do total das doenças cerebrovasculares, 56% das doenças isquêmicas cardíacas e cerca de 4,4 milhões de mortes, representando 7,9% do total de óbitos. Em Portugal, a situação é preocupante, com cerca de 68,5% da população apresentando valores de colesterol iguais ou superiores a 190 mg/dl, e um quarto com risco elevado (>240 mg/dl), evidenciando a necessidade de maior atenção e controle.

Os Diferentes Tipos de Colesterol: Amigos e Inimigos

Para entender como o colesterol afeta a sua saúde, é crucial diferenciar seus tipos. Popularmente, falamos em colesterol "bom" e "mau", mas a realidade é mais complexa, envolvendo diferentes lipoproteínas que transportam o colesterol no sangue. Um desequilíbrio entre elas aumenta significativamente o risco de condições graves como doença coronária, enfarte do miocárdio ou acidente vascular cerebral (AVC).

HDL: O Colesterol "Bom"

O HDL, ou lipoproteína de alta densidade (High Density Lipoprotein), é amplamente conhecido como o colesterol "bom". Sua função principal é ajudar o organismo a remover o excesso de colesterol das artérias e vasos sanguíneos, transportando-o de volta ao fígado para ser processado e eliminado. Dessa forma, o HDL impede que o LDL ("mau" colesterol) se acumule e se deposite nas paredes das artérias, reduzindo drasticamente o risco de enfarte do miocárdio ou de AVC. Manter os níveis de HDL elevados é um objetivo importante para a saúde cardiovascular. Os níveis ideais de HDL devem ser superiores a 40 mg/dL nos homens e 50 mg/dL nas mulheres. Felizmente, os níveis de HDL podem ser aumentados através de hábitos saudáveis, como o exercício físico regular e uma dieta equilibrada. Em alguns casos, medicamentos específicos podem ser necessários para auxiliar nesse aumento.

LDL: O Colesterol "Mau"

O LDL, ou lipoproteína de baixa densidade (Low Density Lipoprotein), é o colesterol "mau" porque, quando presente em níveis elevados no sangue, tende a se depositar nas paredes das artérias. Esse acúmulo forma placas de gordura e cálcio, um processo conhecido como aterosclerose, que causa o estreitamento e endurecimento das artérias. Essa condição impede o fluxo sanguíneo adequado, aumentando significativamente o risco de doença cardíaca ou cerebral. Se um coágulo sanguíneo se formar em uma artéria já estreitada por essas placas, pode ocorrer um enfarte do miocárdio ou um AVC, com consequências devastadoras para a saúde.

Embora o LDL seja produzido pelo próprio organismo, fatores genéticos podem predispor algumas pessoas a produzi-lo em grandes quantidades. Além disso, o consumo excessivo de gorduras saturadas e alimentos ricos em colesterol na dieta aumenta ainda mais esse risco. A modificação do estilo de vida é crucial para controlar os níveis de LDL e, em muitos casos, o apoio médico especializado com medicação pode ser indispensável.

VLDL: Outro Colesterol "Ruim"

A sigla VLDL significa lipoproteína de muito baixa densidade (Very Low Density Lipoprotein). Assim como o LDL, quando o VLDL está presente em níveis elevados, ele também é considerado prejudicial para a saúde cardiovascular, pois contribui para o acúmulo de gordura nos vasos sanguíneos e para o desenvolvimento de aterosclerose.

Triglicéridos: Mais Uma Gordura a Ser Monitorizada

Os triglicéridos são outra forma de gordura produzida pelo organismo, servindo como uma reserva de energia. Seus níveis podem estar elevados em casos de excesso de peso, inatividade física, consumo de tabaco ou álcool, e em dietas ricas em hidratos de carbono (açúcares e carboidratos refinados). Geralmente, quem apresenta níveis elevados de triglicéridos também tende a ter níveis elevados de colesterol total e LDL, e níveis reduzidos de HDL, compondo um quadro de maior risco cardiovascular.

Como Saber se o Seu Colesterol Está Alto? A Importância dos Exames

Uma das características mais traiçoeiras do colesterol elevado é que ele não provoca quaisquer sintomas por si só. Isso significa que uma pessoa pode ter níveis perigosamente altos de colesterol por anos sem sentir absolutamente nada. Por essa razão, a única forma possível de detetar e quantificar os níveis de colesterol é através de análises ao sangue, especificamente o exame de colesterol total e frações.

