Quais são os tipos de doenças mais graves?

As Doenças Mais Graves: Um Olhar da OMS

27/03/2022

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A saúde global está em constante evolução, e a compreensão das principais ameaças à vida humana é fundamental para direcionar esforços de prevenção e tratamento. Em 9 de dezembro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou as Estimativas Globais de Saúde de 2019, um relatório abrangente que lança luz sobre as tendências de mortalidade e morbidade entre 2000 e 2019. Este documento revela uma mudança significativa no panorama das doenças que mais afetam a humanidade, com as condições crônicas não transmissíveis assumindo um papel cada vez mais dominante.

Quais são os tipos de doenças mais graves?
Doença cardíaca continua sendo a principal causa de morte; diabetes e demência entram na lista. A doença cardíaca permanece a principal causa de morte em todo o mundo nos últimos 20 anos. No entanto, agora está matando mais pessoas do que nunca.

De acordo com a OMS, sete das dez principais causas de morte no mundo são agora atribuídas a doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs). Este dado alarmante sublinha a urgência de uma reorientação global nos sistemas de saúde, com um foco intensificado na prevenção, diagnóstico precoce e tratamento eficaz de doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e doenças respiratórias crônicas. Além disso, o relatório destaca a necessidade contínua de combater lesões em todas as regiões do mundo, alinhando-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

Índice de Conteúdo

A Ascensão Inegável das Doenças Crônicas Não Transmissíveis

A transição epidemiológica é clara: as doenças crônicas não transmissíveis, que incluem condições de longa duração e geralmente de progressão lenta, estão se tornando as principais responsáveis por mortes e anos de vida saudável perdidos em escala global. Essa mudança de paradigma exige uma resposta coordenada e multifacetada. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, enfatizou a importância de acelerar a prevenção, o diagnóstico e o tratamento dessas condições. Ele ressaltou que a melhoria drástica da atenção primária à saúde, de forma equitativa e integral, é a base sobre a qual se constrói a resiliência dos sistemas de saúde, desde o combate às DCNTs até o gerenciamento de pandemias.

Historicamente, muitas das principais causas de morte eram doenças infecciosas. No entanto, o avanço da medicina, as melhorias sanitárias e as campanhas de vacinação, embora ainda insuficientes em muitas regiões, alteraram esse cenário. Agora, o desafio reside em gerenciar e prevenir condições que muitas vezes estão ligadas a fatores de estilo de vida, envelhecimento populacional e acesso a cuidados de saúde contínuos. A atenção primária surge como a linha de frente essencial nessa batalha, garantindo que as pessoas tenham acesso a serviços básicos de saúde, incluindo triagem, educação e manejo de doenças crônicas.

As Principais Causas de Mortalidade em Detalhe

O relatório da OMS detalha as condições que mais ceifaram vidas em 2019, revelando padrões preocupantes e algumas tendências regionais específicas.

Doença Cardíaca: A Líder Inabalável da Mortalidade Global

A doença cardíaca continua a ser a principal causa de morte em todo o mundo, uma posição que mantém há duas décadas. Seu impacto é crescente: o número de mortes por doenças cardíacas aumentou em mais de 2 milhões desde 2000, atingindo quase 9 milhões em 2019. Atualmente, ela é responsável por 16% do total de mortes por todas as causas. Curiosamente, mais da metade desses 2 milhões de óbitos adicionais ocorreram na região do Pacífico Ocidental da OMS, indicando uma carga desproporcional nessa área. Em contraste, a região europeia registrou um declínio relativo nas mortes por doenças cardíacas, com uma redução de 15%, o que pode ser atribuído a melhores estratégias de prevenção e tratamento.

Doença de Alzheimer e Outras Demências: Uma Ascensão Preocupante

Entre as 10 principais causas de morte globalmente, a doença de Alzheimer e outras formas de demência destacam-se, ocupando o terceiro lugar nas Américas e na Europa em 2019. O impacto dessas condições é particularmente devastador para as mulheres: globalmente, 65% das mortes por Alzheimer e outras demências ocorrem entre mulheres. Este dado ressalta a necessidade de mais pesquisas, melhores estratégias de cuidado e apoio para pacientes e cuidadores, especialmente considerando que a população mundial está envelhecendo.

