Quais são os medicamentos para o HIV?

Antirretrovirais: Guia Essencial para o Combate ao HIV

29/07/2022

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A infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) representa um desafio global de saúde pública, mas os avanços na medicina trouxeram esperança e uma melhora significativa na qualidade de vida das pessoas que vivem com o vírus. Central para essa transformação são os medicamentos antirretrovirais (ARV), que surgiram na década de 1980 como uma ferramenta poderosa para controlar a replicação viral e preservar a saúde imunológica. Diferentemente do que muitos podem pensar, esses fármacos não eliminam o HIV do organismo, mas atuam de forma crucial para impedir sua multiplicação, evitando o enfraquecimento progressivo do sistema imunológico e a progressão para a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS).

Quais são os medicamentos para o HIV?
Os medicamentos para o HIV são chamados de antirretrovirais e têm como objetivo reduzir a quantidade do vírus no organismo, impedindo sua replicação e permitindo que o sistema imunológico se recupere. O tratamento antirretroviral (TARV) é fundamental para controlar a infecção e prevenir o desenvolvimento da AIDS, além de reduzir o risco de transmissão. Tipos de medicamentos antirretrovirais: Existem diferentes classes de medicamentos antirretrovirais, cada um com seu mecanismo de ação específico: Inibidores da transcriptase reversa: Análogos de nucleosídeos/nucleotídeos (ITRN): Atuam impedindo a conversão do RNA viral em DNA, essencial para a replicação viral.  Não análogos de nucleosídeos (ITRNN): Também atuam na transcriptase reversa, mas de forma diferente dos ITRN. Inibidores da protease: Impedem a maturação do vírus, bloqueando a ação da protease, enzima necessária para a formação de novos vírus. Inibidores da fusão/entrada: Impedem a entrada do vírus nas células do sistema imunológico, bloqueando a interação entre o vírus e a célula hospedeira. Inibidores da integrase: Bloqueiam a ação da integrase, enzima que insere o DNA viral no DNA da célula hospedeira. Inibidores de entrada: Bloqueiam a entrada do HIV nas células CD4+. Medicamentos comuns: Alguns exemplos de medicamentos antirretrovirais comumente utilizados no tratamento do HIV são: Tratamento combinado: O tratamento do HIV geralmente envolve a combinação de diferentes medicamentos antirretrovirais, geralmente três ou mais, para otimizar a eficácia e reduzir o risco de desenvolvimento de resistência viral. O esquema terapêutico é individualizado, levando em consideração as características de cada paciente e a resposta ao tratamento. Importância do acompanhamento médico: É fundamental que o tratamento do HIV seja acompanhado por profissionais de saúde qualificados, que farão o acompanhamento clínico, solicitarão exames e ajustarão a terapia conforme necessário. A adesão ao tratamento é essencial para o sucesso da terapia e para evitar a progressão da doença. Recursos adicionais:

Desde 1996, o Brasil se destaca globalmente por sua política de distribuição gratuita do 'coquetel antiaids' através do Sistema Único de Saúde (SUS), garantindo que todos que necessitam do tratamento tenham acesso a ele. Essa iniciativa pioneira tem sido fundamental para o cuidado e a sobrevida de milhares de pessoas no país. Em dezembro de 2013, por exemplo, mais de 350 mil indivíduos recebiam regularmente esses medicamentos, em um cenário onde se estimava que cerca de 797 mil pessoas viviam com HIV/AIDS no Brasil. Atualmente, a gama de opções terapêuticas é vasta, contando com 22 medicamentos distintos, classificados em seis categorias principais, que atuam em diferentes estágios do ciclo de vida do vírus para garantir o controle eficaz da infecção.

Índice de Conteúdo

A Evolução dos Antirretrovirais no Brasil

A história do tratamento do HIV é marcada por contínuas pesquisas e aprimoramentos. No Brasil, essa evolução se reflete na adaptação dos esquemas terapêuticos. Medicamentos como a Estavudina (D4T) e o Indinavir (IDV), que outrora foram pilares do tratamento, foram progressivamente descontinuados da rede pública de saúde devido à toxicidade e aos efeitos colaterais significativos que apresentavam, buscando sempre opções mais seguras e eficazes para os pacientes.

