Quais são os métodos contraceptivos que existem?

Métodos Contraceptivos: Um Guia Abrangente

01/02/2024

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A contraceção é um pilar fundamental do planeamento familiar, permitindo às mulheres e casais controlarem a ocorrência da gravidez. A diversidade de métodos contracetivos disponíveis hoje oferece a possibilidade de uma escolha verdadeiramente individualizada, adaptada ao perfil psicológico e físico de cada mulher. No entanto, esta escolha deve ser sempre precedida de um aconselhamento médico detalhado, onde são apresentadas as classificações, vantagens, desvantagens, riscos, benefícios e contraindicações de cada opção. Esta coordenação entre o desejo individual e a orientação profissional é crucial para garantir a boa adesão ao método e, consequentemente, a sua eficácia.

Quais são os métodos contraceptivos que existem?

A adoção de estratégias eficazes de planeamento familiar não só diminui o risco de gravidezes não desejadas, como também contribui para a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DST), melhorando significativamente o bem-estar e a saúde da mulher em todas as fases da sua vida. Este princípio é especialmente relevante na adolescência, onde as medidas preventivas assumem uma importância particular.

Índice de Conteúdo

Tipos de Métodos Contracéticos Femininos

Em Portugal, a utilização de métodos contracetivos é vasta entre as mulheres em idade fértil, sendo os mais comuns a contraceção hormonal combinada oral, o preservativo e o dispositivo intrauterino (DIU). Os principais tipos de métodos contracetivos femininos incluem:

  • Contraceção hormonal combinada (CHC)
  • Contraceção progestativa
  • Dispositivo intrauterino (DIU)
  • Métodos de barreira
  • Métodos naturais
  • Esterilização

1. Contraceção Hormonal Combinada (CHC)

A contraceção hormonal combinada, popularmente conhecida como “pílula” na sua forma oral, contém dois tipos de hormonas: estrogénio e progestativo. A forma oral implica a toma diária de um comprimido durante 3 semanas, seguida de uma pausa de 1 semana. Contudo, existem outras vias de administração, como veremos adiante.

O estrogénio mais comum é o etinilestradiol, um estrogénio sintético. A dose de estrogénio é um fator crucial, pois pode influenciar riscos e efeitos secundários. Ao longo dos anos, tem-se observado uma diminuição progressiva desta dose, sendo que os contracetivos atuais são de baixa dose (15, 20, 30 ou 35 microgramas). O progestativo, por sua vez, é a hormona responsável por inibir a ovulação e prevenir a gravidez, existindo vários tipos com características e efeitos distintos.

A dosagem das hormonas pode ser constante (contraceção monofásica) ou variar ao longo do mês (contraceção multifásica). Atualmente, a variedade de CHC é enorme, diferindo em efeitos, dosagens, vias de administração e duração. Embora nenhum tipo de CHC seja superior a outro em eficácia se tomado corretamente, a escolha ideal depende das características individuais de cada mulher. Este método pode ser usado desde a menarca até à menopausa, respeitando as exigências da CHC.

1.1. Vantagens da CHC

A CHC é indicada para mulheres que procuram uma contraceção reversível, segura e independente do coito. Os seus benefícios não contracetivos incluem:

  • Regularização dos ciclos menstruais (tornando-os regulares e previsíveis).
  • Melhora da dismenorreia (dor na menstruação).
  • Diminuição do fluxo menstrual.
  • Alívio dos sintomas pré-menstruais.
  • Melhora da acne e do hirsutismo.
  • Controlo do aparecimento de quistos do ovário funcionais.
  • Diminuição do risco de incidência e gravidade dos sintomas associados aos miomas uterinos.
  • Redução do risco de cancro do ovário e do endométrio.
  • Controlo e melhoria dos sintomas de doenças agravadas pela menstruação, como a endometriose.

1.2. Desvantagens da CHC

Alguns efeitos indesejados podem ocorrer com a CHC:

  • Hemorragias entre as menstruações (“spotting”), geralmente de sangue escuro e em pequena quantidade.
  • Ausência de menstruação (hemorragia de privação) durante a pausa.
  • Náuseas e vómitos.
  • Mastodinia (dor mamária).
  • Cefaleias (dor de cabeça).
  • Aumento de peso (1 a 2 Kg).
  • Alteração do humor (depressão).

É fundamental discutir estes efeitos com o médico para confirmar a correta utilização, excluir outras patologias e ajustar a hormona, dose ou via de administração, se necessário.

