Quantos enfermeiros existem no SNS?

Profissionais de Saúde em Portugal: O Essencial

05/05/2025

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A saúde é um pilar fundamental de qualquer sociedade, e o seu funcionamento eficaz depende intrinsecamente do trabalho dedicado de uma vasta gama de profissionais. Em Portugal, como em muitos outros países, a evolução do conceito de saúde tem transformado a figura do médico como único centro, abraçando uma abordagem cada vez mais multidisciplinar, interdisciplinar e transdisciplinar. Este novo paradigma reconhece que a complexidade da saúde humana exige a colaboração de diversas especialidades e saberes, desde enfermeiros e técnicos de diagnóstico a terapeutas e assistentes sociais, todos trabalhando em conjunto para garantir o bem-estar integral do cidadão.

O que é ser profissional de saúde?
O profissional da área da saúde é uma pessoa que trabalha em uma profissão relacionada às ciências da saúde. Enfermeira.

A compreensão do que significa ser um profissional de saúde vai além da simples prestação de cuidados diretos. Envolve um compromisso contínuo com a ciência, a inovação e, acima de tudo, com o serviço à comunidade. Estes profissionais são a linha da frente na prevenção de doenças, no tratamento de condições agudas e crónicas, na reabilitação e na promoção de estilos de vida saudáveis. A sua formação é rigorosa e a sua atualização constante, adaptando-se às novas descobertas médicas e às necessidades em constante mudança da população. A sua presença é sentida em hospitais, centros de saúde, clínicas privadas, farmácias e em diversos outros contextos que, em conjunto, formam a intrincada rede de cuidados de saúde.

Índice de Conteúdo

O Panorama Geral dos Profissionais de Saúde em Portugal

O Dia Mundial da Saúde, celebrado a 7 de abril, é uma oportunidade para refletir sobre o estado da saúde e dos seus profissionais. Segundo dados recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) relativos a 2022, Portugal tem assistido a um crescimento no número de profissionais de saúde, um indicador positivo que reflete o investimento e a crescente procura nesta área vital. Em 2022, o país contava com 60.396 médicos e 81.799 enfermeiros, representando um aumento de 2,8% e 1,9% respetivamente em relação a 2021.

A distribuição destes profissionais pelo território nacional, contudo, não é uniforme, revelando disparidades regionais que impactam diretamente o acesso aos cuidados. A Grande Lisboa, por exemplo, destaca-se com 8,3 médicos por mil habitantes, enquanto a região Oeste e Vale do Tejo apresenta um rácio significativamente mais baixo, de 2,5 médicos por mil habitantes. No que diz respeito aos enfermeiros, as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores lideram com 9,8 e 10,1 enfermeiros por mil habitantes, respetivamente, contrastando novamente com o Oeste e Vale do Tejo, que regista apenas 4,9 enfermeiros por mil habitantes. Esta desigualdade na distribuição é um desafio persistente que afeta a equidade no acesso aos serviços de saúde por parte da população.

Tabela Comparativa: Profissionais de Saúde em Portugal (2021-2022)

Profissional20212022Variação (%)
Médicos58.75160.396+2,8%
Enfermeiros80.27481.799+1,9%

Estes números refletem um esforço contínuo para fortalecer a capacidade de resposta do sistema de saúde, embora os desafios persistam, especialmente em áreas com menor densidade populacional e em especialidades específicas.

A Recuperação da Atividade Hospitalar Pós-Pandemia

A pandemia de COVID-19 impôs uma pressão sem precedentes sobre os hospitais, afetando drasticamente a atividade assistencial regular. Em 2022, observou-se uma recuperação notável nos atos assistenciais prestados em contexto hospitalar, com as consultas médicas, cirurgias em bloco operatório e atos complementares de diagnóstico e/ou terapêutica a ultrapassarem os valores registados antes da pandemia. Este é um sinal encorajador da resiliência do sistema e do empenho dos profissionais em normalizar a prestação de cuidados.

A urgência hospitalar foi a vertente que registou o maior acréscimo, com mais 1,5 milhões de atendimentos em 2022 (+23,9% em relação a 2021). Este aumento aproximou os valores aos níveis pré-2020, ano em que os atendimentos de urgência diminuíram 30,3%, atingindo o valor mais baixo desde 1999. Os hospitais públicos e em parceria público-privada mantiveram-se como os principais prestadores de serviços, assegurando a maioria dos atos complementares de diagnóstico e/ou terapêutica (86,2%), atendimentos em urgência (81,6%), internamentos (74,6%) e cirurgias em bloco operatório (71,5%). Contudo, os hospitais privados demonstraram um peso mais expressivo nas consultas médicas, representando 38,0% do total.

