27/11/2023
O queijo é um alimento que ocupa um lugar especial à mesa de muitos brasileiros e portugueses, seja no café da manhã, como entrada, ingrediente principal ou até mesmo como protagonista de uma tábua de sabores. Enraizado na cultura gastronômica nacional, é presença quase obrigatória em refeições familiares e celebrações. No entanto, a par do seu sabor irresistível, surge uma pergunta cada vez mais frequente: será o queijo uma opção saudável? Para esclarecer este tema, desvendaremos os fatos nutricionais e as melhores escolhas para sua saúde, sem abrir mão do prazer de comer queijo.

- Queijo: Amigo ou Vilão da Saúde? Desvendando o Mito dos Processados
- A Chave para Escolhas Inteligentes: Lendo os Rótulos
- Queijos Frescos vs. Curados: O Ranking da Saúde
- A Medida Certa: Quantas Fatias de Queijo Comer por Dia?
- Queijo e Condições de Saúde Específicas: Diabetes, Fígado e Intolerância à Lactose
- Queijo na Infância: Orientações para os Pequenos
- Mitos e Verdades Sobre o Consumo de Queijo
- Benefícios Nutricionais do Queijo: Por Que Ele Merece um Lugar na Dieta
- Do Armazenamento à Tábua: Dicas para Apreciar Seu Queijo
- Perguntas Frequentes Sobre o Queijo e a Saúde
Queijo: Amigo ou Vilão da Saúde? Desvendando o Mito dos Processados
Os queijos são alimentos importantes para a dieta por serem ricos em vitamina A, proteínas e cálcio. Eles fazem parte do grupo dos lacticínios na Roda dos Alimentos, juntamente com o leite e o iogurte, e o seu consumo moderado é recomendado como uma fonte importante de nutrientes essenciais. Segundo especialistas, “os queijos podem fazer parte de uma alimentação saudável, quando consumidos nas doses recomendadas”. Cada porção – equivalente a duas fatias finas de queijo ou metade de um requeijão – fornece uma dose rica em cálcio, vitamina A, B2, B12, fósforo, zinco e iodo, nutrientes indispensáveis para ossos fortes e um sistema imunitário saudável.
Contudo, apesar de manterem a identidade básica e a maioria dos nutrientes do leite, os queijos são classificados como processados devido à adição de sal e de micro-organismos de fermentação. Essa classificação, em si, não os torna vilões, mas o problema reside no excesso. O consumo elevado de queijos, especialmente aqueles com alta concentração de gordura e sódio, pode aumentar os riscos de obesidade, doenças no coração e outras condições crônicas. É crucial entender que a gordura não é um inimigo, pois precisamos dela para o funcionamento do corpo, mas o desequilíbrio é a grande questão. O Guia Alimentar Para a População Brasileira, por exemplo, adverte para a redução do consumo de queijos, principalmente para quem já tem histórico de doenças relacionadas ao consumo de sal e gordura.
A Chave para Escolhas Inteligentes: Lendo os Rótulos
Para quem busca uma alimentação mais saudável, a leitura dos rótulos é fundamental. Não basta apenas escolher o tipo de queijo; é preciso analisar sua composição. Além do teor de gordura, o teor de sal é um ponto crítico. Devemos privilegiar queijos com menos de 0,3 g de sal por 100 g e evitar os que ultrapassam os 1,5 g. Queijos com a designação “light”, apesar de conterem menos 30% de gordura comparativamente às versões tradicionais, podem induzir um consumo excessivo, comprometendo os benefícios desta redução. Outro ponto relevante são os ingredientes adicionais. Os melhores queijos são aqueles que mantêm uma lista simples: leite, fermentos lácteos, coalho e sal. O excesso de aditivos, como corantes e manteiga, pode significar maior teor de gordura e menor qualidade nutricional.
Queijos Frescos vs. Curados: O Ranking da Saúde
Na rotina, é comum a ingestão de diferentes tipos de queijo, como o prato, muçarela, minas ou parmesão. Contudo, há recomendações sobre quais são mais saudáveis e ideais para a alimentação diária. A sugestão é privilegiar os queijos frescos, aqueles com grande quantidade de água e pouca concentração de gordura, como o cottage, o minas frescal e a ricota. Esses queijos necessitam de refrigeração constante e são os mais recomendados para o café da manhã, lanches ou saladas, pois têm uma densidade calórica menor do que os queijos amarelos e mais gordurosos, como o parmesão, o grana padano e o provolone.
