São substâncias depressoras?

Desvendando os Fármacos do Sistema Nervoso Central

07/08/2022

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O sistema nervoso central (SNC) é o complexo centro de comando do nosso corpo, responsável por regular todas as funções vitais, emoções, pensamentos e movimentos. Distúrbios que afetam o SNC, como depressão, ansiedade, esquizofrenia e doenças neurodegenerativas, podem ter um impacto devastador na qualidade de vida. Felizmente, a farmacologia moderna oferece uma vasta gama de medicamentos capazes de modular a atividade cerebral e aliviar esses sintomas. No Brasil, a comercialização desses fármacos, classificados como psicotrópicos e entorpecentes, é estritamente regulada pela Portaria nº 344/1998 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), dada a sua capacidade de promover dependência física ou psíquica.

Quais são os medicamentos do sistema nervoso?
Os principais fármacos utilizados com esses propósitos são os benzodiazepícos, barbitúricos e compostos \u201cZ\u201d, todos atuando em nível do receptor GABAA. O ácido \u03b3-aminobutírico (GABA) é o principal neurotransmissor inibitório do SNC, atuando em nível de três receptores, sendo o GABAA o mais abundante.

Neste artigo, vamos mergulhar no mundo dos principais fármacos com ação no SNC, compreendendo como eles atuam nos complexos sistemas de neurotransmissão, quais são seus efeitos farmacológicos e clínicos, e os potenciais efeitos adversos. Prepare-se para desvendar os segredos da mente e da medicina que a influencia.

Índice de Conteúdo

Neurotransmissão no Sistema Nervoso Central

Para entender como os medicamentos atuam no SNC, é fundamental conhecer o papel dos neurotransmissores. Estas são pequenas moléculas sinalizadoras, sintetizadas nos neurônios, que permitem a comunicação entre as células nervosas, glândulas e músculos. Eles atuam estimulando ou inibindo a transmissão nervosa após se ligarem a receptores específicos em outro neurônio. A maioria dos psicotrópicos exerce seus efeitos alterando essa delicada neurotransmissão.

Os neurônios pré-sinápticos sintetizam e armazenam neurotransmissores em vesículas nas terminações sinápticas. Quando um potencial de ação é deflagrado, ocorre a exocitose, liberando os neurotransmissores na fenda sináptica. No neurônio pós-sináptico, essas moléculas ativam canais iônicos regulados por ligante ou receptores acoplados à proteína G. Para controlar a duração do efeito, os neurotransmissores podem ser recaptados por proteínas transportadoras na membrana do neurônio pré-sináptico, inativados por enzimas na fenda sináptica, ou captados e degradados por células gliais adjacentes. É crucial notar que os neurotransmissores agem localmente, pois não conseguem atravessar a barreira hematoencefálica.

Alguns dos principais neurotransmissores do SNC incluem:

  • Acetilcolina: Essencial para a manutenção do alerta e vigília, modulação do processamento sensorial e participação nos mecanismos de memória e aprendizagem.
  • Noradrenalina: Influencia o sistema de alerta e vigília, mantendo a atenção, e participa de respostas emocionais aversivas (raiva, agressão) e gratificantes (afeto), além do controle da fome e saciedade.
  • Glutamato: O principal neurotransmissor excitatório do SNC, envolvido desde a ativação mínima de vias de transmissão até processos patológicos de excitação persistente.
  • Dopamina: Fundamental para o controle motor voluntário, motivação, atenção, avaliação da realidade e controle do pensamento.

Os fármacos psicotrópicos geralmente miram três alvos principais: (1) receptores específicos de neurotransmissores, (2) transportadores de membrana, ou (3) enzimas, inibindo a degradação e aumentando a concentração de neurotransmissores na fenda sináptica.

Fármacos Antidepressivos

A depressão maior é uma condição clínica incapacitante, crônica e recorrente, afetando significativamente a vida dos indivíduos. A prevalência é maior em mulheres, e a doença frequentemente é subdiagnosticada e subtratada. A utilização de antidepressivos pode melhorar ou eliminar os sintomas de depressão moderada a grave, mas é vital descartar o diagnóstico de transtorno bipolar antes do tratamento, pois antidepressivos podem desencadear episódios de mania.

