O que é o IGAS?

A IGAS: Guardiã da Qualidade na Saúde Portuguesa

19/07/2023

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No complexo e vital setor da saúde, a confiança e a segurança são pilares inabaláveis. Para assegurar que estes pilares se mantêm firmes em Portugal, existe uma entidade central e de extrema importância: a Inspecção-Geral das Actividades em Saúde, mais conhecida pela sua sigla, IGAS. Criada e reestruturada no âmbito de um compromisso governamental para a eficiência e racionalização da Administração Central, a IGAS desempenha um papel fundamental na fiscalização, auditoria e controlo de todas as atividades ligadas à saúde, tanto no setor público quanto no privado.

O que é o IGAS?
A Inspecção-Geral das Actividades em Saúde, abreviadamente designada por IGAS, é um serviço central da administração directa do Estado, dotado de autonomia administrativa.

A sua existência e as suas atribuições, consagradas no Decreto-Lei n.º 33/2012, de 13 de fevereiro, refletem a necessidade premente de garantir o cumprimento da lei, a qualidade dos serviços prestados e a utilização eficiente dos recursos públicos. Numa era em que a transparência e a responsabilidade são cada vez mais exigidas, a IGAS surge como um garante da integridade e da excelência no sistema de saúde português.

Índice de Conteúdo

O Que é a IGAS e a Sua Natureza Jurídica

A Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) é um serviço central da administração direta do Estado português, dotado de autonomia administrativa. Isto significa que, embora esteja integrada na estrutura governamental, possui uma capacidade de gestão e decisão próprias que lhe permitem agir com a independência necessária para o cumprimento da sua missão. A sua criação e a definição da sua orgânica, conforme o Decreto-Lei n.º 33/2012, inserem-se num esforço mais vasto do Governo para racionalizar e otimizar a estrutura do Estado, eliminando redundâncias e reduzindo custos, ao mesmo tempo que se reforçam as suas capacidades de resposta.

A IGAS mantém a sua vocação histórica de instância de controlo em todos os domínios da prestação de cuidados de saúde. No entanto, com a sua reorganização, houve um reforço significativo das suas competências de fiscalização e inspeção de caráter regular. Uma das inovações mais relevantes foi a centralização destas competências, que antes se encontravam dispersas por diferentes entidades, conferindo à IGAS uma visão mais holística e uma capacidade de intervenção mais coordenada. Além disso, o seu âmbito de atuação foi alargado à auditoria, passando a incluir a prestação de serviços regulares de auditoria interna a todas as instituições, serviços, estabelecimentos e organismos do Ministério da Saúde ou por este tutelados. Esta nova realidade institucional exige um elevado grau de profissionalismo e uma autonomia técnica dos seus inspetores, sustentada em técnicas e procedimentos metodológicos rigorosos.

Missão e Atribuições Essenciais: O Coração da Ação da IGAS

A missão da IGAS é abrangente e crítica para a saúde pública em Portugal. Consiste em auditar, inspecionar, fiscalizar e desenvolver a ação disciplinar no setor da saúde. O objetivo primordial é assegurar o cumprimento da lei e garantir elevados níveis técnicos de atuação em todas as áreas da atividade e da prestação de cuidados de saúde. Esta intervenção estende-se não só aos serviços, estabelecimentos e organismos do Ministério da Saúde (MS) ou por este tutelados, mas também a todas as entidades privadas, sejam elas pessoas singulares ou coletivas, com ou sem fins lucrativos.

Para cumprir esta missão, a IGAS prossegue diversas atribuições específicas:

  • Verificação de Conformidade e Qualidade: Realiza ações de auditoria, inspeção e fiscalização para verificar o cumprimento das disposições legais e regulamentares, bem como a qualidade dos serviços prestados por qualquer entidade ou profissional no domínio da saúde.
  • Controlo Financeiro e Uso de Fundos Públicos: Atua no âmbito do sistema de controlo interno da administração financeira do Estado, assegurando a aplicação eficaz, eficiente e económica dos dinheiros públicos pelas instituições e serviços do MS, e a correta utilização de fundos públicos por entidades privadas.
  • Auditorias Internas Regulares: Realiza auditorias aos serviços e organismos do MS, garantindo serviços regulares de auditoria interna (organizacional e financeira), bem como de inspeção ao nível da segurança e qualidade, em articulação com a Direção-Geral da Saúde (DGS).
  • Apoio à DGS: Presta apoio à DGS em matérias de inspeção e implementação de medidas de controlo de padrões de qualidade e segurança em áreas sensíveis como a dádiva, colheita, processamento e distribuição de sangue humano, órgãos, tecidos e células.
  • Fiscalização de Unidades Privadas e Sociais: Realiza ações de fiscalização a unidades de prestação de cuidados de saúde do setor privado e social, com um foco particular na área das dependências e comportamentos aditivos.
  • Ação Disciplinar: Desenvolve, nos termos legais, a ação disciplinar em relação aos serviços e organismos do MS. Possui uma competência específica para a instrução de processos disciplinares em que os arguidos sejam trabalhadores que exercem ou exerceram (há menos de cinco anos) cargos de direção superior ou membros dos órgãos máximos de gestão do MS, independentemente da sua natureza jurídica.
  • Prevenção e Deteção de Fraude e Corrupção: Realiza ações de prevenção e deteção de situações de corrupção e fraude, promovendo os procedimentos adequados para combater estas práticas lesivas ao sistema de saúde.
  • Colaboração Nacional e Internacional: Colabora ativamente com organismos nacionais e internacionais em matérias que se enquadram nas atribuições das inspeções-gerais, promovendo a partilha de conhecimentos e boas práticas.