Em um “ranking” de queijos ideais para o consumo diário, a prioridade deve ser dada aos frescos. Em seguida, vêm os tipos “intermediários”, como o queijo prato e a muçarela, que têm menos calorias e podem ser aliados na dieta, mas sempre com moderação. Queijos de mofo branco, como o brie, e azul, a exemplo do gorgonzola, devido ao sabor forte, geralmente não são consumidos em grande quantidade, o que diminui a ingestão calórica e de sal. Para quem precisa perder peso, a atenção deve ser redobrada aos rótulos, buscando queijos com baixo índice calórico por porção. Ricota e queijo minas frescal são excelentes exemplos.
Para facilitar a escolha, veja uma tabela comparativa:
| Tipo de Queijo | Características | Recomendação de Consumo |
|---|---|---|
| Ricota | Fresco, baixo teor de gordura e sódio, alta umidade. | Altamente recomendado para dietas e consumo diário. |
| Minas Frescal | Fresco, leve, boa fonte de cálcio, moderado em gordura. | Excelente opção para consumo diário. |
| Cottage | Fresco, baixo teor de gordura e calorias, rico em proteínas. | Ideal para dietas, lanches e saladas. |
| Muçarela | Semiduro, versátil, teor de gordura e sódio intermediário. | Consumo moderado, boa opção para sanduíches e pizzas. |
| Queijo Prato | Semiduro, sabor suave, teor de gordura e sódio intermediário. | Consumo moderado, popular no café da manhã. |
| Parmesão | Curado, duro, alto teor de gordura e sódio, sabor intenso. | Consumo ocasional e em pequenas porções. |
| Cream Cheese/Requeijão | Ultraprocessados, podem conter muitos aditivos. | Evitar ou consumir com muita moderação. |
A Medida Certa: Quantas Fatias de Queijo Comer por Dia?
Afinal, qual é a quantidade ideal de queijo para comer sem fazer mal à saúde? A resposta varia de pessoa para pessoa, dependendo de fatores como idade, sexo, nível de atividade física e estado de saúde geral. No entanto, algumas diretrizes gerais podem ajudar a determinar uma porção adequada:
- Recomendações gerais: De 30 a 60 gramas por dia, o que equivale a cerca de uma ou duas fatias finas de queijo.
- Variedade: Opte por queijos com menor teor de gordura e sódio, como ricota, queijo minas frescal ou cottage.
- Equilíbrio: Considere o consumo de queijo dentro de uma dieta equilibrada, incluindo outros alimentos ricos em cálcio e proteínas.
Lembre-se que o consumo excessivo de qualquer alimento pode ser prejudicial à saúde. Portanto, é essencial manter uma dieta equilibrada e variada, incluindo o queijo como parte de um estilo de vida saudável.

Queijo e Condições de Saúde Específicas: Diabetes, Fígado e Intolerância à Lactose
O queijo pode ser um aliado ou um vilão para quem tem condições de saúde específicas? Para quem tem diabetes, os queijos geralmente têm baixo teor de carboidratos, o que significa que não causam picos de açúcar no sangue, tornando-se uma opção segura quando consumidos com moderação. No entanto, queijos muito gordurosos e processados podem contribuir para o aumento do colesterol e do peso, fatores que devem ser controlados por quem tem diabetes. O ideal é optar por versões mais naturais, com menor teor de gordura e sódio, como cottage, ricota e queijo minas frescal.
Quanto ao fígado, o queijo pode ser consumido sem problemas por quem tem um fígado saudável, desde que com moderação. Contudo, em casos de fígado gorduroso ou outras condições hepáticas, queijos muito gordurosos e ultraprocessados podem agravar a inflamação e dificultar a função do órgão. Optar por versões mais leves, como ricota e cottage, é a melhor escolha para evitar sobrecarga no fígado. Em ambos os casos, o equilíbrio é a chave.