As principais classes de antidepressivos são os inibidores da monoamino-oxidase (IMAO), os antidepressivos tricíclicos (ADT) e os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS).

Inibidores da Monoamino-Oxidase (IMAO)

A enzima monoamino-oxidase (MAO) é crucial para a degradação de neurotransmissores como serotonina (5-HT) e noradrenalina (NA). Existem duas isoformas: MAO-A (degrada 5-HT e NA) e MAO-B (seletiva para outras aminas). Fármacos que inibem a MAO-A são eficazes como antidepressivos, enquanto inibidores seletivos da MAO-B são usados na doença de Parkinson.

O efeito farmacológico dos IMAO está ligado ao aumento da concentração citoplasmática e liberação de 5-HT e NA nas terminações nervosas. Com a MAO inibida, mais neurotransmissores ficam disponíveis na fenda sináptica, prolongando sua ação. O principal efeito adverso é a hipotensão. Outros efeitos comuns incluem tremores, insônia, ganho de peso e efeitos anticolinérgicos (boca seca, visão embaçada, retenção urinária). A síndrome serotonínica, causada por excesso de 5-HT, é uma complicação grave, manifestada por confusão, excitação, hiperatividade neuromuscular e hipertermia.

Antidepressivos Tricíclicos (ADT)

Os ADT são amplamente utilizados não apenas para depressão, mas também para dor neuropática, enxaqueca, transtorno obsessivo compulsivo e insônia. Seu mecanismo de ação principal é o aumento da concentração de 5-HT e NA nas fendas sinápticas, através da inibição da recaptação desses neurotransmissores pelos neurônios pré-sinápticos.

Além disso, muitos ADT atuam como antagonistas de receptores H1, 5-HT2A, α1-adrenérgicos e muscarínicos, o que contribui para seus efeitos terapêuticos e adversos. O antagonismo H1 causa sedação, sendo útil para o sono. O antagonismo 5-HT2A também pode melhorar o sono. O bloqueio α1-adrenérgico é responsável pela hipotensão ortostática, um efeito indesejável comum. Efeitos anticolinérgicos, como boca seca, visão borrada e prejuízo da memória, são resultado do antagonismo muscarínico. A interação mais grave é com o etanol, que pode levar à depressão respiratória severa, e também interferem com anti-hipertensivos e IMAO.

Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS)

Os ISRS são frequentemente a primeira escolha para o tratamento da depressão maior, devido à sua maior margem de segurança em comparação com os ADT e IMAO. São também indicados para ansiedade generalizada, síndrome do pânico, transtorno obsessivo compulsivo e desordens alimentares. Por não bloquearem receptores H1, α1-adrenérgicos e muscarínicos, seus efeitos indesejados são menos intensos, o que favorece a adesão do paciente.

Os efeitos colaterais mais comuns dos ISRS incluem distúrbios gastrintestinais, ansiedade, disfunção sexual, prejuízo da cognição, e o risco de síndrome serotonínica e ideação suicida (especialmente no início do tratamento em jovens).

Fármacos Antipsicóticos

Os transtornos psicóticos, como a esquizofrenia, mania (transtorno bipolar) e psicose induzida por substâncias, são condições sérias que afetam a percepção da realidade. Os fármacos disponíveis são classificados como antipsicóticos típicos e atípicos, além dos estabilizadores de humor.

Antipsicóticos Típicos

Esses fármacos induzem seu efeito farmacológico principalmente pelo antagonismo dos receptores D2 pós-sinápticos no prosencéfalo. Embora eficazes, o tratamento crônico exige cautela devido à extensão dos efeitos colaterais. A característica mais proeminente dos antipsicóticos típicos é a capacidade de induzir sintomas extrapiramidais, relacionados ao bloqueio dopaminérgico, sendo mais notável com o haloperidol. Os principais efeitos adversos neurológicos agudos incluem acatisia (incapacidade de ficar parado), parkinsonismo e distonia, que geralmente diminuem com a redução da dose.