Nessas análises, são quantificados os níveis de Colesterol Total, LDL (o "mau"), HDL (o "bom") e Triglicéridos. Recentemente, a necessidade de jejum para o exame de colesterol tem sido reavaliada. Embora no passado fosse comum um jejum de até 14 horas, atualmente é consenso que o exame pode ser realizado sem jejum, bastando que essa informação seja considerada na interpretação dos resultados pelo médico. Contudo, é orientado evitar a ingestão de bebidas alcoólicas nas 72 horas que antecedem a coleta de sangue, para garantir a precisão dos resultados.

Valores de Referência: O Que os Números Significam?

Interpretar os resultados do exame de colesterol requer a compreensão dos valores de referência. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), os valores ideais para o colesterol total e o HDL são:

ParâmetroValor Ideal
Colesterol TotalAbaixo de 190 mg/dL
HDL (Colesterol "Bom")Acima de 40 mg/dL

No caso do LDL (o "mau" colesterol), a recomendação de valores ideais varia de acordo com o risco cardiovascular do paciente, que é determinado pelo médico com base em diversos fatores, como histórico familiar, presença de outras doenças (diabetes, hipertensão) e hábitos de vida:

Risco do PacienteValor Ideal de LDL
Baixo RiscoAbaixo de 130 mg/dL
Médio RiscoAbaixo de 100 mg/dL
Alto RiscoAbaixo de 70 mg/dL
Muito Alto RiscoAbaixo de 50 mg/dL

É importante ressaltar que os valores médios de colesterol são bastante próximos entre homens e mulheres. No entanto, observa-se um aumento do colesterol total com a idade, que tende a estabilizar por volta dos 45-54 anos em um valor de aproximadamente 220 mg/dl. A percentagem de casos com colesterol de risco elevado em portugueses com 55 ou mais anos é três vezes superior à dos jovens adultos com menos de 35 anos, o que sublinha a necessidade de vigilância contínua ao longo da vida.

Quando Devo Fazer o Exame de Colesterol?

A análise ao colesterol, embora não tenha sintomas associados, deve ser realizada regularmente em certas situações. O seu médico é a melhor pessoa para o aconselhar sobre o momento ideal para realizar estes testes e ajudá-lo a interpretar os seus resultados. No entanto, algumas diretrizes gerais incluem:

  • Presença de doença coronária (angina, enfarte anterior).
  • Doença das artérias periféricas.
  • Histórico de Acidente Vascular Cerebral (AVC).
  • Idade superior a 40 anos, mesmo sem outros fatores de risco.
  • História familiar de doença cardiovascular precoce (pais ou irmãos com problemas cardíacos antes dos 55 anos para homens e 65 para mulheres).
  • Excesso de peso ou obesidade.
  • Diagnóstico de hipertensão arterial ou diabetes.
  • Outras doenças que sabidamente aumentam os níveis de colesterol.

Doenças Associadas ao Colesterol Elevado

Como já mencionado, o colesterol elevado é uma das principais causas de doenças graves. O risco de desenvolver estas condições é significativamente ampliado quando o colesterol alto coexiste com outras condições de saúde, como hipertensão arterial (pressão alta) ou diabetes. Esses fatores de risco combinados criam um ambiente propício para o desenvolvimento de aterosclerose e suas complicações.

Quais são os valores normais de colesterol?
Valores de referência de colesterol total De acordo com a SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia), os valores ideais para o colesterol total e o HDL são: Colesterol total: abaixo de 190 mg/dL; HDL: acima de 40 mg/dL.

Além disso, diversos outros fatores podem aumentar o risco de ter colesterol alto e suas consequências, incluindo uma dieta pouco saudável, rica em gorduras saturadas e trans, o tabagismo (que danifica as paredes dos vasos sanguíneos, facilitando o depósito de colesterol) e a hereditariedade (predisposição genética para produzir mais colesterol).

Estratégias para o Controlo do Colesterol: Um Estilo de Vida Saudável

O controlo do colesterol é uma jornada contínua que começa com a modificação do estilo de vida. O ponto de partida para qualquer intervenção envolve aconselhamento detalhado sobre dieta, prática regular de exercício físico, cessação tabágica e alteração de outros aspetos do estilo de vida que podem aumentar o risco de doença arterial. Essa abordagem multifacetada é a mais eficaz para gerir os níveis de colesterol e promover a saúde cardiovascular a longo prazo.

Alimentação: A Base da Mudança

A dieta desempenha um papel fundamental no controlo do colesterol. Na típica dieta ocidental, cerca de 35% das calorias provêm da gordura, com um fornecimento diário de aproximadamente 400 a 500 mg de colesterol. Para pessoas com colesterol elevado, é crucial adotar uma dieta com baixo teor de colesterol e gorduras saturadas. Isso significa reduzir o consumo de carnes vermelhas gordas, laticínios integrais, frituras e alimentos processados.