Estrutura e Funcionamento: A Arquitetura da Fiscalização

A IGAS é dirigida por um inspetor-geral, que é o órgão máximo de direção, coadjuvado por dois subinspetores-gerais. Estes cargos são de direção superior, de 1.º e 2.º graus, respetivamente, refletindo a importância e a complexidade das funções que desempenham.

Ao inspetor-geral competem vastas atribuições, que incluem desde a ordenação e decisão da realização de inspeções temáticas, normativas e de qualidade, até auditorias a sistemas de gestão, financeiras e de desempenho. É também sua competência determinar recomendações preventivas e corretivas para melhorar o sistema de controlo interno na área da saúde, e intervir quando há perigo grave para a saúde das pessoas em estabelecimentos privados. O inspetor-geral pode ainda determinar a realização de ações de fiscalização e investigação, a instauração e instrução de processos de contra-ordenação, e a aplicação de sanções. No campo disciplinar, tem o poder de instaurar e decidir processos de averiguações, inquéritos e disciplinares, avocar processos disciplinares em curso e designar instrutores. Pode ainda aplicar certas penas disciplinares e submeter a despacho ministerial os processos mais complexos ou que envolvam cargos de direção superior. A designação de peritos e técnicos especializados, bem como a emissão de orientações técnicas e a promoção de ações de sensibilização, também são suas responsabilidades.

A organização interna da IGAS adota um modelo estrutural misto, o que lhe confere flexibilidade e capacidade de resposta. Nas áreas de apoio à gestão e de suporte ao funcionamento, a estrutura é hierarquizada, garantindo a ordem e a eficiência administrativa. Contudo, nas áreas operativas, a IGAS funciona sob um modelo de estrutura matricial, assente em equipas multidisciplinares. Este modelo permite uma maior adaptabilidade e a mobilização de diferentes competências para projetos específicos, reforçando a eficiência no cumprimento da sua missão. Os chefes destas equipas multidisciplinares podem ter um estatuto remuneratório equiparado a diretor de serviços ou chefe de divisão, em função da natureza e complexidade das suas funções.

Recursos Financeiros e Sucessão de Competências

Para o desempenho das suas atribuições, a IGAS dispõe de receitas provenientes de dotações atribuídas no Orçamento do Estado. Além disso, possui receitas próprias, que incluem o produto da venda de publicações, o produto de coimas cobradas em processos de contra-ordenação (na proporção definida por lei), o produto de serviços prestados e quaisquer outras receitas que lhe sejam legal ou contratualmente atribuídas. As quantias cobradas pela IGAS são fixadas e atualizadas periodicamente por despacho conjunto dos membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças e da saúde, tendo em conta os meios humanos e materiais mobilizados e os custos indiretos de funcionamento.

Um aspeto relevante na evolução da IGAS é a sua sucessão em atribuições do Instituto da Droga e da Toxicodependência, I. P. (IDT). No domínio das atividades regulares de fiscalização, a IGAS assumiu as competências que eram anteriormente exercidas pelo IDT, nomeadamente no que diz respeito à fiscalização de unidades de prestação de cuidados de saúde do setor privado e social na área das dependências e comportamentos aditivos. Este processo de transição implicou também a definição de critérios de seleção para o pessoal necessário à prossecução destas atribuições transferidas, focando-se no desempenho de funções técnicas no IDT nestes domínios.

O Impacto da IGAS na Qualidade dos Cuidados de Saúde em Portugal

A existência e a atuação da IGAS são cruciais para a garantia da qualidade e segurança dos cuidados de saúde em Portugal. Através das suas ações de auditoria, inspeção e fiscalização, a IGAS funciona como um mecanismo de controlo e melhoria contínua, detetando falhas, promovendo a conformidade legal e regulamentar, e incentivando as boas práticas em todas as entidades que integram o sistema de saúde. A sua intervenção não se limita à correção de desvios, mas estende-se à prevenção e à promoção de um ambiente de maior transparência e responsabilidade.