Antipsicóticos Atípicos

Também conhecidos como antipsicóticos de segunda geração, promovem antagonismo D2 com menor potência e interagem com outros receptores, variando entre os fármacos. Por exemplo, a clozapina interage com diversos receptores de dopamina (D1, D3, D4), histamina (H1), muscarínicos (M1), serotonina (5-HT2A, 5-HT2C, 5-HT6, 5-HT7) e α1-adrenérgicos. O aripiprazol é um agonista parcial dos receptores D2 e antagonista 5-HT2, caracterizado por menor incidência de efeitos extrapiramidais, ganho de peso e hiperprolactinemia, sendo introduzido quando há intolerância aos outros fármacos devido ao seu custo. Os efeitos adversos mais comuns entre os antipsicóticos atípicos incluem ganho de peso, hiperlipidemia, hiperglicemia e indução de diabetes mellitus tipo 2.

Estabilizadores de Humor

A mania ou transtorno bipolar é uma desordem comportamental que causa alterações extremas no humor, energia e atividade. Há uma carência de fármacos específicos, sendo empregados agentes antipsicóticos, alguns anticonvulsivantes (ácido valproico, carbamazepina, lamotrigina) e o lítio (Li+). As interações medicamentosas do lítio estão ligadas a alterações na cinética de eliminação, já que compete com o Na+ para reabsorção. Diuréticos tiazídicos podem reduzir a depuração do lítio, aumentando sua toxicidade, que também é potencializada com haloperidol, ISRS e anticonvulsivantes.

Fármacos Ansiolíticos, Sedativos e Hipnóticos

A ansiedade é um estado emocional natural, mas pode se tornar patológica quando desproporcional. A sedação refere-se à redução do nível de atividade do paciente, de um estado mínimo de resposta verbal a um profundo sem resposta. Os principais fármacos com esses propósitos são os benzodiazepínicos, barbitúricos e compostos “Z”, todos atuando no receptor GABAA.

O ácido γ-aminobutírico (GABA) é o principal neurotransmissor inibitório do SNC, e sua ativação no receptor GABAA promove a abertura de um canal para Cl-, induzindo um influxo desse íon para os neurônios, resultando em hiperpolarização da membrana e redução da excitabilidade neuronal. A especificidade de ação desses fármacos está ligada às subunidades (α, β, γ) do receptor GABAA.

Benzodiazepínicos

Todos os benzodiazepínicos são moduladores alostéricos do GABA, aumentando a afinidade do neurotransmissor pelo receptor GABAA e intensificando o influxo de Cl-. Uma característica importante é que, mesmo em altas doses, eles não ativam os receptores GABAA na ausência de GABA, nem induzem anestesia cirúrgica isoladamente. Como hipnóticos, reduzem a latência do sono e prolongam o tempo total de sono. Os principais efeitos colaterais são fraqueza, visão borrada, vertigem, sonolência, prejuízo das habilidades psicomotoras e comprometimento cognitivo. As interações medicamentosas mais relevantes envolvem a indução ou inibição de enzimas hepáticas ou efeitos aditivos com outros depressores do SNC, como o etanol.

Quais são os medicamentos do sistema nervoso?
Os principais fármacos utilizados com esses propósitos são os benzodiazepícos, barbitúricos e compostos \u201cZ\u201d, todos atuando em nível do receptor GABAA. O ácido \u03b3-aminobutírico (GABA) é o principal neurotransmissor inibitório do SNC, atuando em nível de três receptores, sendo o GABAA o mais abundante.

Barbitúricos

Após a introdução dos benzodiazepínicos, os barbitúricos foram amplamente substituídos como sedativos e hipnóticos, sendo hoje indicados principalmente como anticonvulsivantes e anestésicos. Eles intensificam a ligação do GABA aos receptores GABAA, aumentando o tempo de abertura do canal de Cl-, o que resulta em depressão em todos os graus do SNC. Em pequenas doses, podem aumentar a reação a estímulos dolorosos, devendo ser evitados em sedação com dor. O efeito hipnótico é semelhante aos benzodiazepínicos, mas desenvolvem rápida tolerância e possuem baixo índice terapêutico, com alto risco de intoxicação grave e morte por depressão respiratória em casos de overdose.