Em uma iniciativa notável para simplificar e otimizar o tratamento, o Ministério da Saúde, a partir de 2014, começou a ofertar a chamada dose tripla combinada, popularmente conhecida como 'três em um'. Essa formulação inovadora reúne em um único comprimido três importantes medicamentos: Tenofovir (300mg), Lamivudina (300mg) e Efavirenz (600mg). Essa combinação não apenas facilita a adesão ao tratamento, reduzindo a quantidade de comprimidos a serem tomados diariamente, mas também mantém a eficácia no controle viral, representando um avanço significativo na qualidade de vida dos pacientes.

Classes de Medicamentos Antirretrovirais e Seus Mecanismos de Ação

Os medicamentos antirretrovirais são agrupados em classes com base em seus mecanismos de ação específicos, que visam diferentes etapas do ciclo de vida do HIV dentro das células hospedeiras. Compreender como cada classe atua é fundamental para a elaboração de esquemas terapêuticos combinados e eficazes.

1. Inibidores Nucleosídeos da Transcriptase Reversa (ITRNs)

Esta classe de medicamentos atua sobre a enzima transcriptase reversa, uma proteína essencial que o HIV utiliza para converter seu RNA viral em DNA, que será então integrado ao DNA da célula humana. Os ITRNs mimetizam os blocos de construção do DNA (nucleosídeos), mas quando incorporados à cadeia de DNA viral em formação, eles a tornam defeituosa, impedindo que o vírus se reproduza. São a base de muitos esquemas de tratamento.

  • Abacavir (ABC)
  • Didanosina (ddI)
  • Lamivudina (3TC)
  • Tenofovir (TDF)
  • Zidovudina (AZT)

2. Inibidores Não Nucleosídeos da Transcriptase Reversa (ITRNNs)

Assim como os ITRNs, esta classe também foca na enzima transcriptase reversa, mas de uma maneira diferente. Os ITRNNs ligam-se diretamente à enzima, alterando sua forma e bloqueando sua ação de forma não-competitiva, o que impede a replicação do vírus. Eles são potentes e frequentemente utilizados em regimes de primeira linha.

Quais são as 4 fases do HIV?
Os testes para detecção da infecção pelo HIV podem ser divididos basicamente em quatro grupos: detecção de anticorpos; \u25cf detecção de antígenos; \u25cf cultura viral; e \u25cf amplificação do genoma do vírus.
  • Efavirenz (EFZ)
  • Nevirapina (NVP)
  • Etravirina (ETR)

3. Inibidores de Protease (IPs)

Os inibidores de protease atuam em uma etapa posterior do ciclo de vida do HIV, bloqueando a enzima protease. Esta enzima é crucial para clivar as longas cadeias de proteínas virais em unidades menores e funcionais, que são essenciais para a montagem de novas partículas virais infecciosas. Ao inibir a protease, os IPs resultam na produção de vírus imaturos e não infecciosos.

  • Atazanavir (ATV)
  • Darunavir (DRV)
  • Fosamprenavir (FPV)
  • Lopinavir (LPV)
  • Nelfinavir (NFV)
  • Ritonavir (RTV)
  • Saquinavir (SQV)
  • Tipranavir (TPV)

4. Inibidores de Fusão

Esta classe de medicamentos impede que o vírus HIV entre nas células de defesa do organismo. Eles atuam bloqueando a fusão da membrana do vírus com a membrana da célula hospedeira, que é o primeiro passo para a infecção. Ao impedir essa entrada, a reprodução do vírus é bloqueada logo no início.

  • Enfuvirtida (T20)

5. Inibidores da Integrase (INI)

Os inibidores da integrase são uma classe mais recente e altamente eficaz de ARVs. Eles bloqueiam a atividade da enzima integrase, que é responsável por inserir o DNA viral (já convertido de RNA) no DNA humano (o código genético da célula hospedeira). Sem essa integração, o vírus não consegue tomar controle da maquinaria celular para se replicar e infectar novas células.