Indicadores de Saúde e Qualidade de Vida da População

Para além dos números de profissionais e da atividade assistencial, é crucial analisar os indicadores de saúde e qualidade de vida da população. Em 2023, a proporção de pessoas com limitações na realização de atividades habituais devido a problemas de saúde continuou a diminuir, atingindo 33,4%, um decréscimo de 0,6 pontos percentuais face a 2022. Este indicador é uma aproximação reconhecida internacionalmente ao conceito de incapacidade.

Contudo, o indicador de “Anos de vida saudável” revela uma realidade mais complexa. Em 2021, a esperança média de vida aos 65 anos era de 18,3 anos para homens e 22,0 anos para mulheres. No entanto, ao considerar as limitações devido a problemas de saúde, a expectativa de vida saudável diminui drasticamente para apenas 8,4 anos para homens e 7,4 anos para mulheres da mesma idade. Estes valores são inferiores às médias da União Europeia (UE-27), que registam 9,5 anos para homens e 9,9 anos para mulheres, sublinhando a necessidade de políticas que promovam não só a longevidade, mas também a qualidade de vida.

A saúde mental também é uma preocupação crescente. Em 2023, 34,3% da população com 16 ou mais anos apresentava sintomas de ansiedade generalizada, sendo que 11,1% com níveis mais severos. Fatores como o género (mulheres), o desemprego, a insuficiência alimentar, a doença crónica ou prolongada e as limitações por motivos de saúde aumentam a probabilidade de desenvolver estes sintomas, evidenciando a interligação entre saúde física, mental e condições socioeconómicas.

O Serviço Nacional de Saúde (SNS): Um Olhar Detalhado

O Serviço Nacional de Saúde (SNS), formalmente criado em 1979, é a espinha dorsal do sistema de saúde português, garantindo o acesso universal e tendencialmente gratuito aos cuidados de saúde. Apesar do aumento do financiamento nos últimos anos, o SNS continua a enfrentar desafios significativos, especialmente após a pressão exercida pela pandemia.

O que é ser profissional de saúde?
O profissional da área da saúde é uma pessoa que trabalha em uma profissão relacionada às ciências da saúde. Enfermeira.

Número de Profissionais do SNS

O SNS tem registado um aumento consistente no número de trabalhadores. Em junho de 2024, o serviço público contava com um total de 150.333 trabalhadores, um crescimento notável em comparação com os 130.752 registados em junho de 2019, antes da pandemia, e os pouco mais de 120 mil em 2010. Este aumento de quase 20 mil trabalhadores em cinco anos demonstra um esforço para reforçar as equipas.

Especificamente, em junho de 2024, trabalhavam nos hospitais e centros de saúde do SNS 21.395 médicos especialistas, mais 2.739 do que em 2019. A estes somam-se quase 11 mil internos em formação. Os enfermeiros, que constituem o maior grupo profissional do SNS, passaram de 43.312 em 2019 para quase 51 mil em junho de 2024. Os técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica também registaram um crescimento, de 8.204 em 2019 para 9.858 em 2024.

Portugal vs. Média da UE: Rácios de Profissionais

Apesar deste aumento, Portugal ainda enfrenta desafios em comparação com a média europeia. Segundo a OCDE, em 2021, o rácio de enfermeiros profissionalmente ativos em Portugal (7,4 por 1.000 habitantes) era 13% inferior à média da União Europeia. Relativamente aos médicos, Portugal registava 5,6 médicos por 1.000 habitantes em 2021, um valor superior à maioria dos outros países da UE. No entanto, a OCDE alerta que este número inclui todos os médicos habilitados, enquanto outros países consideram apenas os médicos em exercício, o que pode influenciar a comparação.

O Desafio Crítico dos Médicos de Família

A falta de médicos de família é um dos problemas mais prementes do SNS e um dos principais obstáculos ao acesso dos utentes aos cuidados de saúde primários. O número de pessoas sem um especialista de medicina geral e familiar atribuído tem vindo a agravar-se significativamente. Em agosto de 2019, eram 644.077 utentes nesta situação, um número que disparou para 1.675.663 no último mês, representando um aumento de mais de um milhão de utentes sem médico de família. Embora tenha havido uma redução entre dezembro de 2023 e fevereiro de 2024, o número voltou a subir nos meses seguintes.

