23/03/2025
No cenário atual da saúde, a busca por bem-estar e soluções terapêuticas vai além das farmácias e da medicina convencional. Cada vez mais, as medicinas alternativas e não convencionais emergem como um pilar fundamental na abordagem holística da saúde, oferecendo caminhos distintos para a prevenção e tratamento de diversas condições. Se a sua paixão reside nesta área e o seu espírito empreendedor o impulsiona, este artigo é o seu guia essencial. Abordaremos o que são estas práticas, as vantagens de investir neste setor em Portugal e, crucialmente, desvendaremos o CAE 86906, o código que regulamenta grande parte destas atividades, oferecendo um roteiro detalhado para transformar a sua visão numa clínica de sucesso.

- O que são Medicinas Alternativas e Não Convencionais?
- Desvendando o CAE 86906: O Coração da Regulamentação
- Passos Essenciais para Abrir a Sua Clínica de Terapias Alternativas
- 1. Crie um Plano de Negócios Completo
- 2. Defina a Localização Estratégica do Espaço
- 3. Garanta o Cumprimento das Normas Legais
- 4. Analise o Investimento Necessário
- 5. Formalize a Sua Empresa de Terapias Não Convencionais
- 6. Forme uma Equipa de Terapeutas Especializados
- 7. Dê a Conhecer a Sua Clínica aos Seus Pacientes
- CAE em Contexto: Além do 86906
- Perguntas Frequentes (FAQs)
- O que diferencia a medicina alternativa da convencional?
- É necessário ter formação específica para atuar em terapias alternativas em Portugal?
- Quais são os custos para abrir uma clínica de terapias alternativas?
- O CAE 86906 abrange quais atividades?
- Posso ter outros CAEs além do 86906 na minha clínica?
- Conclusão
O que são Medicinas Alternativas e Não Convencionais?
Consideram-se práticas terapêuticas, terapias e medicinas alternativas ou não convencionais aquelas que partem de uma base filosófica diferente da medicina convencional, aplicando processos específicos de diagnóstico e terapêuticas próprias. Diferentemente da abordagem puramente alopática, estas medicinas frequentemente veem o corpo como um todo interligado, buscando equilibrar energias, estimular a autocura e tratar a causa raiz dos desequilíbios, e não apenas os sintomas.
Algumas das práticas terapêuticas mais conhecidas e que são contempladas pela legislação portuguesa incluem:
- Fitoterapia: Utiliza plantas medicinais para tratamento e prevenção de doenças.
- Acupuntura: Parte da Medicina Tradicional Chinesa, envolve a inserção de agulhas finas em pontos específicos do corpo.
- Homeopatia: Baseia-se no princípio de que “semelhante cura semelhante”, utilizando substâncias altamente diluídas.
- Medicina Tradicional Chinesa (MTC): Um sistema completo de medicina que inclui acupuntura, fitoterapia, dietoterapia, massagem e exercícios.
- Naturopatia: Foca-se na capacidade de autocura do corpo, utilizando métodos naturais como nutrição, ervas e estilo de vida.
- Osteopatia: Uma abordagem manual para diagnosticar e tratar disfunções do corpo, especialmente musculoesqueléticas.
- Quiropraxia: Concentra-se na relação entre a estrutura do corpo (principalmente a coluna) e a função do sistema nervoso.
Apesar de ainda haver alguma relutância em relação à medicina alternativa em alguns círculos, a grande maioria destas práticas é milenar, isto é, começou a ser utilizada há milhares de anos pela humanidade, muitas vezes como a única forma disponível de tratamento e prevenção, utilizando os recursos da natureza.
Desvendando o CAE 86906: O Coração da Regulamentação
Para qualquer empreendedor que deseja atuar no setor de terapias alternativas em Portugal, compreender o Código de Atividade Económica (CAE) é fundamental. O CAE é uma classificação utilizada para identificar e categorizar as atividades económicas desenvolvidas pelas empresas, permitindo a regulamentação, fiscalização e recolha de dados estatísticos. No contexto das medicinas alternativas, o código mais relevante é o CAE 86906.
