Como funcionam as urgências?

Urgências Médicas: Quando e Como Procurar Ajuda?

25/02/2022

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A decisão de procurar os serviços de urgência hospitalar é um dilema comum para muitos, e em Portugal, este desafio é particularmente evidente. Com a liderança na procura por serviços de urgência entre os países da OCDE, conforme o relatório Health at a Glance 2023, é crucial entender a diferença entre uma situação que exige atenção imediata e outra que pode ser resolvida por outros meios. A elevada afluência de casos de baixa gravidade compromete a capacidade de resposta a situações verdadeiramente críticas, aumentando os tempos de espera e sobrecarregando os recursos. Este artigo visa esclarecer quando e como deve procurar ajuda médica, garantindo que a sua saúde seja protegida e que os serviços de urgência sejam utilizados de forma consciente e eficiente.

Quando se deve ir às urgências?
É aconselhável ir às urgências em situações graves ou que possam colocar a vida em risco, como perda de consciência, dificuldade respiratória grave, hemorragias abundantes, dor no peito intensa e súbita, ou acidentes com ferimentos graves. Situações que não são consideradas urgentes incluem dores ligeiras, febre baixa, tosse e diarreia, que podem ser tratadas em cuidados de saúde primários. Quando ir às urgências (situações graves/emergências): Quando não é urgente: Febre baixa: Se a febre não for alta e não acompanhada de outros sintomas graves, pode ser tratada em casa ou com aconselhamento médico. Tosse persistente: Se não estiver associada a dificuldade respiratória, pode ser tratada em casa ou com aconselhamento médico. Dores ligeiras: Dores de cabeça, garganta ou barriga ligeiras podem ser tratadas com medicamentos comuns. Náuseas e vómitos: Se não forem persistentes e não houver sinais de desidratação, podem ser tratados em casa. Diarreia: Se não houver sinais de desidratação ou complicações, pode ser tratada em casa. Constipações e infeções comuns: Podem ser tratadas em casa ou com aconselhamento médico. Importante:
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O Que é Considerado uma Urgência Médica?

Uma urgência médica é uma condição crítica que representa uma ameaça à saúde, exigindo atenção clínica imediata para evitar o agravamento do estado do doente. É fundamental distinguir entre uma urgência e uma emergência: uma emergência implica risco de vida iminente e deve levar ao contacto imediato com o número de emergência médica 112. No caso específico de bebés, idosos ou doentes portadores de doença crónica, estas situações podem ser ainda mais graves, dada a sua maior vulnerabilidade.

Quando Devo Recorrer à Urgência Hospitalar?

Existem sintomas e situações que, pela sua natureza e potencial gravidade, devem determinar a ida imediata à urgência hospitalar. É vital estar atento a estes sinais:

  • Perigo de Vida (Emergência): Se os sintomas apresentados colocarem em risco a vida do paciente ou de outra pessoa, como uma paragem cardiorrespiratória ou um acidente grave. Nestes casos, o contacto deve ser o 112.
  • Cortes Profundos: Feridas de pequena ou média dimensão que não param de sangrar, mesmo com pressão, ou que necessitam de intervenção médica para a cicatrização adequada.
  • Lesões na Zona da Cabeça: Traumatismos cranianos que devem ser avaliados imediatamente por um médico, especialmente se houver perda de consciência, confusão mental ou náuseas e vómitos associados.
  • Queimaduras Severas: Que afetam a face, mãos, pés, genitais, articulações ou uma área extensa do corpo, que formem bolhas grandes ou deixem a pele aberta e exposta.
  • Convulsões: Principalmente se estes episódios forem repentinos, prolongados ou se a pessoa não tiver histórico de epilepsia e for o primeiro episódio.
  • Dificuldade Respiratória Intensa: Quando há uma grande dificuldade em respirar, falta de ar súbita, respiração ruidosa ou lábios azulados.
  • Dor Intensa e Súbita: Uma dor aguda e súbita, especialmente na região abdominal (apendicite, cálculos renais) ou no peito (infarto, angina), que não alivia com medicação comum.
  • Perda de Consciência ou Desmaios Prolongados: Quando a perda de consciência dura mais do que alguns segundos e a pessoa não recupera a consciência rapidamente ou apresenta confusão ao acordar.
  • Sinais de AVC (Acidente Vascular Cerebral): Fraqueza ou paralisia num dos lados do corpo (face, braço, perna), dificuldade em falar (dislalia, afasia), perda parcial ou total de visão num olho e falta de equilíbrio súbita.
  • Problemas na Gravidez: Dor abdominal intensa acompanhada de tonturas, sangramento vaginal intenso, ou outros sinais como confusão, agitação ou falta de oxigénio.
  • Reações Alérgicas Graves (Anafilaxia): Inchaço rápido da língua, garganta e/ou lábios, acompanhado de dificuldade em respirar, urticária generalizada ou queda da pressão arterial.

