Quanto custa uma cirurgia de hérnia em Portugal?

Hérnia: O Guia Completo sobre Diagnóstico e Tratamento

13/08/2024

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A hérnia, uma condição médica caracterizada pela protusão de um órgão ou tecido através de uma abertura ou ponto fraco na parede muscular que o contém, é mais comum do que se imagina e afeta milhões de pessoas globalmente. Seja no abdômen, na virilha ou em outras partes do corpo, a sua presença pode gerar desconforto, dor e, em casos mais graves, complicações sérias. Compreender essa condição, desde a sua identificação até as opções de tratamento, é crucial para garantir uma melhor qualidade de vida e evitar problemas futuros. Este artigo visa desmistificar a hérnia, abordando quem é o especialista mais indicado, os diversos tipos existentes, como ela é diagnosticada, as opções cirúrgicas disponíveis e até mesmo os custos envolvidos no tratamento em Portugal, além de dicas de prevenção.

Qual é o especialista para hérnia?
Para o correto tratamento de uma hérnia é recomendado ao paciente procurar um cirurgião do aparelho digestivo, denominado popularmente como um médico especialista em hérnia, ou cirurgião geral. Entretanto, é importante ressaltar que não existe uma especialidade médica específica para a doença hérnia.

Apesar de ser uma condição frequente, muitas dúvidas persistem sobre a hérnia e o caminho para o tratamento adequado. É fundamental buscar orientação profissional assim que os primeiros sintomas surgirem, pois o diagnóstico precoce e a intervenção correta são determinantes para o sucesso do tratamento e para minimizar os riscos de recidiva ou de complicações mais graves.

Índice de Conteúdo

Quem é o Especialista para Tratar uma Hérnia?

Quando se trata de hérnias, uma das primeiras perguntas que surgem é: qual médico devo procurar? A resposta mais direta é um cirurgião. Mais especificamente, um cirurgião do aparelho digestivo ou um cirurgião geral. É importante ressaltar que, embora muitas pessoas busquem um 'médico especialista em hérnia', não existe uma especialidade médica única denominada 'herniologia'. O que acontece é que cirurgiões gerais, e em particular aqueles com residência em cirurgia do aparelho digestivo, dedicam-se e aprimoram suas habilidades no tratamento dessa condição específica.

A expertise desses profissionais é vital, especialmente para evitar a recidiva da hérnia, que é a sua volta após o tratamento, e outras complicações. Embora um cirurgião geral possa tratar a maioria dos casos com destreza, situações mais complexas ou com particularidades podem se beneficiar imensamente da experiência de um cirurgião que se aperfeiçoou no campo das hérnias. Esses profissionais aprofundam seus conhecimentos nas técnicas cirúrgicas mais avançadas e nos cuidados pós-operatórios para garantir os melhores resultados.

A relevância do tratamento especializado é evidenciada pelos números. Segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, divulgados pelo DataSus, entre março de 2018 e março de 2019, foram realizadas mais de 281 mil cirurgias para remoção de hérnias da parede abdominal apenas na rede pública. Se somarmos a população assistida por convênios e seguros de saúde, esse número seria ainda maior, refletindo a alta incidência da condição. Globalmente, o número de cirurgias de hérnia chega a impressionantes 26 milhões anualmente. Diante de tamanha demanda, a dedicação e o aperfeiçoamento dos cirurgiões nesta área são indiscutivelmente necessários.

Como Identificar e Diagnosticar uma Hérnia?

A hérnia é frequentemente caracterizada pelo aparecimento de um abaulamento ou protusão na parede abdominal ou em outra região do corpo. Essa saliência pode ser o primeiro sinal e, muitas vezes, é visível a olho nu, especialmente ao tossir, levantar peso ou fazer algum tipo de esforço. É fundamental procurar um médico assim que notar essa alteração, mesmo que não haja dor, para que um diagnóstico definitivo seja feito.

Que tipos de hérnias existem?

Os sintomas variam de acordo com o tipo e a localização da hérnia, mas alguns sinais comuns incluem:

  • Dor ou desconforto no local afetado, que pode piorar com o esforço e aliviar ao deitar.
  • Inchaço ou saliência perceptível sob a pele.
  • Sensação de peso ou pressão na área.
  • Em alguns casos, náuseas e vômitos, especialmente se houver encarceramento ou estrangulamento da hérnia.

