12/04/2023
Seja para prevenir, tratar ou diagnosticar doenças, os medicamentos são verdadeiros aliados para a saúde, mas apenas quando administrados com zelo e o devido acompanhamento médico. Frequentemente, ao visitar uma farmácia ou posto de saúde em busca de remédios, não nos questionamos sobre as inúmeras diferenças entre cada tipo e seus objetivos específicos. Muitas vezes, as informações disponíveis não são tão claras quanto gostaríamos.

Mas, afinal, você realmente sabe o que são medicamentos e quais são os tipos existentes? Para dissipar quaisquer dúvidas sobre esses bens tão essenciais à vida, este conteúdo didático foi elaborado como um guia completo, explicando os diversos tipos de fármacos e para que servem, garantindo que você tome decisões informadas e seguras sobre sua saúde.
- O Que é Medicamento? Uma Definição Essencial
- Classificação Quanto à Forma de Produção
- Classificação Quanto à Origem da Matéria-Prima (Insumo Farmacêutico Ativo)
- Classificação Quanto à Exigência de Prescrição Médica
- Diferenças entre Medicamentos de Marca, Genéricos e Similares
- Classificação Quanto ao Local de Produção
- Perguntas Frequentes (FAQ)
O Que é Medicamento? Uma Definição Essencial
Um medicamento é, em sua essência, um produto farmacêutico. Ele é tecnicamente obtido ou elaborado com finalidade profilática (prevenção), curativa (cura), paliativa (alívio de sintomas) ou para fins de diagnóstico. No entanto, sua relevância transcende as definições legais. Os remédios são pilares fundamentais para a manutenção e a recuperação da saúde de indivíduos e populações.
O acesso universal e, idealmente, gratuito ou subsidiado a esses produtos é crucial para garantir o direito fundamental à saúde de toda a população, conforme preconizado por legislações importantes como a Lei 8.080/91 (Lei do SUS) e a Resolução 338/2004 do Conselho Nacional de Saúde. É por essa razão que os medicamentos não podem ser vistos como bens comuns de uso ordinário, mas sim como produtos essenciais, cujo acesso e uso consciente impactam diretamente a qualidade de vida.
Classificação Quanto à Forma de Produção
Para compreender melhor o vasto universo dos medicamentos, é fundamental conhecer as diferentes formas pelas quais eles são produzidos. Existem, basicamente, duas categorias principais de produção:
Medicamentos Industrializados
São aqueles produzidos em larga escala por laboratórios farmacêuticos industriais. Eles são embalados e rotulados conforme a rigorosa legislação sanitária vigente, garantindo padronização, qualidade e segurança para o consumidor. A produção industrial permite que esses medicamentos cheguem a um grande número de pessoas, sendo amplamente disponíveis no mercado.
Medicamentos Manipulados
Diferentemente dos industrializados, os medicamentos manipulados são produzidos em farmácias de manipulação ou farmácias magistrais. Sua principal característica é o caráter individualizado: eles atendem a uma prescrição médica específica para um paciente em particular, considerando suas necessidades únicas de dosagem, combinação de substâncias ou forma farmacêutica.
Um medicamento manipulado deve apresentar informações detalhadas sobre suas características, como prazo de validade, composição exata, quantidade ou volume, indicação da farmácia e do farmacêutico responsável pela manipulação, instruções claras para o uso correto, e, crucialmente, o nome da pessoa que irá utilizá-lo e o nome do médico que prescreveu a fórmula. Isso garante a rastreabilidade e a segurança do tratamento personalizado.
Classificação Quanto à Origem da Matéria-Prima (Insumo Farmacêutico Ativo)
A origem dos componentes ativos de um medicamento também é um fator importante em sua classificação:
Medicamentos Sintéticos ou Semissintéticos
Esses fármacos são produzidos a partir de matérias-primas sintéticas, ou seja, substâncias que são completamente criadas e fabricadas em laboratório. Os semissintéticos, por sua vez, são derivados de substâncias naturais (frequentemente extraídas de plantas), mas que passam por modificações químicas em laboratório para otimizar suas propriedades terapêuticas ou facilitar sua produção em escala.