Quando Outras Opções São Mais Adequadas?

Muitas situações, embora causem desconforto, não representam um risco de vida imediato e podem ser tratadas em centros de saúde, clínicas ou através de aconselhamento telefónico. Recorrer à urgência nestes casos contribui para a sobrecarga do sistema. Exemplos de situações que geralmente não exigem uma ida imediata à urgência incluem:

  • Entorses ou distensões musculares ligeiras.
  • Dores ligeiras (de cabeça, garganta, barriga, etc.) que não são acompanhadas de outros sintomas alarmantes.
  • Pequenas hemorragias e cortes superficiais que param de sangrar com pressão e não são muito extensos.
  • Tosse persistente, mas sem dificuldade respiratória grave.
  • Febre sem outros sintomas de alarme, especialmente em adultos saudáveis.
  • Náuseas, diarreia ou vómitos alimentares sem sinais de desidratação grave.
  • Comichão ou alterações na pele (erupções cutâneas, vermelhidão) que não afetam a respiração ou são acompanhadas de inchaço grave.
  • Alteração da pressão arterial sem outros sintomas associados, como dor no peito ou tonturas intensas.

Como é Determinado o Nível de Urgência no Hospital?

Ao chegar ao hospital, o nível de urgência é determinado através de um processo de triagem, geralmente realizado por um enfermeiro. Durante este processo, são analisados o historial clínico, os sintomas apresentados e alguns sinais vitais do doente. Com base nessas avaliações, os serviços estabelecem prioridades de atendimento, assegurando que os doentes com condições mais graves sejam atendidos primeiro.

Em Portugal, o protocolo de triagem utilizado é o Protocolo de Manchester, um sistema que classifica a urgência em cinco cores, com base em diversos critérios e discriminadores. Este protocolo também define os tempos de espera ideais para cada situação, garantindo que os pacientes recebam o atendimento adequado de acordo com a gravidade dos seus sintomas:

CorClassificaçãoTempo de Espera Ideal
VermelhoEmergência0 minutos (atendimento imediato)
LaranjaMuito Urgente10 minutos (atendimento praticamente imediato)
AmareloUrgente60 minutos (atendimento rápido, mas pode aguardar)
VerdePouco Urgente120 minutos (pode aguardar ou ser encaminhado)
AzulNão Urgente240 minutos (pode aguardar ou ser encaminhado)

Navegando o Sistema de Saúde: Onde Ver Urgências Abertas e Novas Regras

É compreensível que, perante a existência de alguns sintomas e sem a perceção da sua gravidade, surjam dúvidas sobre a melhor forma de agir. Felizmente, existem recursos e novas regras para ajudar os utentes a tomar a decisão certa e a aceder aos cuidados de saúde de forma mais eficiente.