O CAE 86906 refere-se especificamente a “outras atividades de saúde humana”, abrangendo uma vasta gama de serviços. Segundo a descrição oficial, inclui nomeadamente a fisioterapia, optometria, ortóptica, dietética, hidroterapia, massagem, ginástica médica, terapia, quiropodia, homeopatia, acupunctura, hipoterapia, psicologia e atividades similares, exercidas em consultórios privados, nos postos médicos das empresas, escolas, lares, no domicílio ou noutros locais. Esta amplitude torna o CAE 86906 o ponto de partida para a formalização de clínicas e consultórios de terapias não convencionais.
Importância do CAE na sua Atividade
A escolha correta do CAE é vital por várias razões:
- Regulamentação e Fiscalização: Permite às autoridades regular e fiscalizar as atividades económicas, garantindo que as empresas operam de acordo com a legislação específica do setor da saúde.
- Estatísticas: Facilita a recolha de dados estatísticos sobre a economia do país, auxiliando na tomada de decisões políticas e económicas.
- Benefícios Fiscais e Incentivos: Determina a elegibilidade para determinados benefícios fiscais e incentivos específicos para cada setor económico, que podem ser cruciais para o crescimento do seu negócio.
Passos Essenciais para Abrir a Sua Clínica de Terapias Alternativas
Se tem gosto e interesse por esta área e possui também “veia empreendedora”, veja como abrir uma clínica de terapias alternativas em Portugal, seguindo um roteiro estruturado:
1. Crie um Plano de Negócios Completo
O primeiro passo é solidificar a sua ideia num Plano de Negócios detalhado. Este documento será o mapa para o sucesso da sua clínica, abrangendo:
- Conceito e Objetivos: Em que consiste o negócio, quais os serviços oferecidos e onde pretende chegar.
- Missão e Valores: A identidade da sua clínica, o que a torna única.
- Público-Alvo: Definição clara de quem pretende servir (idade, interesses, necessidades).
- Análise de Mercado e Concorrência: Utilize ferramentas como as análises SWOT (Forças, Fraquezas, Oportunidades, Ameaças) e PEST (Político, Económico, Social, Tecnológico) para entender o ambiente externo e interno.
- Análise Financeira: Estime o investimento necessário, os custos operacionais e projete o lucro potencial, considerando cenários otimistas, pessimistas e realistas.
- Plano de Marketing e Comunicação: Defina como irá atrair clientes, incluindo os 7 P's do marketing-mix (Produto, Preço, Praça, Promoção, Pessoas, Processos, Prova Física).
2. Defina a Localização Estratégica do Espaço
Sendo uma atividade que exige contacto físico com os clientes, a existência de um espaço físico é indispensável. A escolha da localização é crucial. Considere:
- Acesso fácil para o seu público-alvo (transportes públicos, estacionamento).
- Visibilidade e proximidade a áreas de grande movimento, se for relevante para o seu modelo de negócio.
- Capacidade do espaço para acomodar os diferentes serviços e profissionais.
- Ambiente agradável, acolhedor e profissional, que transmita confiança e bem-estar.
- Análise de concorrência na área: há muita oferta ou uma lacuna a preencher?
3. Garanta o Cumprimento das Normas Legais
Antes de iniciar qualquer atividade, é imperativo informar-se e assegurar que cumpre todas as normas legais relacionadas com a abertura e funcionamento de um espaço de terapias alternativas em Portugal. As terapêuticas não convencionais estão enquadradas pela:
- Lei nº 45/2003, de 22 de agosto: Estabelece o regime jurídico das atividades de terapias não convencionais.
- Lei nº 71/2013, de 2 de setembro: Regulamenta a Lei nº 45/2003, detalhando as condições de exercício das profissões das terapêuticas não convencionais.
- Portaria nº 182/2014, de 12 de setembro: Estabelece as obrigações de organização, funcionamento, recursos humanos e instalações da atividade.
É fundamental consultar as portarias associadas a cada tipo de terapêutica não convencional específica que pretende oferecer, pois podem existir requisitos adicionais.