O diagnóstico é comumente realizado em consultório através de um exame físico detalhado, onde o médico pode palpar a região e pedir para o paciente tossir ou fazer força para observar a protusão. Para complementar o diagnóstico e planejar a melhor abordagem cirúrgica, podem ser solicitados exames de imagem, como:

  • Radiografia simples do abdômen: Pode ser útil para avaliar a posição dos órgãos.
  • Ecografia (ultrassonografia): Permite visualizar a hérnia e determinar seu conteúdo.
  • Tomografia Axial Computorizada (TAC): Oferece imagens mais detalhadas, sendo importante para casos complexos ou para identificar hérnias menos evidentes.

É crucial diferenciar uma hérnia redutível (que pode ser empurrada de volta para a cavidade abdominal) de uma encarcerada (que não pode ser reduzida) e, mais gravemente, de uma estrangulada (onde o fluxo sanguíneo para o órgão herniado é interrompido). O estrangulamento é uma emergência médica, pois pode levar à necrose do tecido e a uma infecção potencialmente fatal, como a peritonite, manifestando-se com dor intensa, febre, náuseas e vômitos.

Conhecendo os Diferentes Tipos de Hérnias

As hérnias podem surgir em diversas partes do corpo, e cada tipo possui características e sintomas específicos. Elas resultam do extravasamento parcial ou total de parte de um órgão através de uma abertura que surgiu por má formação, ruptura ou enfraquecimento das camadas de tecido protetoras.

A seguir, apresentamos os tipos mais comuns de hérnias:

Tipo de HérniaLocalização e Características
Hérnia InguinalOcorre na virilha e é a mais comum, especialmente em homens. Pode ser bilateral. Requer cirurgia para evitar estrangulamento.
Hérnia UmbilicalLocaliza-se no umbigo, comum em bebês e mulheres (devido a gravidez ou obesidade). Surge por falha na cicatrização umbilical ou esforço excessivo. Tratamento cirúrgico para evitar estrangulamento.
Hérnia IncisionalDesenvolve-se em cicatrizes de cirurgias abdominais anteriores, podendo aparecer meses ou anos após o procedimento.
Hérnia EpigástricaPresente entre o umbigo e o tórax, resultante do deslocamento dos músculos abdominais. O tratamento é cirúrgico, pois não desaparece espontaneamente.
Hérnia FemoralMais rara, ocorre na raiz da coxa, mais frequente em mulheres e com maior risco de complicações. O tratamento é cirúrgico.
Hérnia de DiscoLocalizada na coluna vertebral, ocorre quando um disco vertebral pressiona as raízes nervosas. Causa dor, fraqueza e dormência nos membros.
Hérnia InguinoescrotalUma extensão da hérnia inguinal, onde a protusão invade a região dos testículos.
Hérnia MuscularGeralmente resultado de exercícios físicos intensos, causando inchaço e pontos salientes no músculo. O repouso é o tratamento indicado e, na maioria dos casos, desaparece com o tempo.
Hérnia DiafragmáticaSurge quando parte do estômago força a área da caixa torácica através de um ponto fraco no diafragma. A hérnia de hiato é um tipo comum de hérnia diafragmática.

Causas Comuns do Surgimento de Hérnias

As hérnias podem ser congênitas (presentes desde o nascimento) ou adquiridas ao longo da vida. Embora não exista uma causa única e evidente para todas as hérnias, diversos fatores podem favorecer o seu surgimento, atuando isoladamente ou em conjunto, aumentando a pressão intra-abdominal ou enfraquecendo a parede muscular. Entre as causas mais comuns, destacam-se:

  • Esforço excessivo: Levantar pesos de forma inadequada, esforço para evacuar (constipação crônica) ou para urinar, tosse crônica (associada a doenças pulmonares como fibrose cística ou infecções).
  • Fatores genéticos: Histórico familiar de hérnias pode indicar uma predisposição.
  • Condições médicas: Obesidade, que aumenta a pressão sobre a parede abdominal; gravidez, especialmente gestações sucessivas em curto espaço de tempo, que enfraquecem os músculos abdominais.
  • Tabagismo: Pode enfraquecer os tecidos conjuntivos do corpo, tornando-os mais propensos a rupturas.
  • Cicatrizes cirúrgicas: Cirurgias abdominais prévias podem criar pontos de fraqueza na parede abdominal, levando ao desenvolvimento de hérnias incisionais.