Consulta de Urgências Abertas em Tempo Real

Para facilitar o acesso e evitar deslocações desnecessárias, é possível consultar os serviços de urgência abertos em Portugal Continental num mapa interativo no portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Esta ferramenta integra os horários das urgências que constam do Sistema Integrado de Informação de Prestadores para os sete dias seguintes, é atualizado de hora em hora e permite aos utentes pesquisarem por tipologia de urgência, por região, por unidade local de saúde e por unidade de saúde.

Os serviços de urgências abertos estão assinalados com um círculo de cor verde. Os encerrados com um losango a vermelho. Já as urgências referenciadas, ou seja, as que estão abertas com limitações de admissão de utentes – reservadas às urgências internas e aos casos referenciados pelo CODU/INEM (Centros de Orientação de Doentes Urgentes e Instituto Nacional de Emergência Médica) e pela linha SNS 24 –, estão assinaladas com um triângulo a amarelo ou um círculo cinzento, se apenas receberem urgências internas e utentes referenciados pelo CODU/INEM.

Quando se deve ir às urgências?
É aconselhável ir às urgências em situações graves ou que possam colocar a vida em risco, como perda de consciência, dificuldade respiratória grave, hemorragias abundantes, dor no peito intensa e súbita, ou acidentes com ferimentos graves. Situações que não são consideradas urgentes incluem dores ligeiras, febre baixa, tosse e diarreia, que podem ser tratadas em cuidados de saúde primários. Quando ir às urgências (situações graves/emergências): Quando não é urgente: Febre baixa: Se a febre não for alta e não acompanhada de outros sintomas graves, pode ser tratada em casa ou com aconselhamento médico. Tosse persistente: Se não estiver associada a dificuldade respiratória, pode ser tratada em casa ou com aconselhamento médico. Dores ligeiras: Dores de cabeça, garganta ou barriga ligeiras podem ser tratadas com medicamentos comuns. Náuseas e vómitos: Se não forem persistentes e não houver sinais de desidratação, podem ser tratados em casa. Diarreia: Se não houver sinais de desidratação ou complicações, pode ser tratada em casa. Constipações e infeções comuns: Podem ser tratadas em casa ou com aconselhamento médico. Importante:

A Linha SNS 24: O Seu Primeiro Ponto de Contacto

O SNS 24 (808 24 24 24) é uma linha de saúde fundamental para problemas não emergentes. É um serviço gratuito de avaliação clínica por telefone, realizado por enfermeiros qualificados e experientes, disponível todos os dias, das 8h às 24h. Após a avaliação inicial, a equipa de enfermagem irá encaminhá-lo para o canal de atendimento mais adequado à sua situação clínica, que pode ser:

  • Unidades de Atendimento Urgente (se necessário).
  • Consultas sem Marcação.
  • Teleconsulta SOS Adultos.
  • Atividade Programada (consultas ou teleconsulta de especialidade).
  • Indicação para autocuidados.

Ligar para o SNS 24 antes de se dirigir a uma urgência é uma recomendação forte do Ministério da Saúde. Além da triagem e encaminhamento, permite saber qual é o serviço mais próximo disponível e o tempo médio de espera nos hospitais públicos, disponível no site do SNS.

Linha SNS Grávida e Novo Modelo de Acesso às Urgências Obstétricas e Ginecológicas

Devido à reorganização dos horários de funcionamento dos serviços de urgência hospitalares de Pediatria e Ginecologia/Obstetrícia do SNS, foi criada a Linha SNS Grávida. Desde o início de junho, as grávidas podem ligar para o SNS 24 (808 24 24 24) e marcar a opção 0 para serem encaminhadas para a urgência de ginecologia ou obstetrícia mais próxima. Esta linha é uma das medidas urgentes previstas no Plano de Emergência e Transformação na Saúde.

A 16 de dezembro, foi implementado um novo modelo de urgências de obstetrícia e ginecologia nas Unidades Locais de Saúde (ULS) de Lisboa e Vale do Tejo e Leiria. Este modelo, em fase piloto, impõe às grávidas um contacto com a linha SNS 24 antes de acederem às urgências. O projeto inclui 11 ULS das regiões referidas, às quais se juntaram voluntariamente outras ULS.