  • Dolutegravir (DTG) - Distribuído na Rede Pública a partir de Março/2017
  • Raltegravir (RAL)

6. Inibidores de Entrada

Esta é outra nova classe de medicamentos que impedem a entrada do vírus HIV nas células de defesa do organismo, similar aos inibidores de fusão, mas com um mecanismo ligeiramente diferente. No caso específico do Maraviroc, sua atuação se baseia no bloqueio dos receptores CCR5, que são proteínas localizadas na superfície dos macrófagos (células do sistema imunológico). Ao bloquear esses receptores, o Maraviroc impede que o HIV se ligue e entre nestas células, prevenindo a infecção.

  • Maraviroc (MRV)

Apresentações em Combinação

Para otimizar o tratamento e simplificar a posologia, muitos medicamentos antirretrovirais são combinados em um único comprimido. Essas formulações de dose fixa são cruciais para a adesão do paciente ao tratamento, pois reduzem a carga de pílulas diárias. Exemplos de combinações incluem:

  • Lamivudina + Zidovudina (3TC + AZT)
  • Lamivudina + Tenofovir + Efavirenz (3TC + TDF + EFZ)

É fundamental ressaltar que, para combater eficazmente o HIV, é necessário utilizar pelo menos três antirretrovirais combinados, geralmente dois medicamentos de classes diferentes. O tratamento é complexo e requer acompanhamento médico contínuo para avaliar a adaptação do organismo, monitorar efeitos colaterais e superar possíveis dificuldades na adesão. Manter um diálogo aberto com os profissionais de saúde é essencial para compreender todo o esquema terapêutico e garantir o sucesso do tratamento.

Adesão ao Tratamento e Seus Desafios

Apesar dos comprovados benefícios dos medicamentos antirretrovirais, o tratamento não é indicado para todas as pessoas que vivem com HIV. A decisão de iniciar a terapia é baseada em diversos fatores clínicos, como a contagem de células CD4 e a carga viral, e deve ser individualizada pelo médico. Embora os remédios aumentem significativamente o tempo e a qualidade de vida de quem segue o tratamento corretamente, eles podem causar efeitos colaterais. Em alguns casos, os ganhos com a terapia podem não compensar os efeitos adversos, e a decisão de tratar deve ser cuidadosamente ponderada entre paciente e médico.

Acesso e Orientações para o Paciente

Após a indicação médica e com a receita em mãos, a pessoa soropositiva deve retirar os medicamentos em uma Unidade Dispensadora de Medicamentos (UDM), que geralmente estão localizadas nos próprios Serviços de Assistência Especializada (SAE), onde ocorrem as consultas. A equipe de atendimento nesses locais é capacitada para informar a localização da UDM mais próxima e fornecer todas as orientações necessárias.

É possível o marido ter HIV e a esposa não?
Sim, é perfeitamente possível que um marido tenha HIV e a esposa não, ou vice-versa. Essa situação é chamada de "casal sorodiferente", onde um parceiro é soropositivo (vive com HIV) e o outro é soronegativo (não tem HIV). É importante entender que: Em relação ao casal: É fundamental que ambos os parceiros conversem abertamente sobre o HIV, busquem informações confiáveis e sigam as orientações médicas para manter a saúde e o bem-estar da relação.

É imprescindível que o paciente receba todas as informações sobre os medicamentos antes de iniciar o uso. A orientação deve abranger:

  • Nome Genérico e Forma Farmacêutica: Conhecer o nome do medicamento, se é comprimido, cápsula, solução oral, etc., e suas características físicas (cor, formato, tamanho) para evitar confusões.
  • Função de Cada Substância: Entender como cada componente do 'coquetel' atua no organismo para combater o vírus.
  • Forma de Transporte e Conservação: Informações cruciais sobre como armazenar os medicamentos para preservar sua eficácia.
  • Uso Adequado: Detalhes sobre a dosagem, horários e se deve ser tomado com ou sem alimentos.
  • Quantidade e Duração: Saber quantos medicamentos foram dispensados e por quanto tempo durarão, para planejar a próxima retirada.
  • Possíveis Efeitos Colaterais: Estar ciente dos efeitos adversos mais comuns e o que fazer caso ocorram.
  • Outros Cuidados Necessários: Quaisquer outras recomendações específicas para o tratamento.

Em caso de qualquer dúvida, o paciente deve perguntar novamente. É essencial que não haja incertezas sobre os medicamentos, pois a correta utilização é um pilar do sucesso terapêutico.