A capacidade de investigar e atuar disciplinarmente, especialmente em relação a cargos de direção e gestão, reforça a responsabilização e a integridade no setor. A sua atuação no combate à fraude e à corrupção é igualmente vital, protegendo os recursos públicos e garantindo que estes são utilizados em benefício dos cidadãos e da saúde. Ao centralizar competências e ao adotar um modelo organizacional flexível, a IGAS otimiza os seus recursos e aumenta a sua eficácia, contribuindo decisivamente para a confiança dos cidadãos no sistema de saúde português. É, em suma, uma guardiã essencial da qualidade, da segurança e da ética nas atividades em saúde.

Principais Áreas de Intervenção da IGAS

Tipo de IntervençãoDescrição Detalhada
AuditoriaAvaliação sistemática e independente de processos, sistemas e resultados, com foco na eficiência, eficácia e conformidade. Abrange auditorias organizacionais, financeiras, de desempenho e técnicas, garantindo a boa gestão dos recursos e o alinhamento com os objetivos definidos.
InspeçãoVerificação no terreno do cumprimento de normas legais e regulamentares, bem como dos padrões de qualidade e segurança na prestação de cuidados de saúde. Aplica-se a hospitais, centros de saúde, clínicas e outras instituições de saúde, públicas e privadas.
FiscalizaçãoAcompanhamento e controlo contínuo de atividades específicas, como unidades de cuidados privados, farmácias, laboratórios ou áreas de dependências e comportamentos aditivos. Visa assegurar a legalidade, as boas práticas e a proteção dos utentes.
Ação DisciplinarInvestigação e processamento de infrações disciplinares cometidas por profissionais e dirigentes do setor da saúde. Inclui a instauração de processos de averiguações, inquéritos e disciplinares, com a capacidade de aplicar sanções ou propor medidas corretivas.
Prevenção de Fraude e CorrupçãoIdentificação de riscos e implementação de medidas para combater a corrupção, a fraude e outras práticas irregulares no setor da saúde. Promove a integridade e a transparência na utilização dos recursos e na prestação de serviços.
Emissão de Orientações TécnicasCriação e divulgação de diretrizes e recomendações para a melhoria das práticas e o cumprimento das normas no Ministério da Saúde, bem como a promoção de ações de sensibilização e formação.

Perguntas Frequentes sobre a IGAS

Para uma compreensão mais completa do papel da IGAS, respondemos a algumas das perguntas mais comuns:

O que significa a sigla IGAS?
IGAS significa Inspecção-Geral das Actividades em Saúde. É o principal órgão de controlo e fiscalização do setor da saúde em Portugal.

Qual a principal missão da IGAS?
A sua missão principal é auditar, inspecionar, fiscalizar e desenvolver a ação disciplinar no setor da saúde, com o objetivo de assegurar o cumprimento da lei, a qualidade e a segurança dos cuidados de saúde prestados, e a utilização eficiente dos recursos.

Quem a IGAS fiscaliza?
A IGAS fiscaliza e inspeciona todas as entidades que prestam cuidados de saúde em Portugal, incluindo os serviços, estabelecimentos e organismos do Ministério da Saúde (públicos) e as entidades privadas, sejam elas pessoas singulares ou coletivas, com ou sem fins lucrativos.

A IGAS pode aplicar sanções?
Sim, a IGAS tem competência para instaurar e decidir processos de contra-ordenação e aplicar as respetivas sanções. No âmbito disciplinar, pode aplicar certas penas disciplinares e determinar medidas corretivas ou preventivas.

Como a IGAS combate a fraude e a corrupção?
A IGAS realiza ações específicas de prevenção e deteção de situações de corrupção e fraude no setor da saúde. Através de auditorias e investigações, promove os procedimentos adequados para identificar e combater estas práticas, garantindo a integridade do sistema.

A IGAS atua apenas em entidades públicas?
Não, a IGAS tem um âmbito de atuação alargado que inclui tanto as instituições e serviços do Ministério da Saúde (públicos) como as entidades privadas que prestam cuidados de saúde, independentemente da sua natureza ou fins.

Como a IGAS garante a qualidade dos serviços de saúde?
Através de inspeções regulares, auditorias de qualidade e segurança, fiscalização do cumprimento de normas e regulamentos, e o desenvolvimento de ações disciplinares. A IGAS visa assegurar que os padrões de excelência são mantidos e que os utentes recebem cuidados seguros e eficazes.

A Inspecção-Geral das Actividades em Saúde é, portanto, um pilar fundamental na estrutura da saúde portuguesa, trabalhando incansavelmente para que a população tenha acesso a cuidados de saúde de excelência, prestados com integridade, eficiência e segurança.

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