No final do último mês, o total de utentes com médico de família atribuído era o mais baixo desde 2016, pouco mais de 8,7 milhões, comparado com os cerca de 9,6 milhões em agosto de 2019. Um fator que agrava esta situação é o envelhecimento da classe médica. Dados da Ordem dos Médicos de maio de 2024 indicam que dos 9.003 clínicos com a especialidade de medicina geral e familiar, 45% (4.115) já tinham mais de 65 anos e 18% mais de 70 anos. Esta realidade aponta para uma futura escassez ainda maior se não houver um reforço significativo na formação e retenção de novos profissionais.

Para tentar minimizar este problema, o Governo aprovou a criação das Unidades de Saúde Familiar modelo C, que serão geridas por autarquias e setores social e privado, com as primeiras 20 a serem abertas em regiões com maior carência. Adicionalmente, foram abertas cerca de 900 vagas para medicina geral e familiar, num esforço para captar mais profissionais para os cuidados de saúde primários.

Custos Operacionais: Horas Extra e Prestadores de Serviços

A carência de profissionais em certas áreas leva o SNS a recorrer a soluções que aumentam os custos operacionais. Em 2023, as unidades do SNS gastaram quase 475 milhões de euros com o pagamento de 18,2 milhões de horas extraordinárias, um aumento de 12,7% em relação a 2022. Os médicos, incluindo internos, foram responsáveis por 39% do volume global de horas suplementares (7,1 milhões de horas), recebendo 323 milhões de euros. Os enfermeiros realizaram 5,3 milhões de horas extraordinárias, auferindo quase 90 milhões de euros.

Além das horas extra, a contratação de prestadores de serviços médicos externos, uma solução para colmatar a falta de especialistas, totalizou 6,1 milhões de horas. Esta prática, embora necessária para manter alguns serviços em funcionamento, tem sido responsável por constrangimentos e encerramentos temporários de urgências, especialmente em obstetrícia e pediatria.

Financiamento e Investimento no SNS

O financiamento do SNS é assegurado predominantemente pelo Orçamento do Estado. Em 2023, o SNS custou cerca de 14 mil milhões de euros, um aumento de 6,8% face ao ano anterior. Este valor representou 5,3% do Produto Interno Bruto (PIB) português e 12,5% do total da despesa pública, colocando Portugal como o sexto país da União Europeia que aloca uma maior parcela do seu PIB à saúde. Apesar do aumento da receita ter superado o crescimento da despesa, o SNS registou um défice de 435 milhões de euros em 2023, embora este valor represente uma melhoria de cerca de 631 milhões de euros face a 2022.

No entanto, o investimento continua a ser uma área de preocupação. Em 2023, o investimento representou apenas 2,6% da despesa total do SNS, um valor que o Conselho das Finanças Públicas (CFP) considera ser um reflexo da “baixa prioridade” dada a esta área nos últimos anos. No período de 2014 a 2023, o investimento médio foi de apenas 1,7% da despesa total. Apesar deste baixo nível de investimento global, a OCDE reconhece que Portugal investiu na expansão da sua rede de cuidados de saúde primários, resultando num aumento de 12% no número total de unidades entre 2011 e 2021.

Quantos profissionais de saúde existem em Portugal?
Portal Oficial - Instituto Nacional de Estatística Em 2022, existiam em Portugal 60 396 médicos e 81 799 enfermeiros, respetivamente mais 2,8% de médicos e mais 1,9% de enfermeiros do que em 2021.

O Plano de Emergência e Transformação da Saúde

Em resposta aos desafios diagnosticados, o Governo aprovou o Plano de Emergência e Transformação da Saúde, composto por 54 medidas urgentes, prioritárias e estruturantes, divididas em cinco eixos. Este plano visa dar uma resposta mais eficaz às necessidades da população. Entre os primeiros resultados divulgados, destaca-se o programa de recuperação das listas de espera cirúrgicas para doentes com cancro, que permitiu a realização de 25.800 operações entre maio e agosto, um crescimento de 15,8% em relação ao ano anterior. A Linha SNS Grávida, por sua vez, atendeu 25.718 chamadas entre junho e agosto, evitando que quase três em cada 10 grávidas tivessem de se deslocar a uma urgência, redirecionando quase 18 mil casos urgentes.