Para pessoas com intolerância à lactose, o queijo pode ser um desafio. A intolerância à lactose é a dificuldade em digerir a lactose, o açúcar presente no leite e em seus derivados, podendo causar sintomas como inchaço, problemas intestinais e desconforto abdominal. No entanto, os queijos curados, como o Flamengo, apresentam uma vantagem: o processo de maturação elimina quase completamente este componente, tornando-os mais fáceis de digerir e, portanto, boas opções para quem possui essa condição.
Queijo na Infância: Orientações para os Pequenos
Crianças podem comer queijo, mas é importante escolher o tipo adequado e oferecer na quantidade certa para cada idade. O consumo de queijo não é recomendado antes dos 6 meses. Após essa idade, queijos suaves e pasteurizados podem ser introduzidos aos poucos, desde que o bebê já tenha iniciado a alimentação sólida. A partir de 1 ano, a maioria dos queijos pode ser oferecida com moderação, evitando os mais salgados e gordurosos.
- Quantidade recomendada: De 6 meses a 1 ano, pequenos pedaços (do tamanho de um grão de ervilha) de queijos suaves como ricota, cottage e minas frescal podem ser oferecidos ocasionalmente. De 1 a 3 anos, cerca de 20 a 30g por dia (equivalente a uma fatia pequena ou um cubo médio). De 4 a 6 anos, até 40g por dia. Acima de 7 anos, o consumo pode ser com mais flexibilidade, desde que dentro de uma alimentação equilibrada.
- Queijos mais indicados: Ricota, cottage, minas frescal e muçarela (com menos sal e gordura).
- Queijos a evitar: Queijos muito salgados (gorgonzola, parmesão) e não pasteurizados, pois podem conter bactérias prejudiciais.
O queijo pode ser prejudicial se consumido em excesso, devido ao teor de sódio e gordura. Crianças com alergia à proteína do leite (APLV) ou intolerância à lactose devem evitar ou consumir versões apropriadas. Em caso de dúvidas ou histórico de alergia na família, consulte um pediatra antes de introduzir o queijo na alimentação do bebê.
Mitos e Verdades Sobre o Consumo de Queijo
Existem muitos mitos em torno do consumo de queijo. Um deles é a ideia de que os queijos processados, como os fatiados, são menos saudáveis. Na verdade, a composição nutricional de queijos fatiados que são apenas fatias de um queijo original permanece a mesma. No entanto, os queijos de barrar ou fundidos podem incluir ingredientes extras, como natas, aumentando a gordura saturada. Outro mito comum é a superioridade absoluta dos queijos de cabra e ovelha. Embora tenham menos lactose, são frequentemente mais ricos em gordura. São boas opções para quem tem alergia às proteínas do leite de vaca, mas devem ser consumidos com moderação.

Benefícios Nutricionais do Queijo: Por Que Ele Merece um Lugar na Dieta
Apesar das ressalvas sobre o consumo excessivo, o queijo, de forma geral, não faz mal à saúde quando consumido com moderação e dentro de uma alimentação equilibrada. Ele é uma excelente fonte de cálcio, essencial para ossos e dentes saudáveis. Contém proteínas de alta qualidade, que ajudam na construção muscular e na manutenção da imunidade, contribuindo para a longevidade. Além disso, fornece vitaminas do complexo B, importantes para o metabolismo, e alguns tipos podem possuir probióticos, que beneficiam a saúde intestinal. O queijo também pode ajudar na sensação de saciedade, auxiliando no controle do apetite.
Do Armazenamento à Tábua: Dicas para Apreciar Seu Queijo
Para desfrutar ao máximo do seu queijo, tanto em termos de sabor quanto de segurança alimentar, o armazenamento adequado é crucial. Os queijos devem ser conservados no frigorífico, envolvidos por papel vegetal ou película aderente, para evitar que absorvam outros sabores. Depois de envolvido, deve ser guardado numa caixa com tampa. É importante ir mudando o material que envolve o queijo para que se mantenham as suas propriedades. Não é recomendável a congelação do queijo, uma vez que este processo altera a textura, o sabor e o aroma do produto. Alguns queijos necessitam de ser retirados do frigorífico entre 10 a 30 minutos antes do consumo, para que as suas características (cor, aroma, consistência) sejam salientadas. Os queijos frescos devem ser consumidos imediatamente após serem retirados do frio.