Compostos “Z”

A identificação da subunidade α do receptor GABAA permitiu o desenvolvimento de fármacos hipnóticos seletivos, como zolpidem, zaleplona e zopiclona. Esses compostos “Z” atuam acentuando a corrente de Cl- pelo receptor GABAA, com maior seletividade para aqueles com a subunidade α1. Agem como hipnóticos de curta duração, com reduzido aparecimento de efeitos residuais e pouca atividade sedativa ou ansiolítica. O zolpidem é rapidamente absorvido oralmente. Os efeitos adversos mais comuns incluem alterações gastrintestinais, dores de cabeça e desinibição. A zaleplona tem afinidade similar, mas duração de ação mais curta, sendo contraindicada em pacientes com insuficiência renal, hepática, respiratória, apneia do sono e miastenia grave.

Tratamentos dos Distúrbios Degenerativos do SNC

As doenças degenerativas do SNC são caracterizadas pela perda irreversível de neurônios em regiões cerebrais específicas, com fisiopatologia ligada à neurotransmissão química.

Farmacoterapia da Doença de Parkinson

A doença de Parkinson é um distúrbio crônico e progressivo que afeta principalmente pessoas com mais de 60 anos. Patologicamente, há perda de neurônios dopaminérgicos na substância negra e a presença de corpúsculos de Lewis. Os sintomas surgem com a redução da ativação dos receptores D1 e D2 de dopamina, e o desequilíbrio entre dopamina e acetilcolina no corpo estriado agrava a doença. A farmacoterapia de primeira linha visa restaurar a atividade dopaminérgica (com levodopa ou agonistas dopaminérgicos) e reduzir a neurotransmissão colinérgica.

A levodopa, precursor da dopamina, atravessa a barreira hematoencefálica e é convertida em dopamina nos núcleos da base. Efeitos adversos comuns incluem anorexia, náuseas, vômitos, arritmias cardíacas e discinesias. Interações importantes ocorrem com piridoxina (vitamina B6), que acelera seu metabolismo, e IMAO, que podem induzir crises hipertensivas.

Farmacoterapia da Doença de Alzheimer

A doença de Alzheimer é uma desordem neurodegenerativa multifatorial que causa perda progressiva de capacidade mental, comportamental e funcional. Sua neuropatologia envolve o acúmulo extracelular do peptídio β-amiloide e a hiperfosforilação da proteína tau, levando à disfunção e morte neuronal. O tratamento de primeira linha é a acentuação da neurotransmissão colinérgica remanescente, com inibição das colinesterases para aumentar a concentração de acetilcolina. Todos os anticolinesterásicos melhoram a cognição e funcionalidade em casos leves a moderados. Efeitos colaterais comuns são desconforto gastrintestinal e cãibras. Para casos moderados a graves, a memantina, um antagonista não competitivo dos receptores NMDA para glutamato, é utilizada para manter a função glutamatérgica e reduzir a deterioração clínica.

Fármacos Anticonvulsivantes

A epilepsia é uma doença crônica caracterizada por episódios convulsivos recorrentes, resultantes de uma descarga paroxística e excessiva de neurônios. O tratamento farmacológico visa inibir a despolarização neuronal anômala, potencializando a ação do GABA ou inibindo canais de Na+ ou Ca2+. É aconselhável tratar pacientes com um único fármaco, e a substituição por outro é preferível à adição se as convulsões não forem controladas. A suspensão abrupta do tratamento pode precipitar convulsões mais graves.

Alguns benzodiazepínicos (clonazepam, diazepam) e o barbitúrico fenobarbital são usados para diversos tipos de epilepsias. Carbamazepina e oxcarbazepina são eficazes em convulsões tônico-clônicas e crises parciais, com efeitos indesejados como sonolência, vertigem e ataxia. A fenitoína tem efeito anticonvulsivante sem causar depressão do SNC, mas pode causar arritmias e hipotensão em idosos. O ácido valproico é o anticonvulsivante mais utilizado devido ao seu amplo espectro de ação, atuando na inativação de canais de Na+ e Ca2+ e alterando o metabolismo do GABA. Reações adversas incluem desconforto gastrintestinal e elevação de transaminases hepáticas.