Medicamentos Fitoterápicos
Os medicamentos fitoterápicos são aqueles que possuem, exclusivamente, princípio ativo extraído de plantas. É fundamental lembrar que, apesar de sua origem natural, os fitoterápicos devem cumprir todas as exigências legais e sanitárias impostas aos demais medicamentos. Isso inclui apresentar informações corretas, claras e precisas em língua portuguesa sobre suas características, qualidade, quantidade, origem, composição, validade, e, especialmente, sobre os riscos que podem apresentar à saúde e segurança do consumidor. A ideia de que “se é natural, não faz mal” é um equívoco perigoso.
Medicamentos e Produtos Biológicos (Biomedicamentos)
Também conhecidos como biomedicamentos, são produtos obtidos a partir de fluidos ou tecidos de origem biológica (animal ou humana) ou por meio de procedimentos biotecnológicos avançados. Exemplos incluem vacinas, soros hiperimunes, hemoderivados (medicamentos produzidos a partir do sangue), anticorpos monoclonais e medicamentos contendo microrganismos vivos, atenuados ou mortos. A produção de biomedicamentos é complexa e envolve alta tecnologia, sendo eles essenciais para o tratamento de diversas condições graves e crônicas.
Classificação Quanto à Exigência de Prescrição Médica
A necessidade de prescrição médica para a aquisição de um medicamento é um dos critérios mais conhecidos e importantes para a segurança do consumidor:
Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs)
Popularmente conhecidos como remédios sem tarja ou de venda livre, os MIPs são voltados para o tratamento de sintomas leves e podem ser adquiridos em farmácias privadas sem a necessidade de receita médica. Geralmente, incluem analgésicos (para dor), antitérmicos (para febre), antidiarreicos (para diarreia) e antieméticos (para náuseas e vômitos).
É crucial notar que, no Sistema Único de Saúde (SUS), mesmo um medicamento isento de prescrição necessita de indicação médica, e a receita é retida no serviço de saúde para controle. Um alerta importante: a publicidade online de vitaminas ou outros medicamentos de venda livre pode ser sedutora, mas a compra sem orientação profissional é arriscada e estimula a automedicação, colocando sua saúde em perigo.
Medicamentos de Venda Sob Prescrição
São remédios que só podem ser obtidos mediante apresentação de prescrição médica. Dentro dessa categoria geral, temos duas subdivisões importantes, identificadas pelas cores de tarja na embalagem:
Medicamentos de Tarja Vermelha
A venda desses medicamentos exige a prescrição de um profissional de saúde, como médico ou dentista, e a apresentação da receita. Em alguns casos específicos, a receita deve ser retida pela farmácia. É fundamental estar atento! Alguns desses medicamentos, especialmente os antimicrobianos (como antibióticos, que combatem microrganismos como bactérias), sofrem um controle especial.
A prescrição de antimicrobianos deve ser feita em receituário privativo do prescritor ou do estabelecimento de saúde. Não há um modelo de receita específico, mas a dispensação em farmácias públicas e privadas ocorre mediante a retenção da segunda via da receita, sendo a primeira devolvida ao paciente. Isso garante um controle mais rigoroso sobre o uso desses medicamentos, crucial para combater a resistência bacteriana.
Medicamentos Controlados, de Tarja Preta
Estes são medicamentos que agem no sistema nervoso central e têm o potencial de causar dependência física ou psíquica. Por isso, estão sujeitos a um controle ainda mais rigoroso. Sua aquisição exige um receituário próprio, de cor amarela ou azul, com cópia e retenção de uma via na farmácia. É imprescindível verificar o preenchimento da receita; erros ou o uso de formulário incorreto podem resultar na recusa da venda do medicamento. O Regulamento Técnico sobre substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial, estabelecido pela Anvisa e periodicamente revisado, contém as regras sobre o comércio e uso de entorpecentes e psicotrópicos, visando à segurança da população.