É igualmente importante restringir a ingestão de sal, pois o excesso de sódio pode contribuir para a hipertensão, que é outro fator de risco cardiovascular. Em contrapartida, as dietas ricas em fibras solúveis podem ser grandes aliadas na redução das gorduras. Alimentos como cevada, aveia e frutos e vegetais ricos em pectina (maçãs, citrinos) ajudam a "varrer" o colesterol do organismo. O consumo de margarinas enriquecidas com estanóis vegetais também demonstrou contribuir para a redução do "mau" colesterol (LDL) em cerca de 5 a 10%, oferecendo uma alternativa interessante para quem busca reduzir seus níveis.

Exercício Físico e Outros Hábitos

A prática regular de exercício físico é um pilar essencial no controlo do colesterol. A atividade física ajuda a aumentar os níveis de HDL (o colesterol "bom") e a reduzir os triglicéridos e o LDL. Além disso, contribui para a perda de peso, controlo da pressão arterial e melhoria da sensibilidade à insulina, todos fatores que impactam a saúde cardiovascular. A cessação tabágica é outra medida crucial, pois o fumo danifica as artérias, facilitando o depósito de colesterol e a progressão da aterosclerose.

O Papel da Medicação

Em muitos casos, as mudanças no estilo de vida podem não ser suficientes para atingir os níveis desejados de colesterol, especialmente em indivíduos com alto risco cardiovascular ou predisposição genética. Nesses cenários, o uso de medicamentos torna-se importante no controlo do colesterol. Esses medicamentos, frequentemente as estatinas, ajudam a prevenir o desenvolvimento da doença arterial e a estabilizar lesões precoces nas artérias. Além disso, em alguns casos, as lesões obstrutivas existentes podem sofrer uma reversão clínica após um tratamento agressivo e contínuo com estes medicamentos. No entanto, é crucial entender que essa reversão não é instantânea, levando entre 6 meses a 2 anos, e a eficácia do tratamento só será alcançada se for mantido durante longos períodos de tempo, conforme orientação médica.

É fundamental que os familiares de pessoas com colesterol elevado também sejam acompanhados de perto. Devido à possível componente hereditária, é aconselhável que realizem análises regulares, adotem uma dieta saudável e pratiquem exercício físico. Essa vigilância precoce pode identificar e mitigar riscos antes que se tornem problemas graves.

Perguntas Frequentes (FAQ)

O jejum é necessário para o exame de colesterol?

Atualmente, não é estritamente necessário fazer jejum para o exame de colesterol total e frações. A maioria dos laboratórios e diretrizes médicas aceitam a coleta sem jejum, mas é importante informar o laboratório e o seu médico sobre isso para a correta interpretação dos resultados. É recomendado, no entanto, evitar bebidas alcoólicas 72 horas antes do exame.

O colesterol alto tem sintomas?

Não, o colesterol alto é uma condição silenciosa. Não provoca sintomas por si só. A única forma de detetá-lo é através de exames de sangue regulares. Os sintomas só aparecem quando o colesterol alto já causou danos significativos, como aterosclerose avançada, que pode levar a angina, enfarte ou AVC.

A hereditariedade influencia o colesterol?

Sim, a hereditariedade desempenha um papel significativo nos níveis de colesterol. Algumas pessoas herdam uma maior tendência para produzir colesterol em grandes quantidades, independentemente do estilo de vida. Por isso, se houver histórico familiar de colesterol alto ou doenças cardiovasculares precoces, é ainda mais importante a vigilância e o controlo.

Qual a diferença entre o exame de colesterol total e o de colesterol total com frações?

O exame de colesterol total mede a quantidade total de colesterol circulando no sangue. Já o exame de colesterol total com frações, além dessa soma, detalha as quantidades específicas de cada tipo de colesterol presente na amostra: LDL (lipoproteína de baixa densidade), HDL (lipoproteína de alta densidade) e, por vezes, VLDL (lipoproteína de muito baixa densidade), além dos triglicéridos. Esse detalhamento é crucial para uma avaliação mais precisa do risco cardiovascular.

Quanto tempo leva para baixar o colesterol com tratamento?

A redução dos níveis de colesterol com mudanças no estilo de vida e/ou medicação varia de pessoa para pessoa. Com a medicação, como as estatinas, uma redução significativa pode ser observada em algumas semanas a poucos meses. Para a regressão de lesões obstrutivas nas artérias, pode levar de 6 meses a 2 anos de tratamento contínuo e agressivo. A adesão a longo prazo ao tratamento e às mudanças de estilo de vida é fundamental para manter os níveis controlados e prevenir complicações.

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