1.3. Riscos Associados à CHC

Antes de iniciar a CHC, é essencial uma avaliação clínica para identificar contraindicações. A reavaliação periódica é igualmente importante para monitorizar efeitos indesejáveis ou o surgimento de novas condições que justifiquem a interrupção. Os riscos associados às hormonas da CHC incluem:

  • Tromboembolismo venoso: Raro, mas associado ao componente estrogénico. Alguns progestativos podem aumentar este efeito.
  • Enfarte agudo do miocárdio: Risco aumentado em mulheres fumadoras com mais de 35 anos.
  • Cancro da mama: O papel da contraceção combinada é controverso, mas parece ser um cofator para o seu desenvolvimento.

A eficácia da CHC pode ser comprometida pela interação com certos fármacos (antiepiléticos, antivirais), assim como a CHC pode interferir na eficácia de outros medicamentos (antiepiléticos, antidepressivos, imunossupressores).

1.4. Contraindicações Absolutas da CHC

São contraindicações absolutas para a CHC:

  • Vários fatores de risco para doença cardiovascular (tabagismo, obesidade).
  • Hipertensão arterial não controlada.
  • Antecedentes de enfarte agudo do miocárdio ou doença coronária.
  • Antecedentes de acidente vascular cerebral (AVC).
  • Diabetes associada a doença vascular.
  • Enxaqueca com aura, em qualquer idade.
  • Antecedentes ou fase aguda de tromboembolismo venoso.
  • Cirrose hepática, hepatite vírica aguda, adenoma hepático e cancro do fígado.
  • Lúpus eritematoso sistémico com anticorpo fosfolipídico positivo.
  • Alterações genéticas trombogénicas (trombofilias).

Em outras doenças, a utilização deve ser cuidadosamente avaliada, ponderando os benefícios e riscos.

1.5. Mitos Comuns sobre a CHC

Com o avanço da ciência e das formulações modernas, alguns mitos sobre a CHC foram desmistificados:

  • Interrupção ocasional da CHC: Não existe indicação nem vantagem em interromper a CHC. Pausas não indicadas podem aumentar o risco de gravidez não planeada.
  • Diminuição da fertilidade futura: A CHC não diminui a fertilidade futura da mulher. A capacidade de engravidar é retomada imediatamente após a suspensão.
  • Toma contínua da CHC: A administração contínua, sem pausa, não é contraindicada. Em algumas situações clínicas, este esquema é até recomendado para controlo de sintomas ou agravamento de doenças, embora possa estar associado a “spotting”.

1.6. Vias de Administração da CHC

A CHC pode ser administrada de diversas formas:

  • Oral (pílula): Toma diária de um comprimido durante 3 semanas, seguida de 1 semana de pausa para a hemorragia de privação. Existem formulações contínuas de 28 dias. O esquecimento da toma é a principal desvantagem.
  • Transdérmica (selos): Colocação de um selo semanalmente durante 3 semanas, seguida de 1 semana sem aplicação. Sintomas como mastodinia e cefaleias podem ser mais frequentes.
  • Vaginal (anel vaginal): Introdução de um anel maleável na vagina a cada 3 semanas, seguido de 1 semana de intervalo. Fácil colocação e remoção pela própria mulher. Pode causar corrimento vaginal, necessidade de manipulação genital e receio de desconforto.

Os métodos transdérmico e vaginal reduzem a probabilidade de esquecimento, pois não exigem toma diária, sendo vantajosos para mulheres com dificuldade em cumprir a pílula diária, com problemas de deglutição, antecedentes de cirurgia bariátrica, doença inflamatória intestinal, diarreias crónicas ou polimedicadas.

2. Contraceção Progestativa

A contraceção progestativa consiste na administração contínua de um progestativo. Com a evolução dos progestativos e das vias de administração, esta opção tornou-se eficaz e segura. O progestativo atua inibindo a ovulação e alterando as características do muco cervical e do endométrio para prevenir a gravidez. Pode ser administrado por via oral, parentérica (injetável), subcutânea ou intrauterina (SIU).

2.1. Vantagens da Contraceção Progestativa

É um método seguro, reversível e independente da atividade sexual. A sua grande vantagem é evitar os riscos associados aos estrogénios, sendo uma alternativa para mulheres com intolerância (náuseas, vómitos, cefaleias) ou contraindicação para o seu uso. É indicada em casos de antecedentes de tromboembolismo venoso, fumadoras (em qualquer idade), hipertensão arterial controlada, síndrome pré-menstrual e cefaleias na menstruação. É também o método de eleição durante a amamentação.