Compreender esses fatores de risco é um passo importante para a prevenção e para a identificação precoce da condição.

Opções Cirúrgicas para o Tratamento de Hérnias

A maioria das hérnias, especialmente aquelas que causam dor, desconforto significativo ou risco de complicações como o estrangulamento, requer intervenção cirúrgica para a cura definitiva. O procedimento para reparar uma hérnia é conhecido como herniorrafia ou hernioplastia, dependendo se apenas o orifício é fechado ou se uma tela de reforço é utilizada.

O cirurgião especialista pode executar três tipos distintos de hernioplastia, e a escolha da técnica mais adequada depende de diversos fatores, como o tipo, tamanho e localização da hérnia, a condição geral de saúde do paciente e a experiência do cirurgião:

  1. Cirurgia de Hérnia Aberta/Tradicional: É a técnica mais antiga e comum. Realiza-se uma incisão na pele sobre a hérnia para acessar e reposicionar o órgão herniado. O orifício é então fechado com pontos, e frequentemente uma tela de material sintético (prótese) é colocada para reforçar a parede muscular e reduzir o risco de recidiva.
  2. Cirurgia de Hérnia por Videolaparoscopia: Uma abordagem minimamente invasiva. Pequenas incisões são feitas, através das quais são inseridos instrumentos cirúrgicos finos e uma câmera (laparoscópio). O cirurgião opera visualizando o interior do corpo em um monitor. Essa técnica geralmente resulta em menos dor pós-operatória, cicatrizes menores e um tempo de recuperação mais rápido.
  3. Cirurgia de Hérnia Robótica: Uma variação avançada da videolaparoscopia, onde o cirurgião controla instrumentos robóticos altamente precisos através de um console. Oferece maior destreza e visão 3D para o cirurgião, sendo particularmente útil em casos complexos ou para hérnias bilaterais. Também minimamente invasiva, com benefícios semelhantes à laparoscopia.

A indicação de qualquer uma dessas cirurgias é feita após uma consulta clínica detalhada e uma avaliação cuidadosa das características da hérnia e do paciente. O objetivo principal é reparar o defeito na parede abdominal, aliviar os sintomas e prevenir complicações futuras.

Quanto Custa uma Cirurgia de Hérnia em Portugal?

Para pacientes em Portugal que não possuem seguro de saúde ou que buscam atendimento particular, os custos de uma cirurgia de hérnia podem ser uma preocupação. É importante entender que os valores podem variar significativamente dependendo do tipo de hérnia, da técnica cirúrgica utilizada e da clínica ou hospital escolhido.

O que fazer quando se tem uma hérnia?
O uso de uma cinta ajuda a reforçar a zona da parede abdominal enfraquecida. De um modo geral, a intervenção cirúrgica está indicada quando a hérnia provoca dor ou desconforto significativo. A cirurgia realizada designa-se por herniorrafia e corresponde ao encerramento da zona mais frágil da parede muscular.

A cirurgia de reparação de hérnia inguinal por via aberta (técnica tradicional) é geralmente a opção mais económica. Os custos para pacientes sem seguro podem rondar um total de 2900 euros. Este valor inclui, tipicamente, os honorários da equipa cirúrgica (cerca de 1250 euros), os custos do centro cirúrgico (aproximadamente 1300 euros, abrangendo aluguer da sala, materiais como a rede de prótese, e tempo de recobro) e os honorários dos anestesiologistas (cerca de 350 euros).

Já o tratamento de hérnia inguinal por via laparoscópica, também em regime de ambulatório, apresenta custos mais elevados, rondando um total de 4900 euros. A diferença de preço deve-se principalmente à utilização de equipamentos de laparoscopia, que são mais dispendiosos.

É crucial notar que estes valores referem-se a casos de hérnia inguinal unilateral. Se for necessário tratar uma hérnia inguinal bilateral (em ambos os lados), o valor total pode acrescer em cerca de 40%. Além disso, podem existir outros custos adicionais não incluídos nos pacotes cirúrgicos, como análises sanguíneas pré-operatórias, um eletrocardiograma (se necessário) e os analgésicos a serem utilizados após a cirurgia. É sempre recomendável solicitar um orçamento detalhado e esclarecer todas as dúvidas sobre os custos antes de prosseguir com o procedimento.