Acesso à Urgência Obstétrica/GinecológicaProcedimento
Com Referenciação DiretaEntrada direta nos serviços se referenciada por:

  • Pré-triagem telefónica via Linha SNS Grávida (808 24 24 24)
  • Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU-INEM, 112)
  • Profissionais dos cuidados de saúde primários
  • Outra instituição de saúde (pública, privada, social) com informação clínica assinada por médico/enfermeiro especialista em saúde materna e infantil
  • Urgência geral da mesma instituição de saúde
Sem ReferenciaçãoA utente terá acesso a um telefone e será aconselhada a ligar para o SNS 24 para reencaminhamento.

Se insistir no atendimento, será triada por enfermeiro especialista. Se a situação for não urgente, será encaminhada para consulta (primários ou hospital) no prazo máximo de um dia útil.

Existem exceções para grávidas com condições que possam causar risco de vida, como perda de consciência, convulsões, dificuldades respiratórias, hemorragia abundante, traumatismo grave e dores muito intensas, que têm entrada direta.

Onde ver as urgências abertas?
O portal do Serviço Nacional de Saúde conta agora com um mapa interativo que permite saber quais as urgências em funcionamento, assim como os respetivos horários em Portugal Continental.

Perguntas Frequentes (FAQs)

Qual a diferença entre urgência e emergência?

Uma emergência médica é uma situação de risco de vida iminente que exige atendimento imediato (ex: paragem cardíaca, AVC grave). Nestes casos, deve-se ligar para o 112. Uma urgência médica é uma situação crítica que exige atenção rápida para evitar o agravamento da condição, mas não há um risco de vida imediato (ex: fratura, dor abdominal intensa sem sinais de choque).

Devo ligar sempre para o SNS 24 antes de ir à urgência?

Sim, é fortemente recomendado ligar para o SNS 24 (808 24 24 24) antes de se dirigir a uma urgência, exceto em situações de emergência com risco de vida (para as quais se deve ligar 112). O SNS 24 fará uma triagem telefónica e encaminhará para o serviço mais adequado, podendo ser a urgência, um centro de saúde, uma teleconsulta ou autocuidados.

Onde posso ver os tempos de espera das urgências hospitalares?

Pode consultar os tempos médios de espera nos hospitais públicos diretamente no site do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Ao pesquisar por instituição, é apresentado o tempo médio de espera por grau de prioridade (vermelho, laranja, amarelo, verde e azul).

O que fazer se for uma grávida com uma urgência?

Se for uma grávida e tiver uma urgência, o ideal é ligar para a Linha SNS Grávida, através do SNS 24 (808 24 24 24, opção 0). Serão encaminhadas para a urgência de ginecologia ou obstetrícia mais próxima. No entanto, em situações de risco de vida iminente (hemorragia abundante, perda de consciência), deve dirigir-se diretamente à urgência ou ligar para o 112.

Conclusão

A utilização consciente e informada dos serviços de urgência é um gesto de cidadania que beneficia a todos. Ao compreender a diferença entre uma urgência e uma emergência, ao utilizar as linhas de apoio como o SNS 24 e ao estar ciente dos novos modelos de acesso, como o das urgências obstétricas e ginecológicas, cada utente contribui para a eficiência e segurança do sistema de saúde em Portugal. Lembre-se de que as urgências hospitalares devem ser utilizadas apenas em situações de verdadeira necessidade. Sempre que possível, recorra às alternativas disponíveis, contribuindo para um atendimento mais eficiente e seguro para todos. Este pequeno gesto pode ter um grande impacto e ajudar a salvar vidas, garantindo que os recursos estejam disponíveis para quem realmente precisa de cuidados imediatos e complexos.

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