2.2. Desvantagens da Contraceção Progestativa

A principal desvantagem é o padrão de hemorragias imprevisível, podendo a mulher ter amenorreia (ausência de menstruação) ou perdas de sangue irregulares. Estas irregularidades são mais comuns nos primeiros meses e tendem a diminuir com o uso contínuo. Pode estar associada a mastodinia, acne, aumento de peso e alterações de humor (depressão).

2.3. Contraindicações da Contraceção Progestativa

Contraindicada em casos de trombose venosa ou embolia pulmonar ativa, tumores hepáticos (benignos ou malignos), cirrose hepática descompensada, lúpus eritematoso sistémico com anticorpo antifosfolipídico positivo e cancros hormonodependentes (mama, meningioma). Deve ser suspensa se surgirem doenças isquémicas cardíacas, AVC ou cefaleias intensas/com aura durante a toma.

2.4. Vias de Administração da Contraceção Progestativa

  • Oral: Toma diária contínua de 1 comprimido de desogestrel. Útil no controlo de menorragias, anemia e endometriose. Interage com alguns fármacos (antivirais, antiepiléticos, antibióticos).
  • Injetável: Administração intramuscular de acetato de medroxiprogesterona (150 mg) a cada 12 semanas. Vantagens: não depende da utilização diária da mulher, longa duração, sem interação com outros medicamentos. Indicado para epilepsia ou doença hemolítica. Desvantagens: diminuição da massa óssea (geralmente reversível), atraso na retoma da fertilidade, necessidade de deslocação a instituição de saúde.
  • Subcutânea (Implante): Colocação de um implante sob a pele com etonogestrel, com efeito contracetivo por 3 anos. Colocação e remoção simples, com anestesia local. Vantagens: longa duração, não depende da utilização diária. Indicado para mulheres com dificuldade em cumprir outros métodos. Em mulheres obesas (IMC > 30), a eficácia pode diminuir no terceiro ano. Interage com alguns medicamentos.
  • Intrauterina (SIU): Dispositivo com levonorgestrel colocado na cavidade uterina, com libertação hormonal local e absorção sistémica mínima. Existem dois tipos: SIU de menor dose (13,5 mg, 3 anos, para mulheres sem gravidezes anteriores) e SIU de maior dose (52 mg, 5 anos). A colocação requer observação ginecológica prévia para diminuir riscos de perfuração ou infeção. Vantagens: longa duração, não depende da utilização diária. Ajuda a diminuir o fluxo menstrual e controlar hemorragias uterinas anormais, dismenorreias, endometriose e adenomiose. Riscos: expulsão (mais frequente no primeiro ano e em nulíparas), falha do método se mal posicionado. Contraindicado em malformações uterinas, doença inflamatória pélvica ativa/recorrente, doença maligna do trofoblasto, cancro do endométrio e cancro da mama com recetores hormonais positivos.

3. Dispositivo Intrauterino (DIU) Não Hormonal

O DIU não hormonal é feito de cobre e é introduzido na cavidade uterina. O seu mecanismo de ação cria uma reação de toxicidade para o esperma e óvulo, dificultando a gravidez e a fecundação, e uma reação no endométrio que impede a implantação. É eficaz por 10 anos.

3.1. Vantagens do DIU de Cobre

É um método eficaz, seguro, de longa duração, reversível e independente da utilização correta pela mulher. É particularmente indicado para mulheres que desejam ou precisam de uma contraceção não hormonal. Pode ser utilizado como contraceção de emergência.

3.2. Desvantagens do DIU de Cobre

A principal desvantagem é o aumento do fluxo menstrual e da dismenorreia (dor na menstruação), devido à reação inflamatória no útero.

3.3. Contraindicações do DIU de Cobre

Contraindicado em malformações uterinas que deformem a cavidade, doença inflamatória pélvica ativa, doença maligna do trofoblasto, hemorragias uterinas de causa não esclarecida, doença de Wilson ou alergia ao cobre. Em doentes imunodeprimidos, o risco deve ser ponderado em relação ao benefício.

3.4. Riscos Associados ao DIU de Cobre

Na introdução, existe o risco de perfuração do útero. Em casos de infeção ginecológica prévia, pode ocorrer disseminação. O DIU pode ser expulso (mais comum no primeiro ano e em nulíparas com menos de 25 anos). Se não estiver bem posicionado, há risco de falha do método.

4. Métodos de Barreira

Os métodos de barreira impedem a passagem dos espermatozoides para o útero, prevenindo a gravidez. São facilmente acessíveis e incluem métodos mecânicos (preservativo masculino e feminino) e químicos (espermicida). Não são recomendados como método isolado quando a gravidez é contraindicada, devido à sua maior taxa de falhas.