Anestésicos Gerais

A anestesia geral é a perda reversível da consciência e reatividade a estímulos dolorosos intensos, induzida por fármacos que deprimem o SNC. Esses agentes acentuam sinapses inibitórias e inibem as excitatórias, podendo causar depressão profunda do centro respiratório em altas concentrações. Óxido nitroso, xenônio e cetamina inibem receptores NMDA para glutamato, enquanto outros potencializam a ação do GABA nos receptores GABAA. Outro mecanismo envolve a ativação de canais de K+ com domínio de dois poros, reduzindo a excitabilidade da membrana.

Durante a indução anestésica, observa-se redução da pressão arterial por vasodilatação, depressão do miocárdio e diminuição do tônus simpático. A intubação endotraqueal é frequentemente necessária para prevenir aspiração. Anestésicos gerais podem induzir náuseas e vômitos ao agir na zona de gatilho quimiorreceptora.

Anestésicos Intravenosos

Induzem a perda de consciência rapidamente (cerca de 20 segundos) e são preferidos para a indução da anestesia. Não são geralmente indicados para manutenção, exceto o propofol em infusão contínua. O tiopental, um barbitúrico lipossolúvel, tem rápido início de ação, mas pouco efeito analgésico e pode causar depressão respiratória e cardiovascular profunda. O propofol é a escolha para indução devido ao seu rápido metabolismo e distribuição, mas pode induzir vasodilatação, bradicardia e depressão respiratória. O etomidato é usado em procedimentos cirúrgicos rápidos, com recuperação mais veloz que o tiopental.

Anestésicos Inalatórios

Utilizados para a manutenção da anestesia induzida por um anestésico intravenoso, com via principal de administração e eliminação pulmonar. A potência é avaliada pela Concentração Alveolar Mínima (CAM), que inibe a resposta motora a um estímulo doloroso. A profundidade da anestesia depende da pressão parcial do anestésico no cérebro, que se aproxima da pressão parcial no sangue arterial. Fatores como concentração no ar inspirado, ventilação pulmonar, débito cardíaco e solubilidade no sangue afetam essa pressão.

Todos os anestésicos inalatórios reduzem a pressão arterial de forma dose-dependente, com halotano e enflurano reduzindo a contratilidade do miocárdio e aumentando o risco de arritmias. A respiração também é deprimida de forma dose-dependente até a apneia, principalmente pela inibição da resposta ventilatória à hipóxia e hipercapnia. Com exceção do óxido nitroso, apresentam efeito relaxante muscular e potencializam o efeito dos bloqueadores neuromusculares.

Tabela Comparativa: Classes de Fármacos do SNC

Classe de FármacoPrincipal Mecanismo de AçãoPrincipais UsosEfeitos Adversos Comuns
Antidepressivos (IMAO)Inibição da MAO-A, aumenta 5-HT, NADepressãoHipotensão, insônia, síndrome serotonínica
Antidepressivos (ADT)Inibição da recaptação de 5-HT, NA; antagonismo H1, α1, muscarínicoDepressão, dor neuropática, enxaquecaBoca seca, visão borrada, hipotensão ortostática, sedação
Antidepressivos (ISRS)Inibição seletiva da recaptação de 5-HTDepressão, ansiedade, TOC, pânicoDistúrbios GI, disfunção sexual, ansiedade, síndrome serotonínica
Antipsicóticos TípicosAntagonismo de receptores D2Esquizofrenia, psicosesSintomas extrapiramidais (acatisia, parkinsonismo, distonia)
Antipsicóticos AtípicosAntagonismo D2 menos potente; interações com outros receptores (5-HT, H1, etc.)Esquizofrenia, transtorno bipolarGanho de peso, hiperlipidemia, hiperglicemia, diabetes tipo 2
Estabilizadores de Humor (Lítio)Mecanismo complexo, competição com Na+Transtorno bipolar (mania)Nível tóxico se não monitorado, interações com diuréticos
Ansiolíticos/Hipnóticos (Benzodiazepínicos)Modulação alostérica do receptor GABAA (aumenta afinidade do GABA)Ansiedade, insônia, sedação, convulsõesSonolência, prejuízo cognitivo e psicomotor, dependência
Ansiolíticos/Hipnóticos (Barbitúricos)Aumenta tempo de abertura do canal de Cl- no receptor GABAAAnestesia, convulsões (uso limitado)Depressão SNC dose-dependente, tolerância, alto risco de overdose
Ansiolíticos/Hipnóticos (Compostos 'Z')Modulação seletiva do receptor GABAA (subunidade α1)Insônia de curta duraçãoDores de cabeça, distúrbios GI, desinibição
AnticonvulsivantesPotencialização GABA, inibição canais Na+/Ca2+Epilepsia, dor neuropática, transtorno bipolarVariáveis por fármaco (sonolência, ataxia, GI, hepatotoxicidade)
Anestésicos GeraisAcentua sinapses inibitórias, inibe excitatórias (GABAA, NMDA, K+)Indução e manutenção da anestesiaHipotensão, depressão respiratória, náuseas, vômitos