Uma tábua de queijos, para ser apelativa, deverá respeitar a diversidade no que diz respeito ao sabor, textura, forma e cor dos queijos selecionados. Aposte, por isso, numa diversidade de texturas e sabores, com queijos de massa dura, semidura e mole; de cascas de cores diversificadas. Selecione, no total, entre três a sete tipos de queijo. Disponha os queijos por ordem (deixando um espaço entre eles para permitir o corte), do mais suave para o mais forte, incentivando uma degustação que estimule os sentidos. Os queijos podem ser apresentados numa tábua ou prato de madeira, ardósia ou granito, materiais que não influenciem nem o aroma nem o sabor dos queijos. Os queijos devem ser apresentados fora da embalagem e devidamente cortados.
É muito importante a presença de pão caseiro numa tábua de queijos. Além do pão de trigo caseiro, poderá optar pelo pão de centeio, pão com passas, pão com sementes ou pão com ervas aromáticas. Numa versão mais contemporânea, pode adicionar tostas finas ou bolachas de água e sal, podendo também ser combinados com doces, compotas e marmeladas, amêndoas, nozes ou avelãs, que são um clássico nas tábuas de queijo, conferindo-lhes textura e requinte.
A ligação entre queijos e vinhos é antiga, uma combinação que tem como único objetivo engrandecer e melhorar o sabor do queijo, quando associado ao vinho. O segredo está em conseguir o equilíbrio entre os sabores dos dois. Com queijos curados de cura prolongada, como o Três Igrejas, vai bem um vinho tinto com estrutura. Se o queijo tiver uma cura mais reduzida, como o Regional ou o Serra da Vila, podemos optar por um tinto mais leve. Os queijos de cabra combinam harmoniosamente com vinho branco leve com características frutadas e refrescantes ou, no caso dos queijos de pasta mais mole, com espumante.
Perguntas Frequentes Sobre o Queijo e a Saúde
1. Comer queijo todos os dias faz mal?
Não necessariamente, desde que seja feito com equilíbrio e escolha de opções mais saudáveis. O excesso, principalmente de queijos muito gordurosos ou ultraprocessados, pode contribuir para o aumento do colesterol e da pressão arterial. Incluir porções moderadas de queijos mais leves na dieta diária pode ser benéfico.

2. Qual é o queijo mais indicado para quem quer perder peso?
Os queijos mais indicados para quem busca perder peso são os frescos e com baixo teor calórico por porção, como a ricota, o cottage e o queijo minas frescal. Eles oferecem boa quantidade de proteínas e cálcio com menos gordura e calorias.
3. Queijo amargo significa que está estragado?
Quando o queijo fica amargo, pode ser um sinal de que algo não está certo, como tempo de maturação excessivo, problemas na produção ou armazenamento inadequado. Se o sabor for muito forte e desagradável, é melhor não arriscar, pois pode causar desconfortos gastrointestinais.
4. O queijo é bom para os ossos?
Sim, o queijo é uma excelente fonte de cálcio e fósforo, minerais fundamentais para a formação e fortalecimento dos dentes e ossos. Por isso, é um alimento importante durante a infância, adolescência e na prevenção da osteoporose.
5. Queijos mofados (como gorgonzola) são seguros para comer?
Sim, queijos com mofo branco (brie) ou azul (gorgonzola) são seguros para consumo. O mofo faz parte do processo de maturação e é o que confere a eles sabores e aromas distintos. Devido ao sabor forte, geralmente são consumidos em menor quantidade, o que ajuda a controlar a ingestão de calorias e sódio.
Em resumo, o queijo pode, de facto, ser parte de uma alimentação equilibrada, desde que consumido com moderação e escolhido de forma informada. Nenhum alimento deve ser consumido com culpa, e, como destacam os especialistas, “a questão está nas quantidades e na atenção ao teor de gordura e sal”. Assim, na próxima vez que preparar uma tábua de queijos ou incluir esta iguaria numa receita, lembre-se: o segredo está no equilíbrio e na escolha consciente.
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