4.1. Preservativo Masculino

Pode ser de látex ou poliuretano. O de látex é o mais comum e barato. O de poliuretano tem menor risco de alergia e maior sensibilidade, mas pode romper ou deslocar-se mais facilmente. Previme infeções sexualmente transmissíveis (ISTs) como VIH, HPV, hepatite B, clamídia, gonorreia, sífilis e herpes genital. Vantagens: sem efeitos secundários, fácil utilização. Desvantagens: eficácia dependente da utilização correta e sistemática (antes da penetração), taxa de falha de 3 a 14%, risco de rutura/deslocação, alergia ao lubrificante ou látex. Precauções: usar lubrificantes aquosos com preservativos de látex, cremes vaginais podem danificar, respeitar a validade.

4.2. Preservativo Feminino

Cilindro fechado na porção distal, introduzido na vagina, com um anel flexível que adere à vulva. Feito de poliuretano. Pode ser inserido até 8 horas antes da relação. Previne ISTs. Vantagens: sem efeitos secundários, permite lubrificantes oleosos, mais resistente que o preservativo masculino de látex. Desvantagens: requer aprendizagem da colocação, taxa de falha de 5 a 20%, mais caro. Não deve ser usado simultaneamente com o preservativo masculino devido ao risco de aderência.

4.3. Espermicida

Substância química que destrói os espermatozoides, aplicada profundamente na vagina antes de cada relação sexual. Em Portugal, disponível como cloreto de benzalcónico (comprimidos vaginais). Pouco eficaz isoladamente, devendo ser associado a outro método contracetivo. Não protege contra ISTs. Vantagens: fácil utilização, pode melhorar a lubrificação, sem efeitos secundários sistémicos. Desvantagens: baixa eficácia, dependente da utilização correta, pode causar reação alérgica ou irritativa, aumenta o risco de infeções urinárias. Alguns requerem aplicação 10 minutos antes da ejaculação e não permitem duches vaginais nas 6 horas seguintes. Não deve ser usado em mulheres com risco acrescido de infeção por VIH.

5. Métodos Naturais

Baseiam-se na identificação das fases férteis do ciclo menstrual, exigindo que a mulher reconheça o seu período fértil com base em alterações fisiológicas e no conhecimento da viabilidade do óvulo (cerca de 2 dias pós-ovulação) e do espermatozoide (3 a 5 dias pós-ejaculação). Durante o período fértil, é necessária abstinência sexual ou o uso de um método de barreira. São pouco eficazes e não protegem contra ISTs.

5.1. Tipos de Métodos Naturais

  • Método do Calendário: Período fértil identificado com base na duração dos 6 ciclos anteriores. Pouco fiável em ciclos irregulares.
  • Método da Temperatura Basal: Baseia-se no aumento da temperatura basal (cerca de 0,5ºC) após a ovulação. Relações sexuais desprotegidas só devem ocorrer 3 dias após a elevação da temperatura.
  • Método do Muco Cervical: As características do muco cervical mudam na peri-ovulação (mais claro, abundante, elástico). O período fértil começa quando o muco adquire estas características e termina 3 dias após o seu desaparecimento.
  • Método Sintotérmico: Combinação da temperatura basal e do muco cervical.
  • Método do Dia Standard: Define o período fértil do 8º ao 19º dia do ciclo. Apenas para mulheres com ciclos de 26 a 32 dias.
  • Amenorreia Lactacional: Utilizável quando a mulher está em amenorreia, amamenta em exclusivo (intervalo entre mamadas inferior a 6 horas) e a criança tem menos de 6 meses.
  • Coito Interrompido: Requer autocontrolo masculino, mas tem baixa eficácia e não protege contra ISTs.

6. Esterilização

A esterilização é uma intervenção definitiva para evitar a gravidez, indicada para mulheres que não desejam mais filhos ou em quem a gravidez é contraindicada. A Legislação Portuguesa (Lei 3/84 – Art.º 10.º) permite a esterilização voluntária em mulheres com mais de 25 anos; o limite de idade é dispensado por indicação médica.

A taxa de arrependimento é maior em idades precoces (menos de 30 anos), no pós-parto, em nulíparas e em casos de problemas conjugais. Cirurgias de reversão têm baixa taxa de sucesso e maior risco de complicações. Como alternativa, pode-se recorrer a técnicas de procriação medicamente assistida. A esterilização pode ser feminina (laqueação de trompas) ou masculina (vasectomia), ambos métodos definitivos.