Diferenças entre Medicamentos de Marca, Genéricos e Similares
Esta é uma das distinções mais relevantes para o consumidor, impactando diretamente o preço e a disponibilidade dos medicamentos:
Medicamento de Referência (de Marca)
É o medicamento original e inovador, geralmente protegido por patente. Sua eficácia, segurança e qualidade foram exaustivamente comprovadas cientificamente junto à Anvisa por ocasião do registro. A patente é o direito exclusivo de exploração econômica que o laboratório desenvolvedor do medicamento possui por um período, geralmente cerca de 20 anos. Após esse período, outros fabricantes podem copiar o medicamento, dando origem aos genéricos e similares.
Ele é chamado de referência porque qualquer outro medicamento fabricado com o mesmo princípio ativo deve apresentar as mesmas propriedades e, consequentemente, o mesmo efeito terapêutico.
Medicamento Genérico
O medicamento genérico é uma cópia de um produto de referência ou inovador, podendo substituí-lo. Ele é produzido após a expiração ou renúncia da patente do medicamento original, e sua eficácia, segurança e qualidade são comprovadas perante a Anvisa por meio de testes de bioequivalência. Isso significa que o genérico tem as mesmas propriedades e age da mesma forma que o medicamento de referência, sendo considerado intercambiável.
O genérico não possui nome fantasia, sendo identificado apenas pelo nome da substância que é seu princípio ativo. Na rede pública de saúde, os médicos são orientados a receitar os remédios pelo nome do princípio ativo. Na embalagem, os genéricos são facilmente identificados por uma tarja amarela com a letra “G” em destaque e a inscrição “Medicamento Genérico”.
Atenção:
- Mesmo em serviços privados, peça ao seu médico que receite os remédios pelo nome genérico.
- Se o médico insistir em uma marca específica, solicite explicações claras e justificativas.
- Compre medicamentos apenas em farmácias de confiança e com a presença de um farmacêutico.
- Na farmácia, não aceite qualquer substituição sem antes consultar o farmacêutico responsável, que é o único autorizado a realizar a troca por um equivalente. Em caso de dúvida, converse com seu médico.
Medicamento Similar Intercambiável (de Marca)
Também conhecido como “Produto Farmacêutico Intercambiável”, é um equivalente terapêutico de um medicamento de referência, com eficácia e segurança comprovadas. O similar contém o mesmo princípio ativo (ou ativos), a mesma concentração, forma farmacêutica, via de administração, posologia e indicação terapêutica do medicamento de referência. Ele pode diferir em características secundárias, como tamanho, forma, prazo de validade, embalagem, rotulagem, excipientes e veículos, mas sua eficácia e segurança são rigorosamente comprovadas pela Anvisa.
Diferente dos genéricos, o medicamento similar é identificado por um nome comercial ou marca. Até dezembro de 2014, todos os medicamentos similares precisaram comprovar sua eficácia e segurança junto à Anvisa por meio de estudos de bioequivalência em relação a um medicamento de referência. Aqueles que foram aprovados estão listados oficialmente pela Anvisa como medicamentos similares intercambiáveis.
| Característica | Medicamento de Referência | Medicamento Genérico | Medicamento Similar Intercambiável |
|---|---|---|---|
| Nome | Nome de marca/fantasia | Nome do princípio ativo | Nome de marca/fantasia |
| Patente | Sim (original e inovador) | Não (após expiração da patente) | Não (após expiração da patente) |
| Bioequivalência | Não se aplica (é o padrão) | Comprovada com o de referência | Comprovada com o de referência |
| Intercambialidade | Sim | Sim (com o de referência) | Sim (com o de referência) |
| Identificação | Marca específica | Tarja amarela com 'G' | Marca específica (comprovado pela Anvisa) |
| Preço | Geralmente mais alto | Geralmente mais acessível | Geralmente mais acessível |
Classificação Quanto ao Local de Produção
Por fim, a origem geográfica do medicamento também constitui uma forma de classificação:
Medicamentos Produzidos no País
São aqueles fabricados em laboratórios farmacêuticos instalados no Brasil, seguindo todas as normas sanitárias e regulamentações brasileiras. A produção nacional contribui para a economia local e para a segurança do abastecimento de medicamentos.