Cuidados Essenciais na Manipulação e Uso dos ARVs

A eficácia do tratamento antirretroviral depende não apenas da prescrição correta, mas também da forma como o paciente manuseia e utiliza os medicamentos em seu dia a dia. Algumas práticas são cruciais para garantir a estabilidade e a absorção dos fármacos:

  • Transporte e Conservação: Temperatura, umidade e luminosidade são fatores que podem comprometer a qualidade e estabilidade dos medicamentos. Eles devem ser armazenados em locais adequados, seguindo as instruções da embalagem. Frascos e embalagens originais não devem ser substituídos, pois isso pode levar à contaminação, perda de eficácia ou até mesmo à troca acidental de medicamentos. Recomenda-se não retirar os rótulos dos frascos, pois eles contêm informações importantes e ajudam a diferenciar os remédios, evitando confusões.
  • Modo de Utilização: Cada medicamento possui uma forma diferente de preparo e consumo. Para o sucesso do tratamento, é fundamental seguir rigorosamente as recomendações médicas, respeitando os horários de ingestão. O consumo de álcool, drogas ilícitas e até mesmo outros medicamentos não prescritos pode prejudicar o tratamento, causar interações medicamentosas perigosas e levar o paciente a passar mal. Por isso, todas as dúvidas sobre o uso de outras substâncias devem ser esclarecidas com o médico e o farmacêutico.
  • Quantidade de Medicamentos: Interromper, abandonar ou não tomar corretamente os medicamentos conforme a prescrição médica é extremamente prejudicial ao tratamento. Atitudes como essas podem levar ao desenvolvimento de resistência do vírus aos princípios ativos dos remédios, tornando-os ineficazes. Com a resistência, as opções de combinações de medicamentos diminuem significativamente, o que pode impactar negativamente a sobrevida da pessoa soropositiva. Em caso de esquecimento ou perda de doses, o paciente deve entrar em contato com o médico ou o farmacêutico responsável o mais rápido possível para receber orientação.
  • Efeitos Colaterais: Os antirretrovirais, como qualquer medicamento, podem causar efeitos colaterais indesejáveis, que variam de pessoa para pessoa. É de suma importância que o médico e o farmacêutico sejam informados sobre a existência e a intensidade desses efeitos. O soropositivo precisa de orientação clara sobre o que fazer para manejar ou minimizar esses efeitos, garantindo a continuidade do tratamento com o máximo de conforto possível.
  • Outros Cuidados: Além das orientações específicas, algumas práticas gerais são importantes: sempre lavar as mãos antes de manipular e tomar medicamentos; observar qualquer mudança no corpo ou efeito relacionado ao uso do medicamento e relatá-los prontamente ao médico e farmacêutico; nunca indicar o uso ou dar sobras de medicamentos a outras pessoas, pois a medicação é estritamente individual; em caso de vômito após a ingestão dos medicamentos, entrar em contato com o médico e farmacêutico para saber como proceder; e, por fim, jamais tomar qualquer medicamento sem prescrição médica, especialmente durante o tratamento do HIV.

Fisiopatologia do HIV e Objetivos da Terapia Antirretroviral (TARV)

A infecção pelo HIV ataca principalmente as células T CD4+, que são cruciais para o sistema imunológico. A fisiopatologia da infecção envolve a replicação viral contínua que leva à destruição dessas células, resultando em imunossupressão progressiva e suscetibilidade a infecções oportunistas e certos tipos de câncer. O principal objetivo da Terapia Antirretroviral (TARV) é:

  1. Reduzir os níveis plasmáticos de RNA do HIV: O ideal é que a carga viral (nível de RNA do HIV no sangue) se torne indetectável, geralmente abaixo de 20 a 50 cópias/mL.
  2. Restaurar a contagem de CD4: A TARV busca restaurar ou reconstituir a função imunológica, elevando a contagem de células CD4 para um nível normal.

Uma baixa resposta na contagem de CD4 é mais provável se a contagem inicial de CD4 for muito baixa (especialmente se inferior a 50/mcL) ou se o nível de RNA do HIV for muito alto no início do tratamento. Contudo, mesmo em pessoas com imunossupressão avançada, uma melhora acentuada é provável com a TARV. Um aumento na contagem de CD4 está diretamente correlacionado a uma diminuição acentuada no risco de infecções oportunistas, outras complicações e morte. Com a restauração imunológica, até complicações consideradas intratáveis, como a leucoencefalopatia multifocal progressiva, podem melhorar. Cânceres (como linfoma e sarcoma de Kaposi) e a maioria das infecções oportunistas também evoluem de forma mais favorável.