4. Analise o Investimento Necessário
Uma análise financeira rigorosa é essencial. Deve calcular não só o investimento inicial para a criação do consultório, mas também os custos fixos mensais para a manutenção do espaço. Estes valores variam significativamente com o tamanho, localização e ambição do seu projeto.

Custos Iniciais Típicos:
- Aquisição ou arrendamento do imóvel.
- Bens imóveis: mobiliário (receção, salas de tratamento, cadeiras, marquesas).
- Equipamentos profissionais específicos para cada terapia (agulhas para acupuntura, óleos para massagem, etc.).
- Equipamentos informáticos (computador, impressora, TPA).
- Obras de adaptação e decoração do espaço.
- Custos de documentação, legalização e licenciamento da empresa.
Custos Fixos Mensais:
- Renda do espaço e/ou prestação de empréstimo bancário.
- Salários dos colaboradores (terapeutas, rececionistas, pessoal de limpeza).
- Consumíveis (água, luz, internet, telefone).
- Materiais utilizados nos serviços (cremes, rolos de papel, desinfetantes, agulhas, etc.).
- Serviços de limpeza.
- Software de faturação e contabilidade.
- Serviços de contabilidade.
Faça projeções financeiras em cenários otimista, pessimista e realista para se preparar para qualquer eventualidade. Considere também a necessidade de recorrer a fontes de financiamento para novas empresas, se necessário.
5. Formalize a Sua Empresa de Terapias Não Convencionais
Chegou o momento de formalizar a sua empresa de acordo com a legislação portuguesa. Pode optar por abrir a sua empresa de forma particular (como empresário em nome individual ou sociedade) ou através da associação a um franchising de medicinas alternativas. Se optar pela via particular, o CAE 86906 será o código principal a registar na Autoridade Tributária.
Uma empresa pode ter um CAE principal e até 19 CAEs secundários, o que oferece flexibilidade para abranger todas as atividades desenvolvidas. Caso precise alterar o CAE no futuro, é possível fazê-lo através do Portal das Finanças, submetendo uma declaração de alterações de atividade.
6. Forme uma Equipa de Terapeutas Especializados
A qualidade dos serviços prestados dependerá diretamente da competência da sua equipa. O acesso às profissões das terapêuticas não convencionais em Portugal depende da titularidade do grau de licenciado numa das áreas referidas nas práticas contempladas por lei e certificadas pela DGERT (Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho), na sequência de um ciclo de estudos compatível com os requisitos e qualificações fixados.
As profissões de terapêuticas não convencionais atualmente regulamentadas são:
- Acupuntor
- Fitoterapeuta
- Homeopata
- Especialista de Medicina Tradicional Chinesa
- Naturopata
- Osteopata
- Quiroprático
É importante salientar que estes profissionais são obrigados a dispor de um seguro de responsabilidade civil no âmbito da sua atividade profissional. Além dos terapeutas holísticos, para o correto funcionamento da clínica, é crucial contar com uma equipa de apoio, como rececionistas para o atendimento aos pacientes e, idealmente, uma equipa ou serviço focado na gestão da contabilidade e faturação do negócio para otimizar a eficiência.
7. Dê a Conhecer a Sua Clínica aos Seus Pacientes
Ter a melhor clínica não significa nada se ninguém souber da sua existência. O marketing e a comunicação são essenciais, especialmente num setor onde ainda existem muitos mitos e falta de informação. Foque-se em comunicar a sua mensagem de forma clara e eficaz, destacando os benefícios das suas terapias e como elas podem complementar a saúde e o bem-estar dos seus pacientes.
Estratégias eficazes incluem:
- Criação de um website profissional e otimizado para motores de busca.
- Presença ativa nas redes sociais, com conteúdo educativo e informativo.
- Parcerias com outros profissionais de saúde ou bem-estar.
- Realização de workshops ou palestras para educar o público.
- Testemunhos de pacientes satisfeitos.