Prevenção e Cuidados Essenciais

Embora algumas hérnias sejam congênitas ou resultem de fatores que não podem ser controlados, muitas podem ser prevenidas ou ter o seu risco minimizado através da adoção de hábitos de vida saudáveis e da atenção a certas práticas. Além disso, saber o que fazer ao detectar uma hérnia é crucial para um tratamento eficaz.

O Que Fazer ao Ter uma Hérnia?

Se você suspeitar que tem uma hérnia, o primeiro e mais importante passo é procurar um médico especialista. Não tente empurrá-la de volta com força excessiva ou usar métodos caseiros. Apenas um profissional de saúde pode diagnosticar corretamente e indicar o tratamento adequado.

Enquanto aguarda a consulta médica, evite atividades que aumentem a pressão abdominal, como levantar pesos ou fazer esforços intensos. Para hérnias de pequena dimensão e que não causam dor intensa, o médico pode inicialmente recomendar apenas observação e o uso de uma cinta de suporte, que ajuda a reforçar a zona enfraquecida da parede abdominal. No entanto, a cirurgia é geralmente a única cura definitiva para a maioria dos tipos de hérnias.

Qual é o especialista para hérnia?
Para o correto tratamento de uma hérnia é recomendado ao paciente procurar um cirurgião do aparelho digestivo, denominado popularmente como um médico especialista em hérnia, ou cirurgião geral. Entretanto, é importante ressaltar que não existe uma especialidade médica específica para a doença hérnia.

Medidas de Prevenção

A prevenção das hérnias foca-se principalmente em reduzir a pressão intra-abdominal e fortalecer a parede muscular. Algumas dicas incluem:

  • Manter um peso saudável: A obesidade aumenta significativamente a pressão sobre a parede abdominal.
  • Adotar uma postura adequada: Ao levantar objetos pesados, utilize as pernas, não as costas, e mantenha a coluna reta. Se o objeto for muito pesado, peça ajuda.
  • Evitar a constipação: Uma dieta rica em fibras, consumo adequado de líquidos e exercício físico regular ajudam a manter um trânsito intestinal normal, evitando o esforço excessivo durante a evacuação.
  • Tratar a tosse crônica: Se você sofre de tosse persistente devido a alergias, asma ou outras condições, procure tratamento para controlar esse sintoma, que pode exercer pressão constante sobre o abdômen.
  • Parar de fumar: O tabagismo enfraquece os tecidos do corpo e pode levar à tosse crônica, ambos fatores de risco para hérnias.
  • Fortalecer os músculos abdominais: Exercícios físicos regulares que visam o fortalecimento do core podem ajudar a manter a parede abdominal mais resistente.

Perguntas Frequentes sobre Hérnias

1. Hérnia tem cura?

Sim, a hérnia tem cura, e o tratamento definitivo é quase sempre cirúrgico. A cirurgia, ou hernioplastia, visa corrigir o defeito na parede muscular e reposicionar o órgão ou tecido que extravasou.

2. A hérnia pode voltar após a cirurgia?

Embora a cirurgia seja eficaz, existe uma chance de recidiva (a hérnia voltar a aparecer no mesmo local ou próximo). Essa chance é reduzida quando a cirurgia é realizada por um cirurgião experiente e quando técnicas como o uso de tela de reforço são empregadas. Fatores como obesidade, tabagismo e esforço físico excessivo após a cirurgia podem aumentar o risco de recidiva.

3. Toda hérnia precisa de cirurgia?

Não necessariamente. Hérnias muito pequenas, assintomáticas e que não apresentam risco de complicações graves podem ser apenas observadas. No entanto, a maioria das hérnias, especialmente aquelas que causam dor, desconforto ou risco de estrangulamento, tem indicação cirúrgica.

4. Cintas ou faixas abdominais resolvem a hérnia?

Cintas e faixas abdominais podem oferecer suporte e aliviar o desconforto em alguns casos, mas não curam a hérnia nem impedem que ela cresça ou cause complicações. Elas são uma medida paliativa e não substituem a necessidade de avaliação e, se indicada, cirurgia por um especialista.

5. Hérnia pode ser fatal?

Em casos de estrangulamento, onde o fluxo sanguíneo para o órgão herniado é cortado, a condição pode se tornar uma emergência médica e, se não tratada rapidamente, pode levar à necrose do tecido e a infecções graves como a peritonite, que pode ser fatal. Por isso, a detecção precoce e o tratamento adequado são cruciais.

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