6.1. Laqueação de Trompas

Cirurgia em que as trompas são seccionadas ou ocluídas bilateralmente, impedindo a passagem do espermatozoide. Pode ser realizada por laparotomia ou, mais frequentemente, por laparoscopia. Procedimentos geralmente simples e em regime de ambulatório. É um método muito eficaz, dependente da técnica cirúrgica. Vantagens: seguro, eficaz, definitivo, sem efeitos secundários ou hormonais. Desvantagens: riscos cirúrgicos (infeção, hemorragia, etc.).

7. Contraceção de Emergência

Também conhecida como “pílula do dia seguinte” ou contraceção pós-coital, é utilizada após uma relação sexual desprotegida ou falha/suspeita de falha do método contracetivo. Deve ser usada excecionalmente, sendo uma oportunidade para readequar o método contracetivo da mulher.

A eficácia é difícil de quantificar, mas quanto mais cedo for administrada, maior a taxa de sucesso. Pode ser utilizado o progestativo levonorgestrel (até 72 horas após a relação) ou o acetato de ulipristal (atividade mais intensa, até 5 dias após). Estes medicamentos visam inibir a ovulação. Efeitos secundários: náuseas, vómitos, cefaleias, dores pélvicas, metrorragia. A menstruação geralmente surge 3 semanas após a toma.

Como alternativa de emergência, o dispositivo intrauterino de cobre pode ser colocado até 7 dias após a relação sexual para prevenir a implantação. A sua colocação pode estar associada a dor abdominal, hemorragia uterina, infeção, perfuração do útero ou expulsão.

Se não ocorrer menstruação nas 3 semanas seguintes à contraceção de emergência, um teste de gravidez deve ser realizado para confirmação e identificação precoce de uma possível gravidez.

Perguntas Frequentes (FAQ) sobre Contraceção

A seguir, respondemos a algumas das perguntas mais comuns sobre métodos contracetivos, com base nas informações detalhadas acima:

1. A pílula contracetiva afeta a fertilidade futura de uma mulher?

Não, a pílula contracetiva não diminui a fertilidade futura da mulher. A capacidade de engravidar é retomada de forma imediata assim que a toma é suspensa. Este é um mito comum que não corresponde à realidade científica atual.

2. Qual a diferença principal entre a contraceção hormonal combinada e a contraceção progestativa?

A contraceção hormonal combinada (CHC) contém dois tipos de hormonas (estrogénio e progestativo), enquanto a contraceção progestativa contém apenas progestativo. Esta diferença é crucial, pois a contraceção progestativa é uma alternativa para mulheres com intolerância ou contraindicação aos estrogénios, como fumadoras, mulheres com antecedentes de tromboembolismo venoso ou durante a amamentação.

3. O preservativo protege contra todas as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs)?

O preservativo, tanto masculino quanto feminino, é o único método contracetivo que oferece proteção contra a maioria das infeções sexualmente transmissíveis (ISTs), incluindo VIH, HPV, hepatite B, clamídia, gonorreia, sífilis e herpes genital. Contudo, nenhum método é 100% infalível, e a proteção depende da sua correta e consistente utilização.

4. O Dispositivo Intrauterino (DIU) de cobre causa dor durante a menstruação?

Sim, uma das principais desvantagens do DIU de cobre é que pode estar associado a um aumento do fluxo menstrual e a dismenorreia (dor na menstruação), devido à reação inflamatória que ocorre no útero como resposta à sua presença.

5. Posso usar métodos naturais de contraceção se tiver ciclos menstruais irregulares?

Para a correta utilização dos métodos naturais, como o do calendário, da temperatura basal ou do muco cervical, são necessários vários ciclos para aprender a identificar o período fértil. Em casos de ciclos irregulares, esta identificação pode ser extremamente difícil e, por isso, estes métodos são considerados pouco eficazes e não recomendados para mulheres com ciclos imprevisíveis.

6. A esterilização feminina (laqueação de trompas) é reversível?

A esterilização, seja feminina (laqueação de trompas) ou masculina (vasectomia), é considerada um método definitivo de contraceção. Embora existam cirurgias que visam a reversão, a taxa de sucesso é baixa e podem estar associadas a maiores riscos de complicações. Em caso de arrependimento, o casal pode recorrer a técnicas de procriação medicamente assistida para tentar engravidar.

7. Em que situações devo recorrer à contraceção de emergência?

A contraceção de emergência deve ser utilizada quando ocorre uma relação sexual desprotegida ou há suspeita de falha do método contracetivo regular. É importante salientar que este método deve ser utilizado de forma excecional e não como um método contracetivo rotineiro. Quanto mais cedo for administrada após a relação sexual, maior a sua taxa de sucesso.

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