Apesar destes avanços, o ministério reconheceu que o período de verão foi particularmente desafiante para as urgências de obstetrícia, com 17 serviços a registar encerramentos temporários num único domingo de agosto. No início de setembro, a ministra da Saúde anunciou que oito das 15 medidas mais urgentes do plano já tinham sido concretizadas, com seis em curso e uma ainda por iniciar.

Produção vs. Procura: Um Equilíbrio Frágil

Após a prioridade dada ao combate à COVID-19 em 2020 e 2021, a atividade assistencial dos hospitais e centros de saúde voltou a aumentar nos últimos anos. Contudo, esta recuperação tem-se mostrado insuficiente para satisfazer a crescente procura, conforme alertado pelo CFP. Em 2023, os hospitais registaram um aumento da produção, com 13,3 milhões de consultas médicas hospitalares (+3,9% face a 2022) e 817 mil cirurgias realizadas (+7,6% face a 2022).

No entanto, o aumento do número de primeiras consultas hospitalares (mais 156 mil em 2023) não foi suficiente para satisfazer o acréscimo da procura (mais 263 mil pedidos), resultando num aumento das listas de espera. O número de utentes em Lista de Inscritos para Cirurgia (LIC) continuou a crescer, atingindo 265 mil, face aos 235 mil em 2022. As urgências hospitalares registaram um total de 6,1 milhões de atendimentos em 2023, um número elevado que se mantém constante e que exerce uma pressão significativa sobre estes serviços.

Nos cuidados primários, 2023 verificou uma ligeira diminuição da atividade assistencial, com uma redução de 2,5% (-868 mil) nas consultas médicas face a 2022. Esta diminuição deveu-se principalmente ao menor volume de consultas não presenciais (-6,3%), embora as consultas presenciais tenham registado um ligeiro aumento (+0,8%). Perante estes números, o Governo tem implementado programas específicos para a recuperação de listas de espera e a criação de alternativas para diminuir a pressão sobre as urgências, no âmbito do já referido Plano de Emergência e Transformação da Saúde.

Perguntas Frequentes

O que significa a multidisciplinaridade na saúde?

Significa que a prestação de cuidados de saúde envolve a colaboração de diversos profissionais de diferentes áreas e especialidades, como médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, entre outros, trabalhando em conjunto para oferecer um tratamento mais completo e abrangente ao paciente.

Por que há tantos utentes sem médico de família em Portugal?

A falta de médicos de família deve-se a uma combinação de fatores, incluindo o envelhecimento da classe médica, um número insuficiente de novos profissionais a entrar na especialidade para substituir os que se aposentam, e a distribuição desigual dos profissionais pelo território nacional. Isso resulta em listas de espera e na dificuldade de acesso a cuidados primários contínuos.

O investimento no SNS é suficiente para as suas necessidades?

O Serviço Nacional de Saúde tem visto um aumento no seu financiamento total, mas o investimento em infraestruturas e equipamentos tem sido historicamente baixo, representando uma pequena percentagem da despesa total. Esta carência de investimento pode dificultar a modernização e a expansão da capacidade do sistema para responder às crescentes necessidades da população.

Conclusão

Os profissionais de saúde são, sem dúvida, o coração do sistema de saúde português. Os dados recentes revelam um cenário de crescimento no número de médicos e enfermeiros, bem como uma notável recuperação da atividade hospitalar após a pandemia. No entanto, persistem desafios estruturais significativos, como as disparidades regionais na distribuição de profissionais e a alarmante escassez de médicos de família, que impactam diretamente a equidade e o acesso aos cuidados. O SNS, apesar do reforço de pessoal e do aumento do financiamento, enfrenta a pressão de uma procura crescente e a necessidade de um maior investimento para a sua modernização.

O Plano de Emergência e Transformação da Saúde demonstra um reconhecimento da urgência em abordar estas questões, com medidas que visam otimizar a resposta assistencial e reduzir as listas de espera. Contudo, a efetivação de um sistema de saúde robusto e equitativo exige um compromisso contínuo, não só em termos de números e financiamento, mas também na valorização e retenção dos seus profissionais. A saúde em Portugal está num ponto de viragem, e o futuro dependerá da capacidade de todos os intervenientes em colaborar para superar os desafios e construir um sistema que garanta o bem-estar de todos os cidadãos.

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