Perguntas Frequentes sobre Fármacos do Sistema Nervoso Central

O que são psicotrópicos?

Psicotrópicos são fármacos que atuam no sistema nervoso central, alterando o humor, o pensamento, a percepção e o comportamento. Eles são utilizados para tratar uma ampla gama de condições psiquiátricas e neurológicas, como depressão, ansiedade, esquizofrenia e transtornos do sono.

Esses medicamentos podem causar dependência?

Sim, muitos fármacos que atuam no SNC, especialmente os ansiolíticos (como benzodiazepínicos e barbitúricos) e alguns analgésicos opióides (que também atuam no SNC), têm potencial para causar dependência física e/ou psíquica. Por isso, seu uso é estritamente regulamentado e deve ser feito sob supervisão médica rigorosa, seguindo as diretrizes de dosagem e duração do tratamento.

Qual a diferença entre antidepressivos e ansiolíticos?

Antidepressivos são principalmente usados para tratar a depressão e outros transtornos de humor, atuando na regulação de neurotransmissores como serotonina e noradrenalina para melhorar o humor e a energia. Ansiolíticos, por outro lado, são destinados a reduzir a ansiedade e promover relaxamento, frequentemente agindo no sistema GABA para diminuir a excitabilidade cerebral. Embora alguns antidepressivos possam ter efeitos ansiolíticos, e vice-versa, suas indicações primárias e mecanismos de ação são distintos.

É seguro consumir álcool com medicamentos para o SNC?

Não. O consumo de álcool (etanol) em conjunto com a maioria dos medicamentos que atuam no SNC é fortemente desaconselhado. O álcool é um depressor do SNC e pode potencializar os efeitos sedativos e depressores respiratórios desses fármacos, levando a sonolência excessiva, sedação profunda, depressão respiratória grave e até coma, aumentando significativamente o risco de overdose e complicações fatais.

Como a Portaria 344/98 da ANVISA regula esses medicamentos?

A Portaria nº 344/1998 da ANVISA estabelece as listas de substâncias sujeitas a controle especial no Brasil, incluindo os psicotrópicos e entorpecentes. Ela define as regras para a prescrição, dispensação, produção, controle e fiscalização desses medicamentos, exigindo receituários específicos (como a receita amarela para entorpecentes e a azul para psicotrópicos), controle de estoque e retenção de receita, tudo para garantir o uso racional e prevenir o abuso e o desvio desses fármacos.

Os medicamentos que atuam no sistema nervoso central são ferramentas poderosas e complexas no arsenal da medicina, capazes de transformar a vida de pacientes com distúrbios neurológicos e psiquiátricos. No entanto, a sua complexidade exige um profundo conhecimento de seus mecanismos, efeitos e riscos. A compreensão da neurotransmissão, dos diferentes grupos farmacológicos e de suas interações é fundamental para garantir um tratamento seguro e eficaz. Lembre-se sempre de que a automedicação é perigosa e que o acompanhamento de um profissional de saúde é indispensável para o uso adequado e responsável desses fármacos.

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