Diabetes: Um Crescimento Alarmante na Mortalidade

A diabetes é outra doença crônica que registrou um aumento significativo na mortalidade. Entre 2000 e 2019, as mortes por diabetes aumentaram 70% globalmente, com um aumento ainda maior, de 80%, entre os homens. Na região do Mediterrâneo Oriental, as mortes por diabetes mais do que dobraram, representando o maior aumento percentual de todas as regiões da OMS. Este crescimento acentua a necessidade urgente de programas de prevenção, detecção precoce e manejo eficaz da doença, que muitas vezes está ligada a fatores como dieta inadequada e sedentarismo.

O Cenário das Doenças Transmissíveis: Progresso e Persistência

Embora as DCNTs dominem as estatísticas de mortalidade, as doenças transmissíveis ainda representam um desafio considerável, especialmente em países de baixa e média renda. O relatório da OMS oferece uma visão mista, com alguns sucessos notáveis e áreas que exigem atenção contínua.

Infecções Respiratórias Inferiores: Ainda Mortais, Mas em Declínio

Em 2019, a pneumonia e outras infecções respiratórias inferiores formaram o grupo mais letal de doenças transmissíveis, classificando-se como a quarta principal causa de morte no mundo. No entanto, houve uma redução em comparação com 2000, com o número global de mortes diminuindo em quase meio milhão. Essa redução reflete melhorias no acesso a vacinas, antibióticos e cuidados de saúde, embora ainda haja um longo caminho a percorrer.

HIV/AIDS e Tuberculose: Sinais de Progresso

O HIV/AIDS, que era a 8ª principal causa de morte em 2000, caiu para a 19ª posição em 2019. Este sucesso reflete os esforços globais para prevenir a infecção, testar e tratar a doença nas últimas duas décadas. Apesar do progresso, o HIV/AIDS ainda é a quarta principal causa de morte na África, embora o número de óbitos tenha caído em mais da metade nessa região, de mais de 1 milhão em 2000 para 435 mil em 2019.

A tuberculose também saiu do top 10 global, caindo do 7º lugar em 2000 para o 13º em 2019, com uma redução de 30% nas mortes em todo o mundo. No entanto, assim como o HIV/AIDS, ela permanece entre as 10 principais causas de morte nas regiões da África e do Sudeste Asiático, onde é a 8ª e a 5ª causa, respectivamente. A África, em particular, viu um aumento na mortalidade por tuberculose após 2000, embora tenha começado a diminuir nos últimos anos.

Desafios Persistentes em Países de Baixa Renda

Apesar do progresso global contra algumas doenças transmissíveis, o relatório da OMS destaca que elas ainda cobram um preço elevado em países de baixa renda. Seis das 10 principais causas de morte nessas nações ainda são doenças transmissíveis, incluindo malária (6ª), tuberculose (8ª) e HIV/AIDS (9ª). Isso enfatiza a desigualdade no acesso a serviços de saúde, medicamentos e saneamento básico, e a necessidade de investimentos contínuos nessas áreas.

Longevidade Versus Qualidade de Vida: O Crescente Desafio da Incapacidade

Enquanto a expectativa de vida global tem aumentado, a qualidade desses anos adicionais de vida é uma preocupação crescente. Em 2019, as pessoas viveram, em média, seis anos a mais do que em 2000, com uma média global de mais de 73 anos em 2019, em comparação com quase 67 anos em 2000. No entanto, em média, apenas cinco desses anos adicionais foram vividos com boa saúde, indicando que a incapacidade está aumentando.