CAE em Contexto: Além do 86906
Embora o CAE 86906 seja o principal para clínicas de terapias alternativas, é útil entender o sistema CAE de forma mais ampla. O Código de Atividade Económica é fundamental para a organização e regulação de todos os setores económicos em Portugal. Vejamos alguns exemplos de CAEs mencionados no contexto geral:
| CAE | Descrição da Atividade | Relevância para a Saúde/Negócio |
|---|---|---|
| 86906 | Outras atividades de saúde humana (inclui terapias alternativas) | Essencial para clínicas de terapias não convencionais. |
| 70220 | Consultoria em gestão empresarial | Pode ser um CAE secundário para consultores que apoiam clínicas. |
| 69101 | Atividades jurídicas | Relevante para serviços de aconselhamento legal para negócios. |
| 73110 | Agências de publicidade | Para empresas que oferecem serviços de marketing para clínicas. |
Como consultar o CAE da sua empresa? Pode utilizar a plataforma Sistema de Informação da Classificação Portuguesa de Atividades Económicas (SICAE) no site do INE, inserindo o NIF ou a denominação da empresa. Esta plataforma contém dados de todas as empresas e fundações em Portugal.

Perguntas Frequentes (FAQs)
O que diferencia a medicina alternativa da convencional?
A principal diferença reside na base filosófica e nos métodos de tratamento. A medicina convencional foca-se mais no tratamento de doenças específicas e sintomas, muitas vezes com base em intervenções farmacológicas ou cirúrgicas. As medicinas alternativas, por outro lado, tendem a abordar a saúde de forma mais holística, buscando equilibrar o corpo, mente e espírito, e utilizando métodos naturais para estimular a capacidade de autocura do organismo. Embora distintas, muitas vezes podem ser complementares.
É necessário ter formação específica para atuar em terapias alternativas em Portugal?
Sim, é absolutamente necessário. A Lei nº 71/2013 e a Portaria nº 182/2014 regulamentam o acesso às profissões das terapêuticas não convencionais. É exigida a titularidade de um grau de licenciado em uma das áreas reconhecidas por lei e certificadas pela DGERT, seguindo um ciclo de estudos compatível com os requisitos e qualificações fixados. Além disso, os profissionais devem possuir um seguro de responsabilidade civil.
Quais são os custos para abrir uma clínica de terapias alternativas?
Os custos variam significativamente. Inicialmente, envolvem a aquisição ou arrendamento do espaço, mobiliário, equipamentos profissionais, sistemas informáticos e custos de legalização. Mensalmente, terá despesas com renda, salários, materiais de consumo, água, luz, internet e serviços de contabilidade. É crucial realizar um plano financeiro detalhado para estimar esses valores com precisão.
O CAE 86906 abrange quais atividades?
O CAE 86906, "Outras atividades de saúde humana", é bastante abrangente. Inclui, mas não se limita a, fisioterapia, optometria, ortóptica, dietética, hidroterapia, massagem, ginástica médica, terapia, quiropodia, homeopatia, acupunctura, hipoterapia, psicologia e atividades similares. Essencialmente, abrange a maioria das terapias não convencionais reconhecidas em Portugal quando exercidas em consultórios privados ou outros locais de prestação de serviços de saúde.
Posso ter outros CAEs além do 86906 na minha clínica?
Sim, uma empresa pode ter um CAE principal e até 19 CAEs secundários. Isto é útil se a sua clínica oferecer serviços adicionais que se enquadrem em outros códigos, como, por exemplo, venda de produtos relacionados com as terapias (suplementos fitoterápicos, etc., se permitido pela legislação específica) ou serviços de consultoria. O importante é que o CAE principal represente a atividade predominante e os secundários reflitam as atividades complementares.
Conclusão
O setor das medicinas alternativas em Portugal está em plena ascensão, impulsionado por uma crescente procura por abordagens mais integrativas da saúde e bem-estar. Abrir uma clínica neste segmento, devidamente enquadrada pelo CAE 86906, representa uma oportunidade de empreendedorismo promissora e com grande impacto social. Com um plano de negócios sólido, o cumprimento rigoroso da legislação, uma equipa qualificada e uma estratégia de comunicação eficaz, estará bem posicionado para transformar a sua paixão em um negócio de sucesso, contribuindo significativamente para a saúde e qualidade de vida da comunidade. O caminho pode parecer complexo, mas com informação e dedicação, o sucesso está ao seu alcance.
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