Medicamentos Importados
São medicamentos produzidos fora do Brasil. Esses remédios importados devem apresentar, em língua portuguesa, todas as informações essenciais sobre suas características, incluindo qualidade, quantidade, composição, preço, garantia, prazo de validade e, crucialmente, os riscos que podem apresentar à saúde e segurança dos consumidores. O nome da empresa importadora deve estar claro e corretamente identificado, juntamente com suas formas de contato. A empresa importadora é responsável pelo produto que coloca no mercado e, em caso de acidente de consumo, deve indenizar o consumidor. Além disso, é de sua responsabilidade a tradução correta de todas as informações da rotulagem e da bula do medicamento.
Caso o fornecedor estrangeiro possua filial no Brasil ou a marca do produto esteja presente no país, o consumidor pode reivindicar seus direitos diretamente à filial do fornecedor ou à empresa detentora da marca no Brasil. Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça já condenou empresas nacionais a indenizarem consumidores que enfrentaram problemas com produtos da mesma marca adquiridos no exterior, reforçando a responsabilidade das empresas no mercado globalizado.
Perguntas Frequentes (FAQ)
- É seguro substituir um medicamento de referência por um genérico?
- Sim, é seguro. Os medicamentos genéricos passam por rigorosos testes de bioequivalência que comprovam que eles possuem a mesma eficácia, segurança e qualidade do medicamento de referência. Isso significa que eles entregam o mesmo efeito terapêutico no organismo e são, portanto, intercambiáveis.
- Qual a importância da receita médica, mesmo para medicamentos que parecem “simples”?
- A receita médica é fundamental porque o médico, com base em seu conhecimento e no diagnóstico, indica o medicamento correto, a dosagem adequada e a duração do tratamento. Mesmo medicamentos para sintomas leves, se usados incorretamente, podem causar efeitos adversos, interações medicamentosas ou mascarar doenças mais graves. A automedicação é um risco à saúde.
- Medicamentos fitoterápicos são sempre seguros por serem naturais?
- Não. Embora sejam derivados de plantas, os fitoterápicos contêm princípios ativos que podem interagir com outros medicamentos, causar efeitos colaterais ou ser contraindicados para certas condições de saúde. Eles devem ser usados com a mesma cautela que outros medicamentos, sempre sob orientação de um profissional de saúde, e devem cumprir todas as regulamentações sanitárias para garantir sua segurança e eficácia.
- O que devo fazer se notar erros no preenchimento da minha receita médica?
- Se você identificar qualquer erro na receita médica (como dosagem incorreta, nome do medicamento ilegível ou formulário impróprio), não tente corrigi-lo ou usar o medicamento. Retorne imediatamente ao seu médico ou dentista para que a receita seja corrigida ou reemitida. Farmácias são proibidas de dispensar medicamentos com receitas que apresentem irregularidades, especialmente para medicamentos controlados.
- Posso pedir ao farmacêutico para substituir meu medicamento de tarja preta por um similar ou genérico?
- Não. Medicamentos de tarja preta (controlados) têm um regime de controle muito rigoroso devido ao seu potencial de dependência e efeitos no sistema nervoso central. A substituição só pode ser feita pelo médico prescritor ou, em alguns casos, o farmacêutico pode substituir por um genérico comprovadamente intercambiável, mas sempre com extrema cautela e seguindo as normas da Anvisa. Nunca aceite substituições sem ter certeza e, em caso de dúvida, sempre consulte seu médico.
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