Para algumas infecções oportunistas agudas, como meningite tuberculosa ou meningite criptocócica, as evidências sugerem que a TARV deve ser adiada (geralmente de 2 a 4 semanas) até que a fase inicial da terapia antimicrobiana para essas infecções seja concluída, devido ao maior risco de eventos adversos e morte se a TARV for iniciada muito precocemente.

Avaliação do Sucesso e Manejo da Falha Terapêutica

Quase todas as pessoas que tomam medicamentos para HIV conforme prescrito conseguem alcançar os objetivos da terapia antirretroviral, geralmente dentro de 6 meses após o início do tratamento, atingindo uma carga viral indetectável. No entanto, manter esse grau de adesão é desafiador.

O sucesso da TARV é avaliado medindo-se os níveis plasmáticos de RNA de HIV a cada 8 a 12 semanas nos primeiros 4 a 6 meses, ou até que o nível de RNA de HIV se torne indetectável, e a cada 6 meses a partir de então. Níveis elevados de HIV são a primeira evidência de falha terapêutica e podem preceder em meses uma queda na contagem de CD4+. Manter os pacientes em esquemas medicamentosos que falham pode selecionar mutantes do HIV que são mais resistentes aos medicamentos. No entanto, em comparação com o HIV do tipo selvagem, esses mutantes podem ser menos capazes de reduzir a contagem de CD4, e os esquemas terapêuticos falhos são frequentemente mantidos quando nenhum esquema totalmente supressor pode ser encontrado.

Se o tratamento falhar, métodos para medir a sensibilidade ao medicamento (resistência) são utilizados para determinar a sensibilidade da cepa dominante de HIV a todos os medicamentos disponíveis. Testes genotípicos e fenotípicos estão disponíveis e podem ajudar os médicos a selecionar um novo esquema que deve conter pelo menos dois, e preferencialmente três, medicamentos aos quais a cepa do HIV é mais suscetível. A cepa dominante do HIV no sangue de pacientes retirados da terapia antirretroviral pode reverter ao tipo selvagem (ou seja, suscetível) após meses ou anos, porque os mutantes resistentes se replicam mais lentamente e são substituídos pelo tipo selvagem. No entanto, se os pacientes não foram tratados recentemente, a extensão total da resistência pode não ser aparente através do teste de resistência, mas quando o tratamento termina, as cepas com mutações resistentes muitas vezes ressurgem da latência e novamente substituem a cepa do HIV do tipo selvagem.

Qual é a fisiopatologia do HIV?
Fisiopatologia da infecção pelo HIV. O HIV adere e penetra nas células T hospedeiras via moléculas de CD4+ e receptores de quimiocina (ver figura Ciclo de vida simplificado do HIV). Após a adesão, o RNA do HIV e várias enzimas que codificam o HIV são liberadas na célula hospedeira.

Com a disponibilidade de novos medicamentos coformulados para o HIV, muitos pacientes poderiam se beneficiar da simplificação de seu regime de TARV, orientados por testes de genótipo no arquivo de DNA do HIV (GenoSure Archive). Este teste fornece dados sobre a resistência do HIV-1 a antirretrovirais quando os testes convencionais de resistência ao RNA do HIV não podem ser realizados porque os pacientes têm baixo nível plasmático de RNA do HIV (inferior a 500 cópias/mL). O teste do genótipo de arquivo de DNA do HIV analisa o DNA pró-viral do HIV-1 arquivado, integrado e não integrado, nas células do hospedeiro. Ele amplifica o DNA do HIV-1 associado a células a partir de amostras de sangue total, utilizando uma tecnologia de sequenciamento de última geração para analisar a região da polimerase do HIV-1. O valor preditivo positivo dos resultados de testes de resistência no arquivo de DNA do HIV pode permitir que os médicos identifiquem mutações resistentes ao HIV que antes não eram identificadas e selecionem um esquema potencialmente mais simples com fármacos coformulados (dois ou mais fármacos em um único comprimido).