As doenças e condições de saúde que causam mais mortes são, em grande medida, as mesmas que causam o maior número de anos de vida saudáveis perdidos. Doença cardíaca, diabetes, acidente vascular cerebral (AVC), câncer de pulmão e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) foram coletivamente responsáveis por quase 100 milhões de anos de vida saudáveis adicionais perdidos em 2019 em comparação com 2000. Isso significa que, embora as pessoas vivam mais, muitas o fazem com condições que limitam sua funcionalidade e qualidade de vida.

Lesões e Transtornos por Uso de Drogas: Causas Importantes de Incapacidade e Morte

As lesões representam outra causa importante de incapacidade e morte. Houve um aumento significativo nas lesões decorrentes de acidentes de trânsito na região africana desde 2000, com um aumento de quase 50% tanto em mortes quanto em anos de vida saudáveis perdidos. Aumentos semelhantes, embora ligeiramente menores (cerca de 40%), também foram observados na região do Mediterrâneo Oriental. Globalmente, as mortes por lesões no trânsito são predominantemente masculinas, representando 75% dos casos.

Nas Américas, o uso de drogas emergiu como um contribuinte significativo tanto para a incapacidade quanto para a morte. Houve um aumento de quase três vezes nas mortes por transtornos causados pelo uso de drogas nas Américas entre 2000 e 2019. Esta região é a única onde o transtorno por uso de drogas está entre os 10 principais contribuintes para anos de vida saudáveis perdidos devido a mortes prematuras e incapacidade, enquanto em todas as outras regiões, o uso de drogas não está entre os 25 primeiros.

A Força dos Dados e a Urgência da Ação

A elaboração das Estimativas Globais de Saúde da OMS baseia-se em dados robustos, comparáveis e transparentes, provenientes das melhores fontes disponíveis de países e da comunidade internacional. Bochen Cao, líder técnico do tema na OMS, destacou que essas estimativas são produzidas usando métodos científicos robustos para o processamento, síntese e análise de dados, beneficiando-se também de valiosas contribuições dos Estados Membros da OMS por meio de consultas e diálogos ativos.

A disponibilidade de serviços para prevenir, diagnosticar e tratar doenças é fundamental para reduzir mortes e incapacidade, influenciando diretamente a classificação das diferentes condições. As novas estimativas indicam claramente onde os investimentos adicionais em serviços são mais urgentes. Samira Asma, subdiretora-geral da Divisão de Dados, Análise e Distribuição para Impacto da OMS, reiterou que dados de saúde robustos são essenciais para enfrentar as desigualdades, priorizar políticas e alocar recursos para prevenir a incapacidade e salvar vidas. Ela fez um apelo urgente para que governos e partes interessadas invistam em dados e sistemas de informação de saúde para apoiar a tomada de decisões oportuna e eficaz.

É importante notar que, até 9 de dezembro de 2020, a COVID-19 havia tragicamente ceifado mais de 1,5 milhão de vidas. Pessoas que vivem com problemas de saúde pré-existentes, como doença cardíaca, diabetes e problemas respiratórios, correm maior risco de complicações e morte devido à COVID-19. As autoridades de saúde em todo o mundo dependem de dados oportunos, confiáveis e utilizáveis para tomar decisões informadas, o que é especialmente verdadeiro durante uma pandemia. A próxima atualização dessas estimativas incluirá uma avaliação do impacto direto e indireto da COVID-19 na mortalidade e morbidade, fornecendo uma imagem ainda mais completa dos desafios de saúde global.

Tabela Comparativa: Tendências nas Principais Causas de Morte (2000 vs. 2019)

Abaixo, uma visão simplificada das mudanças nas principais causas de morte destacadas pelo relatório da OMS:

Causa de MortePosição em 2000Posição em 2019Mudança e Observações
Doença CardíacaPermanece a principal causa, com aumento de óbitos.
Doença de Alzheimer e DemênciaFora do Top 10Top 10 (3ª nas Américas/Europa)Ascensão significativa, afetando desproporcionalmente mulheres.
DiabetesFora do Top 10Top 10 (Aumento de 70% nos óbitos)Aumento alarmante, especialmente entre homens.
Infecções Respiratórias InferioresEntre as Top 5Ainda mortal, mas com número global de mortes em declínio.
HIV/AIDS19ªQueda significativa no ranking global, refletindo sucesso no combate.
Tuberculose13ªSaída do Top 10 global, mas ainda desafio em algumas regiões.
MaláriaEntre as Top 10 (em países de baixa renda)6ª (em países de baixa renda)Permanece um desafio significativo em nações de baixa renda.
Lesões no TrânsitoFora do Top 10 (global)Top 10 (em algumas regiões, como África)Aumento notável em regiões específicas, com impacto masculino.
Transtornos por Uso de DrogasFora do Top 25 (global)Top 10 (nas Américas)Aumento expressivo de óbitos e incapacidade nas Américas.

Perguntas Frequentes (FAQs)

P: O que são as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) e por que são tão preocupantes?
R: As DCNTs são condições de longa duração e geralmente de progressão lenta, como doenças cardíacas, câncer, diabetes e doenças respiratórias crônicas. Elas são preocupantes porque, de acordo com a OMS, agora representam sete das dez principais causas de morte globalmente. Sua crescente prevalência exige uma mudança de foco na saúde pública, de doenças infecciosas para a prevenção e manejo de condições crônicas, muitas vezes ligadas a fatores de estilo de vida e envelhecimento populacional.

P: Por que a atenção primária à saúde é tão vital no combate a essas doenças?
R: A atenção primária à saúde é a base de um sistema de saúde robusto. Ela é crucial porque permite a prevenção, o diagnóstico precoce e o manejo contínuo das DCNTs, além de ser fundamental no combate a pandemias. Um atendimento primário forte garante que as pessoas tenham acesso a serviços básicos de saúde, incluindo triagem, educação sobre saúde e gestão de condições crônicas, evitando que se agravem e se tornem mais letais.

P: Como a COVID-19 se relaciona com as doenças mais graves mencionadas no relatório?
R: O relatório da OMS foi publicado em dezembro de 2020, em meio à pandemia de COVID-19. Embora os dados se refiram a 2019, o documento menciona que a COVID-19 já havia tirado mais de 1,5 milhão de vidas até aquela data. É destacado que pessoas com condições de saúde pré-existentes, como doenças cardíacas, diabetes e problemas respiratórios, correm maior risco de complicações e morte devido à COVID-19. As futuras atualizações das estimativas da OMS incluirão uma avaliação do impacto direto e indireto da pandemia na mortalidade e morbidade global.

P: Quais regiões do mundo são mais afetadas por certas doenças em particular?
R: O relatório aponta algumas disparidades regionais importantes. Por exemplo, mais da metade dos 2 milhões de mortes adicionais por doenças cardíacas ocorreram na região do Pacífico Ocidental da OMS, enquanto a Europa viu um declínio. A doença de Alzheimer e outras demências são a terceira principal causa de morte nas Américas e na Europa. No Mediterrâneo Oriental, as mortes por diabetes mais que dobraram. Para doenças transmissíveis, seis das dez principais causas de morte ainda são transmissíveis em países de baixa renda. As lesões no trânsito aumentaram significativamente na África e no Mediterrâneo Oriental, e os transtornos por uso de drogas são um problema proeminente nas Américas, sendo a única região onde estão entre os 10 principais contribuintes para anos de vida saudáveis perdidos.

Conclusão

O relatório da OMS de 2019 é um lembrete contundente da complexidade dos desafios de saúde global. Ele destaca uma mudança inegável de doenças infecciosas para crônicas como as principais causas de morte e incapacidade, mas também aponta para o progresso alcançado em certas áreas. A mensagem central é clara: a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento eficaz das doenças crônicas não transmissíveis são mais urgentes do que nunca. Isso requer um investimento significativo na atenção primária à saúde e em sistemas de dados robustos para informar políticas e alocar recursos de forma eficiente. Somente com um esforço global coordenado e o fortalecimento das infraestruturas de saúde, poderemos aspirar a um futuro onde as pessoas não apenas vivam mais, mas também vivam mais anos com saúde e qualidade de vida.

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