Casais Sorodiscordantes: Vivendo com HIV e Prevenindo a Transmissão

É possível que um dos parceiros em um relacionamento seja HIV positivo enquanto o outro não, uma situação conhecida como 'casal sorodiscordante'. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 50% das pessoas HIV positivas globalmente têm parceiros HIV negativos. Na Serra Leoa, por exemplo, dados de 2013 indicaram que 2,6% dos casais que coabitam eram sorodiscordantes.

A história de Jane e John ilustra a complexidade e a esperança que envolvem os casais sorodiscordantes. Jane descobriu ser HIV positiva durante a gravidez, enquanto John testou negativo. Apesar do choque inicial e do medo do estigma e do abandono, o casal, com honestidade e apoio mútuo, demonstrou como é possível viver uma vida plena e normal. Eles buscaram aconselhamento e adotaram as medidas de prevenção necessárias.

Para maximizar a probabilidade de um casal sorodiscordante ter filhos HIV negativos, é essencial que o parceiro HIV positivo esteja em uma combinação eficaz de fármacos antirretrovirais e com a carga viral suprimida (indetectável). Quando a carga viral é indetectável, o risco de transmissão sexual do HIV é praticamente nulo, um conceito conhecido como Indetectável = Intransmissível (I=I). Além disso, programas de Prevenção da Transmissão Vertical (PMTCT), que fornecem tratamento antirretroviral a gestantes que vivem com HIV, são cruciais para garantir que a criança nasça livre do vírus.

A falta de divulgação do status sorológico entre parceiros, muitas vezes por medo do abandono, aumenta significativamente o risco de novas infecções por HIV. A honestidade e o acesso a aconselhamento e testes gratuitos, como os oferecidos em muitos países com apoio de organizações como o Fundo Global de Luta contra a AIDS, Tuberculose e Malária, UNAIDS e OMS, são vitais para a saúde pública e para a manutenção de relacionamentos saudáveis.

A experiência de Jane e John, que resultou no nascimento de uma filha saudável e HIV negativa após anos de tentativas e adesão rigorosa ao tratamento e aconselhamento, é um testemunho de que 'coisas boas sempre acontecerão se você responde positivamente às suas situações e circunstâncias'. O apoio do parceiro, o comprometimento com a medicação e a busca por informações e cuidados são pilares para uma vida com qualidade, mesmo diante do HIV.

Perguntas Frequentes sobre Medicamentos para HIV

Os medicamentos antirretrovirais curam o HIV?
Não. Os medicamentos antirretrovirais não matam o HIV nem o curam. Eles atuam impedindo a multiplicação do vírus no organismo, controlando a infecção e permitindo que o sistema imunológico se recupere, o que melhora significativamente a qualidade e expectativa de vida da pessoa.
Por que o Brasil distribui esses medicamentos gratuitamente?
Desde 1996, o Brasil distribui gratuitamente o coquetel antiaids pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para todos que necessitam do tratamento. Essa política visa garantir o acesso universal à terapia, considerada um direito fundamental à saúde, e é crucial para o controle da epidemia no país.
O que acontece se eu esquecer de tomar uma dose?
A adesão rigorosa ao tratamento é fundamental. Se você esquecer ou perder uma dose, deve entrar em contato com seu médico ou farmacêutico o mais rápido possível para receber orientação. Interromper ou falhar em tomar as doses corretamente pode levar à resistência do vírus aos medicamentos, diminuindo as opções de tratamento futuras.
Posso tomar álcool ou outros medicamentos enquanto faço o tratamento?
É crucial discutir com seu médico e farmacêutico sobre o consumo de álcool, drogas ilícitas e qualquer outro medicamento (mesmo sem prescrição) ou suplemento. Muitas substâncias podem interagir com os antirretrovirais, diminuindo sua eficácia ou causando efeitos colaterais perigosos. A comunicação aberta é essencial para a sua segurança e o sucesso do tratamento.
É possível um parceiro ser HIV positivo e o outro negativo?
Sim, essa situação é chamada de 'casal sorodiscordante'. É possível e relativamente comum. Com o tratamento antirretroviral eficaz do parceiro HIV positivo, que leva a uma carga viral indetectável, o risco de transmissão para o parceiro HIV negativo é praticamente nulo (Indetectável = Intransmissível).

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